Comemoração da Copa enseja manifestações violentas em Paris

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Centenas de pessoas foram feridas e pelo menos duas foram mortas em conflitos com a polícia em Paris durante a comemoração da vitória da França na Copa do Mundo da Rússia no último domingo (15). A revolta popular é uma constante no governo direitista de Emmanuel Macron, que emplacou com Medida Provisória uma pesada reforma trabalhista no país em 2017.

Após a vitória da seleção francesa por 4 a 2 sobre o time croata em Moscou na tarde de domingo, uma multidão de quase 100 mil pessoas se aglomerou na famosa avenida dos Champs-Elysées para festejar. O time francês tem maioria de negros e mestiços – incluindo Pogba, Umtiti e Mbappé. São imigrantes e filhos de imigrantes – normalmente das ex-colônias francesas na África – oriundos de famílias pobres que vivem em guetos nas periferias.

A França busca mostrar o triunfo dessa seleção multicultural como uma vitória da tolerância e miscigenação do país, numa época marcada por grandes ondas migratórias rumo à Europa e por um forte sentimento de xenofobia pela extrema-direita branca. Por outro lado, desde os primeiros jogos da França no Mundial da Rússia foi possível compreender que havia uma campanha publicitária e uma descarada manipulação da arbitragem – incluindo o VAR (Árbitro Assistente de Vídeo) – pela vitória de sua seleção. Trata-se de uma ação coordenada.

Campanhas publicitárias e títulos esportivos comprados pelo imperialismo, porém, não mudam a dura realidade dos imigrantes e seus descendentes na França, nem reduzem a desigualdade social.

Como todo oportunista, Macron acende uma vela para cada santo no tema da migração. Por um lado, afirma que o país está aberto à acolhida de refugiados provenientes de países em guerra. Por outro, assim como Trump, vem anunciando uma política de intensificação na prisão e deportação do que ele chama de “migrantes econômicos” – ou seja, aqueles que fugiram da miséria em seus países devastados pela política colonial francesa e pelo imperialismo em geral. Trata-se de uma política de discriminação racial explícita.

É compreensível assim que a revolta da população mais pobre – árabes, negros, “ilegais” – encontre uma válvula de escape durante um amplo movimento de massas como a comemoração de um título mundial de futebol. Foram seus países os que enriqueceram a França nos últimos séculos, são eles os responsáveis pelas produção de parte da riqueza do país hoje e, ao fim e ao cabo, são eles que compõem a seleção campeã do mundo. Por que mereceriam o tratamento desigual que recebem?