Comitês Rio indo para Brasília

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A caravana de comitês de luta contra o golpe, que partiu do Rio rumo a Brasília, foi um sucesso. Organizada por membros do PCO RJ, com destaque para Vítor Lara (2909) e Henrique Simonard (29029), ela saiu por volta de 19h do dia 14 da Cinelândia, e estacionou em frente ao ministério da Agricultura às 14h do dia 15, a tempo de seguir com a marcha popular em direção ao TSE, em apoio à homologação da candidatura de Lula para a presidência da República.

Um dos momentos mais emocionantes da viagem foi quando se avistou a coluna de manifestantes do MST, à qual se somaram os cariocas em particular, aliados ao agrupamento nacional dos militantes do PCO, sempre disciplinados e uniformizados com suas luzentes camisas vermelhas, onde se lê: “por um governo operário”. Neste momento, foi como se vários afluentes desaguassem num mesmo rio, seguindo uma mesma direção, ao eco de “Lula livre !”, “Lula presidente !”.

Desde as manifestações contra o impeachment de Dilma Rousseff não se via um volume tão grande de pessoas numa manifestação pública. As participações no comício sobre o carro de som postado junto ao TSE foram das mais variadas e importantes. Estiveram presentes governadores do PT e do PC do B de Manuela D´Ávila, que estava lá, e não deixou de se fazer notar. Leonardo Boff, de roupa branca e vestindo um grande cachecol vermelho, transmitiu uma mensagem otimista de Lula, anunciando que este permanece “candidatíssimo”, e plenamente capaz de tirar o país do atoleiro em que se encontra, após o golpe jurídico parlamentar. Mais tarde, Haddad leria uma carta de Lula, visando aparentar perante a multidão decididamente lulista sua fidelidade “radical” ao ex-presidente.

Um dos momentos mais pungentes do comício foi quando discursaram dois dos grevistas de fome que apoiam a candidatura Lula, literalmente, até o fim. Disseram que passam fome agora “para que ninguém no Brasil tenha que passar mais fome”.

Ao longo do ato, pairava um suspense no ar, pois suspeitava-se que a direita poderia intervir com algum casuísmo no sentido de abortar a candidatura de Lula antes mesmo de sua inscrição, o que felizmente não ocorreu.

Quando Dilma surgiu no alto do carro do som, situado junto ao TSE, foi uma explosão de alegria. Quando Wagner Freitas anunciou que a inscrição de Lula fora de fato aceita, um êxtase de gritos e bandeiras a flamular. Foi como se a esquerda tivesse marcado um gol. E quando a presidente do PT, Gleici Hoffman, exibiu o documento de inscrição, assinado, diante das câmeras dos drones, o mundo passou a saber que Lula, mais uma vez, era candidato a presidente do Brasil.

À tarde ensolarada seguiu-se um crepúsculo laranja, que aureolava o retorno dos manifestantes. A estimativas foram de 50 mil participantes no evento, que mesmo abafado pela mídia oficial, exibiu de forma irrecusável aos olhos de todos o crescente apoio à candidatura de Lula, bem como a revolta contra o golpe de estado.

A caravana PCO RJ teve a oportunidade de trazer muitos filiados do PT, já que o partido dos trabalhadores não mandou todos os ônibus que prometera. Durante a viagem, houve muita polêmica em torno da decisão de se propor Haddad como uma espécie de “plano B” alternativo à candidatura do ex-presidente. Enquanto o PCO e alguns militantes pró Lula defendem o “Lula ou Nada”, grande parte dos petistas apoiam a resolução do partido de propor um substituto viável para a eleições, com se por um passe de mágica a vitória nas urnas eletrônicas pudesse reverter os efeitos do golpe de estado imposto pela direita.

Presente no ônibus, o candidato a senador pelo PCO, Fernando Fagundes, fez um breve discurso ressaltando a luta pela liberdade de Lula como centro atual da luta política, luta que envolve a soberania nacional, e o papel do PCO nestas eleições, que será sobretudo o de denunciá-las como uma farsa, caso o candidato que detém a preferência das intenções de voto, for impedido de participar.

A caravana foi um acontecimento político tão importante quanto o comício propriamente dito. No caso da caravana do PCO RJ para Brasília, deu-se o fortalecimento dos vínculos do partido com as alas mais lulistas e dilmistas do PT, que rejeitam a acomodação ao golpe de estado, aspirando uma resistência mais decidida, um contragolpe contra a direita para além das vias meramente institucionais. Uma oposição ao golpe fortalecida pelo apoio das grandes massas, em vista da abertura no Brasil de uma assembleia constituinte popular.