Após balanço da situação
Partido reuniu sua direção, realizou intenso debate e buscou apontar a política revolucionária diante da evolução da situação política que tende ao enfrentamento com a direita
PCO em Curitiba 02
O partido sempre presente na luta contra o golpe |

Pouco mais de 24 horas do golpe militar na Bolívia e três dias após a soltura do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva – fatos da maior relevância e de enorme influência na conjuntura atual no Brasil e em todo o Continente -, o Comitê Central Nacional do Partido da Causa Operária, realizou reunião nessa segunda-feira (dia 11/11), em São Paulo. Além de integrantes da direção partidária, participaram também, como convidados, representantes de Comitês Regionais, responsáveis pelo trabalho em todas regiões do País.

A reunião realizou um amplo debate sobre esses acontecimentos e o conjunto da situação politica, bem como sobre as tarefas colocadas para o Partido da luta contra o golpe, pela revolução e pela comunismo, na etapa atual.

 

Liberdade Lula: uma vitória da mobilização

 

De acordo com o balanço realizado na reunião, sob a coordenação do companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, esses dois acontecimentos provocam uma mudança importante na situação.

“A libertação do Lula se deu no marco de uma manobra da burguesia para abrir caminho para neutralizar os processos da Lava Jato. Mas não podemos pensar que não tenha sido uma vitória da mobilização”, destacou o presidente do PCO, no informe apresentado no começo da discussão.

A reunião debateu o aprofundamento da crise do regime golpista e da divisão no interior da burguesia. Em meio à essa crise, foi tomada a decisão de soltura do ex-presidente, em um quadro de mobilização crescente, tanto dentro do Brasil, como fora, como se viu no Chile e no Equador. A decisão do STF e a ausência de posicionamentos contrários de setores fundamentais do regime golpista (como dos militares que em outras oportunidades ameaçaram com golpe militar no caso de Lula ser solto) expressou o estabelecimento – ainda que provisório – de um consenso em torno da questão do trânsito em julgado, estabelecido na Constituição Federal, mas que não vinha sendo respeitado há vários anos, justamente para impedir que Lula estivesse em liberdade, fosse candidato, participasse da luta politica etc. Há protestos de setores da direita, mas que são minoritários e que buscam manter as aparências de que não haveria um acordo geral em torno da soltura de Lula. Não se trata, nem de longe, de que concordem com os direitos de Lula, da esquerda etc. No entanto, acharam melhor concordar agora para segurar a situação depois.

Para o PCO isso não altera o fato de que a libertação de Lula foi uma vitória da mobilização realizada, principalmente pelos Comitês de Luta, que realizaram uma intensa campanha nas ruas (“mutirões”) e dois importantes atos pela liberdade do ex-presidente. O primeiro, no dia 14 de setembro e o segundo, em 27 de outubro, ambos em Curitiba; se opondo à paralisia de setores da esquerda burguesa e pequeno burguesa que não queriam impulsionar qualquer luta real contra a criminosa operação lava jato e suas condenações fraudulentas.

Em uma situação em que cresce a polarização, a burguesia golpista se viu forçada a manobrar, para evitar que chegue a um ponto extremo.

 

A tentativa de transformar o resultado em um mero trunfo eleitoral

 

Um dos aspectos mais importantes dessa situação, do ponto de vista da luta dos explorados contra o regime golpista, que é a de reforçar a compreensão da força da mobilização, da capacidade da luta conquistar a derrota do regime político, de barrar a Resultado de imagem para freixo no ABCofensiva da direita, foi duramente atacado, já nos primeiro momentos após a soltura do ex-presidente. Já no ato de sábado, dirigentes da esquerda que não moveram uma palha na luta pela liberdade de Lula, procuraram transformar o próprio ato político realizado em São Bernardo do Campo, em uma verdadeira orgia eleitoral.

Foram à SBC, dezenas de parlamentares, chefes de executivos e, principalmente, pré-candidatos das eleições municipais de 2020 (e até para 2022) de quase todos os partidos da esquerda, a imensa maioria dos quais permaneceram inertes durante os quase 580 dias em que Lula foi mantido no cativeiro. Lá estava, inclusive, alguns daqueles que destacaram sempre que a luta pela liberdade de Lula, deveria ser abandonada, que era preciso “virar a página do golpe” ou que “a pauta não pode ser mais o ‘Lula Livre’“. Agiram para afogar no eleitoralismo desesperado tudo que tem de positivo na liberdade de Lula e na mobilização que esta pode impulsionar, inclusive, para garantir a conquista definitiva de sua liberdade e a restituição de seu direitos políticos, por hora cassados, de todos os presos políticos e condenados pelo regime golpista, bem como a anulação de todos os processo da lava jato.

 

Lula Livre e o fora Bolsonaro

 

A própria imprensa burguesa e os partidos do centrão, se lançaram a fazer uma campanha contra a polarização política, temendo a elevação da luta política das organizações dos explorados e de suas organizações com a soltura da maior liderança popular do País, ao mesmo tempo em que setores da direita realizam uma campanha (ainda pequena) a favor de alterar a própria Lei (em um novo ataque à princípios da Constituição que só podem ser mudados por meio de uma nova Constituinte),

Material da campanha pela Liberdade para Lula”, dos comitês de luta contra o golpe

para dar andamento aos processos que ainda existem contra o ex-presidente, para impor novas condenações, manter cassação política etc.

