Como Ciro Gomes luta contra Bolsonaro? Tirando férias na Europa…

Brazil's former national integration minister Ciro Gomes speaks during the launch of his pre-candidacy for Brazil's presidential election for the Democratic Labour party, at the National Congress, in Brasilia

Assim como no cinema e na própria vida real, todo valente e falastrão escolhe sempre o momento mais propício para reverberar sua impavidez. Após Jair Bolsonaro (PSL) ter emplacado 46,03% de votos nas urnas, – chegando bem próximo de levar as eleições no primeiro turno, o candidato Ciro Gomes (PDT) “O Abutre” – que acumulara 12,47% dos votos, inusitadamente decide tirar férias por pelo menos uma semana na Europa.

De acordo com informações dadas por Cid Gomes à Folha de S. Paulo, o Candidato do PDT, – terceiro lugar no primeiro turno da disputa presidencial – deve ter viajado nesta quinta-feira (11) para a Europa, deixando Fernando Haddad (PT) à deriva.

O petista já vinha costurando uma possível aliança no segundo turno, numa total esperança de convencer o “valente” candidato do PDT a integrar sua equipe, visando a formação de uma frente em defesa dos valores “democráticos”, contrapondo-se ao filisteu Jair Bolsonaro. Nesta quarta-feira (10), o PDT chegou a anunciar que daria um “apoio crítico” a Haddad. O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que mesmo assim, Ciro não iria subir no palanque do candidato do PT. De acordo com a assessoria do agora ex-candidato, ele iria “tirar uns dias para descansar e cuidar da saúde”. Ademais, aliados disseram que Ciro não gostaria de ter sua imagem associada à do PT neste segundo turno tão polarizado. Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta quarta-feira (10), boa parte dos votos do abutre migram para Haddad. Sendo assim, o petista hoje teria 42% das intenções frente a 58% de Bolsonaro.

Após a subida vertiginosa do ultra-direitista Jair Bolsonaro, os auxiliares de Haddad têm corrido contra o tempo para criar pontes com o ex-governador do Ceará. Desde o início da semana Jaques Wagner, senador eleito da Bahia e coordenador político da equipe petista, e Camilo Santana, governador reeleito no Ceará, têm mantido contato com Ciro e Cid Gomes.

O PT já conta com o apoio dos partidos de “centro-esquerda”, como PDT, PSOL e PSB, formalizados. Contudo, Haddad pretende ampliar o alcance para outros setores e atores da sociedade e, assim, formar a frente em defesa dos valores da “democracia”; a democracia que mantém Lula – o candidato preferido pelo povo – preso. Na etapa decisiva da corrida eleitoral, logo o candidato que estaria “mais apto” a enfrentar o fascismo, estaria precisando de sombra e água fresca? Para diversos setores que o defendiam, cai por terra todo o falatório de uma suposta intrepidez e de defesa do povo brasileiro; pois na medida em que o fascismo cresce, Ciro Gomes viaja para a Europa.