Intimidação e humilhação
A tentativa de impedir que a garota de dez anos realizasse o aborto não se deu apenas na porta do hospital, ela também partiu de profissionais e autoridades que atenderam a criança
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A ministra Damares Alves foi uma das que tentaram impedir que o direito da garota fosse garantido. | Foto: Arquivo DCO.

O recente caso da menina de dez anos que foi submetida a um aborto, no estado de Pernambuco, após anos de abuso, demonstrou mais uma vez como a extrema direita age de forma demagógica e também é uma grande inimiga das mulheres. A extrema direita agiu de várias formas para que o direito da menina fosse negado, em praticamente todas as esferas recorridas para que o procedimento fosse feito.

Primeiramente, o caso ganhou a grande mídia e graças ao discurso fundamentalista e conservador da extrema direita o enfoque foi dado não a gravidade do fato de um tio abusar de uma criança por anos e acabar engravidando-a, mas sim de que a criança iria realizar o procedimento do aborto, como se o verdadeiro crime estava aí, na sua tentativa de minimizar todos os danos que poderiam ser permanentes em sua vida, na sua tentativa de exercer o seu direito e de assim pelo menos tentar levar uma vida normal como todas as outras crianças. Quando falamos em direito, não é apenas pelo fato de que o aborto é e deveria ser constitucionalmente um direito irrestrito das mulheres, mas também de que a criança se enquadra duplamente na atual lei brasileira do aborto, de 1940, que garante o direito quando a mulher sofre um estupro e quando a gravidez oferece riscos a vida da mãe. Apesar da lei, um show de horrores e humilhação foi formado a cerca do caso, onde agentes da extrema direita e religiosos tentaram impedir que a garota exercesse seu direito na porta do hospital em Pernambuco, chamando-a até mesmo de assassina, além de vários parlamentares insistindo no discurso de que a gravidez deveria ser levada adiante, como foi o caso até mesmo da Ministra do Ministéro da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, além do vazamento de informações da criança, seu endereço, e onde o procedimento seria realizado, feito pela ativista fascista Sara Winter. Mas os problemas para que o direito dessa garota fosse garantido não começaram daí, eles começaram quando nem mesmo o caso tinha ganhado a atenção nacional.

Segundo o secretário estadual da Saúde do Espírito Santo (estado de residência da criança e onde o caso começou) Nésio Rodrigues, a criança precisou enfrentar e passar por cima de praticamente todos os profissionais que a atenderam antes de realizar o aborto para que seu direito fosse garantido e atendido. Foram conselheiros tutelares, médicos e outros profissionais de saúde que tentaram convencer a garota a levar a gravidez adiante, inclusive o médico obstetra do município da criança chegou a dar o aval para que o parto fosse realizado, alegando que a criança já teria uma pelve de uma adolescente de 13 anos, por isso o parto poderia ser realizado. Atitudes completamente irresponsáveis daqueles que deveriam mais do que qualquer outra camada da sociedade tentar garantir que a criança realizasse o aborto sem maiores dificuldades, mas a realidade que estamos encontrando no Brasil é que a extrema direita está tomando um campo cada vez mais vasto dentro do Estado e das instituições públicas. Ao mesmo tempo em que constrangeram e intimidaram uma criança de dez anos, se escondem em suas demagogias “á favor da vida” e ignoram a vida e a realidade de milhares de mulheres e crianças que sofrem com abusos e mesmo assim não conseguem garantir que seus direitos sejam atendidos, pois há impedimentos dentro das esferas morais e religiosas, carregadas de conservadorismo, de uma parte da sociedade que a cada dia que passa colabora ainda mais para a intolerância e o retrocesso da emancipação feminina e do desenvolvimento justo da sociedade.

A tentativa da extrema direita de convencer uma criança de dez anos a levar adiante uma gravidez fruto de um estupro é uma violência não só a vítima mas a todas as mulheres. A tentativa de convencimento foi mais uma forma de minimizar a crise que se instaurou diante do fato, afinal seria mais fácil colocar em prática sua política reacionária se a criança desejasse continuar com toda essa situação, o que é mais um fato irresponsável, já que com a rejeição da gravidez a garota foi colocada pelos seus seguidores como uma assassina, irresponsável, sendo que estamos lidando apenas com uma criança de dez anos que deseja ter uma vida normal depois de tanto sofrimento.

Esse episódio deixa claro duas coisas à população brasileira: a extrema direita está cada vez mais infiltrada e ganhando espaço no Estado, numa tentativa de retroceder e de oprimir ainda mais as mulheres e todas as classes oprimidas da sociedade, e demonstrou também que a extrema direita e o fascismo são os maiores inimigos das mulheres na suas tentativas de construir sua emancipação social. Neste sentido é preciso lutar contra essa extrema direita nas ruas, pelo Fora Bolsonaro, fora Damares, e fora todos aqueles que colaboram para a opressão das mulheres e tentam impedir a sua liberdade e igualdade social.

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