A greve continua
Apesar dos ataques da burguesia e do judiciário, rodoviários mineiros prosseguem sua mobilização
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Frota de ônibus parada em garagem (imagem ilustrativa) | Foto: Reprodução

Como já foi noticiado neste Diário, os rodoviários da cidade mineira de Juiz de Fora entraram em greve no último dia 18, lutando contra duríssimos ataques desferidos pelos capitalistas das empresas de ônibus que circulam no município. Aproximadamente 3.231 trabalhadores dessas empresas decidiram cruzar os braços contra o corte de salários proporcional à redução da jornada de trabalho e fim de benefícios como vale-alimentação, plano de saúde e cesta básica. Tais medidas os capitalistas do transporte público pretendem adotar por conta do perda de lucro que estão tendo com a pandemia, aderindo ao Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda do governo federal, que permite a redução da jornada de trabalho com redução do salário. E como já tem sido visto em inumeras ocasioes, nao é a burguesia quem vai cortar da própria carne para se recompor da pandemia, o ônus da crise está totalmente nas costas dos trabalhadores. Apesar de todo ataque e pressão da direita contra os trabalhadores desta categoria, estes não abaixaram a cabeça e a greve, portanto, prossegue neste fim de semana.

Sábado, dia 22, patronato e proletariado do setor se reuniram para uma nova rodada de negociações na tentativa de realizar um novo acordo coletivo acerca da redução de salário, jornada de trabalho e benefícios, acabando por não haver “acordo”, ou seja, os rodoviários se submeterem aos interesses dos patrões. De acordo com  vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Sinttro), apenas uma empresa, a Ansal, compareceu à reunião e apresentou propostas. As demais não se dispuseram em participar  das negociações (Gil, Tusmil, Viação São Francisco).

A greve, iniciada na terça-feira da última semana, contou com uma mobilização de rua dos rodoviários na terça-feira. Na quarta, o TRT, sempre à serviço da burguesia, ordenou que os rodoviários retomassem as atividades com no mínimo 60% da frota de ônibus em circulação, todavia os trabalhadores mostraram o que deve ser feito: passar por cima das arbitrariedades do judiciário e continuar a mobilização.

A Astransp, grupo representando as companhias de transporte público que não compareceram a última reunião, publicou uma nota na qual, como já era de se esperar, condena a greve. Na nota, o empresariado demonstra um espetaculo escatologico de cinismo, afirmando que os trabalhadores só se importam com si próprios, não se sensibilizam com a saúde e o bem-estar da população e nem com as empresas. Além disso, vieram com o velho discurso de que em tempos de crise sacrifícios são necessários em prol do bem maior e, portanto, privilégios precisam ser removidos. 

Traduzindo: O salário, o plano de saúde e a cesta básica dos rodoviários, na visão dos capitalistas, que estão anos-luz de passar fome por conta da crise, são privilégios. Na cabeça da burguesia, a saúde e o bem-estar da populaçao nao sao prejudicados pelas aglomerações nos ônibus lotados em plena pandemia provocada pela falta de interesse  desses em melhorar o serviço de transporte público, mas pelo trabalhador rodoviário que faz greve para ter condições de emprego e vida dignas. Este é o retrato da burguesia que a classe média de direita e de esquerda acreditou que por conta da pandemia se tornaria boa e domesticada.

O “pobre coitado” empresário de ônibus diz que os rodoviários são insensíveis, mas fecham os olhos pros dados mostrando a quantidade alarmante de motoristas de ônibus que morreram de covid-19 pois tiveram que continuar trabalhando, já que o transporte público seria um “serviço essencial”. Só na cidade de São Paulo, 68 condutores já perderam a vida por causa da doença, sinal de que a vida destes trabalhadores não tem importância para os empresários. A burguesia, que supostamente salvaria o mundo da pandemia, já reabriu o comércio, forçando seus empregados a voltarem ao trabalho e os rodoviários, por sua vez, voltarem a rodar com os ônibus. Os “serviços essenciais” não podem valer mais que a saúde e a vida das pessoas.

A permanência da greve dos rodoviários de Juiz de Fora é corretíssima. Os demais rodoviários de todo o Brasil devem também paralisar as atividades diante da mixaria de salário e condições de trabalho precárias, tendo que trabalhar se expondo ao vírus para não comprometer o bolso dos capitalistas.

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