Um aspecto fundamental da situação que para o PCO deve ser impulsionado é que para a imensa maioria do ativismo de esquerda, dos Comitês de Luta, e de ampla parcela do povo, a liberdade de Lula é uma “arma” para reforçar a luta contra o governo Bolsonaro e seus ataques contra o povo brasileiro que vem promovendo um enorme retrocesso em suas condições de vida e que precisam ser enfrentados já (como o desemprego, o aumento da miséria, a entrega da economia nacional por meio dos leilões de petróleo, privatizações etc.).

Essa ofensiva só pode ser barrada pela mobilização popular nas ruas (e não com o voto nas urnas em um futuro incerto), como se viu nas lutas aqui no Brasil e nos enfrentamentos em outros países da América Latina. Por conta disso, o CC do PCO deliberou intensificar a campanha pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas, junto com a campanha pela anulação da lava jato, pela anulação das eleições fraudulentas (realizadas com Lula na cadeia) e convocação de novas eleições, por eleições livres e democráticas, com Lula candidato.

 

As lições do golpe na Bolívia

 

A direção do PCO discutiu amplamente o golpe na Bolívia que esclarece ainda mais o fracasso total da politica de buscar derrotar a direita golpista, o imperialismo, por meio das eleições.

De certa forma, a questão boliviana, voltou a chamar a atenção para a profundidade da luta contra o golpe e o imperialismo e acalmou a “festança eleitoral”, que setores da esquerda burguesa e pequeno burguesa procuraram estabelecer. A situação na Bolívia acendeu as luzes vermelhas. O golpe lá não foi um golpe escondido e não foi tipo brasileiro ou equatoriano, que conseguiram manter a aparência. O golpe militar, com características claramente fascistas, mostrou até onde a direita está disposta a ir para fazer valer os interesses contra os explorados de nosso continente. Evidencia que todas as limitadas conquistas eleitorais da esquerda nacionalista está sob ameaça.

Diante disso, o PCO debateu a necessidade de realizar uma ampla campanha em defesa da luta do povo boliviano contra os golpistas e contra a ilusória perspectiva eleitoral apresentada pela esquerda, no Brasil e em toda a América Latina.

Lá e aqui, o centro da mobilização dos revolucionários, da esquerda classista e de todos os que lutam pela derrota do regime golpista imposto pelo imperialismo, passa pela mobilização nas ruas, pelos meios que forem necessários, para derrotar os regimes impostos seja pela força das armas, seja pelos golpes no judiciário e no parlamento (apoiados pelos militares) e impor a vontade popular.

No Brasil e na América Latina, a situação evolui para uma acirramento da luta de classes. A soltura de Lula, não modifica em nada essa tendência geral. E o golpe na Bolivia, sinaliza a intensificação dessa tendência à polarização. É importante identificar essas idas e vindas da situação, mas não pode perder de vista o quadro geral. Os acontecimentos não mudam a tendência geral da situação que, de conjunto está enquadrada em uma perspectiva de confronto, diante do agravamento da crise econômica mundial, da crise histórica do capitalismo, e das tendências da classe operária e demais explorados e a se enfrentarem contra os planos de fome e miséria para a maioria do imperialismo.

Nesta situação, a luta contra os regime golpistas, pelo Fora Bolsonaro, por colocar abaixo o golpe e os regimes golpistas na Bolivia. no Brasil e em toda a América Latina, cumprem um papel decisivo, no sentido de fazer avançar;ar a luta pelos direitos democráticos do povo, para barrar a ofensiva da direita contra suas condições de vida e pela conquista de governos próprios dos explorados, de governo dos trabalhadores da cidade e do campo,

Como assinalou o companheiro Rui Costa Pimenta, no encerramento da discussão sobre a situação politica, “a Bolívia é um exemplo para o Brasil. Temos que trabalhar na linha política que estamos trabalhando. Os problemas bolivianos são os nossos problemas aqui. Se a gente for pensar na política e na revolução como um quebra cabeça temos que pensar que pode ser montado de diversas maneiras. No Brasil teve o golpe e a situação vai se radicalizando devagar, mas as características da Bolívia também estão aqui. O que temos que fazer nesse momento é adaptar nossa política para os novo fatores, um ajuste, não há necessidade de grandes mudanças. Primeiro, a situação tende a um confronto; primeiro com um incêndio do lado do Brasil não dá para descartar que a situação chegue aqui rapidamente. A situação é dramática em todos os países da América Latina, inclusive no Brasil. Temos que continuar com a questão do Lula, continuar o mutirão e temos que incluir outras coisas no mutirão, temos que dar grande destaque ao “Fora Bolsonaro”, mas colocar também o problema da convocação de novas eleições, da luta pela redução da jornada para 35 horas, pela conquista da Assembleia Constituinte livre e Soberana etc.”. E conclui, “tá na hora de desenvolvermos uma propaganda dura em torno do governo dos trabalhadores”.

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