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Como combater o desemprego
A luta pela redução da jornada de trabalho é o complemento social do Fora Bolsonaro.
Desemprego-fila
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A luta pela redução da jornada de trabalho é o complemento social do Fora Bolsonaro.
Fila de desempregados em São Paulo Fonte: arquivo DCO
Desemprego-fila
Fila de desempregados em São Paulo Fonte: arquivo DCO

Recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre desemprego  espelha a grave situação da classe trabalhadora no Brasil. Mesmo com a ressalva de que os institutos de pesquisas tendem, em geral, a maquiar os números, a serem conservadores, os dados apresentados expressam uma condição impossível de ser encoberta.  

De acordo com a pesquisa, 12,4 milhões de brasileiros estão desempregados. Não estão computados nesses números os, 4,6 milhões de pessoas desalentadas, isto é, desempregadas que desistiram de procurar emprego. Em termos absolutos, portanto, o Brasil tem 17 milhões de pessoas desempregadas.

A pesquisa mostra, ainda, que o número de trabalhadores subutilizados atingiu a marca de 27 milhões de pessoas. Esse grupo representa aqueles que gostariam de trabalhar mais horas, ou seja, são pessoas que vivem de bico, semiempregadas.

Finalmente tem a população que trabalha por conta própria. São 24 milhões de pessoas que estão no mercado informal e que fazem qualquer negócio para não morrer de fome.

A soma dos três grupos atinge aproximadamente 70 milhões de brasileiros que já caíram no precipício ou estão à beira dele. São dezenas de milhões de pessoas sem fonte de renda para sobreviver. Esse é o retrato do Brasil, cerca de dois terços da população economicamente ativa no Pais está desempregada ou vive de bico, no mercado informal.

Essa é a bomba relógio da situação política brasileira. Diante desse quadro, vemos como é equivocada a política proposta em geral pela esquerda reformista para combater o desemprego. Primeiro, é absurda a ideia de que é necessário aquecer a economia para criar novos postos de trabalho. Mas, o que fazer até que esse aquecimento aconteça, se é que vai acontecer? Quem vai aquecer o mercado? O governo fascista que é o autor da miséria vai combater a miséria? 

A única saída real para o desemprego é a mobilização dos maiores interessados, os próprios trabalhadores, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários. É a única maneira de criar imediatamente novos empregos, preservando os daqueles que já estão trabalhando formalmente.

A direita, os patrões, vão dizer que é impossível a redução da jornada porque já vivemos uma crise econômica. Na verdade eles querem o oposto, a redução dos postos de trabalho formais, dos direitos e o enfraquecimento das organizações que lutam pelos interesses dos trabalhadores. Querem ampliar a jornada de trabalho, reduzir os trabalhos, o que leva a um aumento ainda maior do desemprego. Tudo para manter seus lucrosMas isso é um problema deles. Os ricos que paguem pela sua própria crise. 

A questão toda consiste na mobilização. Só uma gigantesca luta popular popular concentrada será capaz de conseguir a vitória. Por isso o apelo deve ser feito diretamente à classe operária.

Essa proposta unifica tanto os empregados como os desempregados. Os primeiros porque além de trabalharem menos, seriam beneficiados com o fortalecimento da sua estabilidade no emprego. Os segundos por garantir o seu próprio emprego, resultado da criação de milhões de novos postos de trabalho.

A luta pela redução da jornada de trabalho completa no terreno social a luta pela derrubada do governo Bolsonaro pelas massas nas ruas. A situação política no Brasil vai evoluir mais cedo ou mais tarde para uma luta aberta contra o governo. Desemprego e inflação são as duas coisas mais explosivas no capitalismo e ambas estão crescendo em nosso País.

A situação que temos no Brasil é insustentável. Diante dessa situação, coloca-se para as direções do proletariado a obrigação e a urgência de dirigir um apelo à mobilização de todos os trabalhadores. É preciso atacar o desemprego de frente. Esta é a grande questão da situação política que estamos vivendo: qual vai ser a politica a ser seguida pelas direções do movimento operário?