Esquerda a reboque da direita
Com base na farsa do aumento de popularidade de Bolsonaro, a grande imprensa capitalista isola a esquerda favorecendo a direita tradicional.
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Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo. | Foto: Reprodução

A grande imprensa capitalista, porta-voz dos golpistas e da burguesia, colocou a sua gigantesca máquina de propaganda eleitoral em movimento. Baseando-se nas pesquisas eleitorais, que na realidade são “estatísticas” feitas sob medida para os interesses dos grandes capitalistas, a manobra do momento é utilizar o falso aumento na popularidade de Bolsonaro para favorecer a direita nas duas principais cidades do país.

Em matéria do jornal golpista O Globo, de autoria dos articulistas Silvia Amorim e Sérgio Roxo mas que na realidade representa a política editorial do jornal de conjunto, podemos observar em detalhes como funciona a operação. Os redatores não escondem o fato de que a direitização nas eleições das duas cidades se dá justamente por conta deste estranho “aumento” na popularidade de Bolsonaro.

São Paulo: isolar o PT e garantir a reeleição do PSDB

No caso de São Paulo, trata-se em primeiro lugar de isolar o PT. Para isto, atuam de um lado Márcio França (PSB), ex-governador do estado que era vice de Geraldo Alckmin (PSDB) e que aparece como sendo do “campo da esquerda”, e de outro Guilherme Boulos (PSOL), uma espécie de Lula de classe média fabricado nos laboratórios “Não vai ter Copa!” da Folha de S. Paulo. É difícil apresentar França e o PSB como sendo um elementos da esquerda, ainda mais levando-se em consideração que a própria matéria do Globo cita que França tem se aproximado do próprio Bolsonaro, e aí entra a candidatura de Guilherme Boulos.

De posse de um currículo extensamente direitista, que pode ser visto resumidamente aqui e aqui, a candidatura de Boulos para a prefeitura de São Paulo surgiu impulsionada pelo próprio PIG, o Partido da Imprensa Golpista. Além do destaque dado pela Folha de S. Paulo, Boulos ganhou inclusive rasgados elogios da revista Veja, uma revista de pedigree direitista incontestável. Ao mesmo tempo, o “amplo” apoio ‘conquistado’ por Boulos se desenvolveu às custas da candidatura de Jilmar Tatto, uma figura impopular dentro do próprio PT, um fato festejado pelo PIG sem nenhum pudor.   

Já nos partidos de direita, embora ainda existam algumas candidaturas, como o caso de Joyce Hasselmann (PSL), Celso Russomano (Republicanos) e Levy Fidelix (PRTB), o mais provável é que vejamos um alinhamento em torno da reeleição de Covas, uma vez que o PT esteja devidamente neutralizado, como vimos inúmeras vezes na política brasileira inclusive nas eleições de 2018: diante de sua própria fraqueza, na hora H a burguesia precisa impulsionar uma única candidatura, para derrotar eleitoralmente a esquerda.

Rio de Janeiro: Frente Ampla em Ação

No caso do Rio de Janeiro, a direita já conseguiu, com a ajuda da esquerda, pavimentar o caminho para a famosa Frente Ampla. Ao abdicar da sua candidatura, alegando que o fez devido à falta de apoio do PDT, Marcelo Freixo (PSOL), que era cabeça de chapa numa coligação de partidos de esquerda como o PSOL, PT, PCB e PCdoB implodiu qualquer chance de vitória da esquerda na capital fluminense. O PT resolveu lançar como candidata Benedita da Silva, que era vice de Freixo, o que não impediu que o restante do bloco se dividisse, com cada partido lançando a sua própria candidatura. Neste cenário, o maior beneficiário é o direitista Eduardo Paes (DEM), que anteriormente pertencia ao MDB e que possui relações com a esquerda do Rio.

Quando era prefeito do Rio de Janeiro pelo MDB, Paes tinha como vice Adilson Nogueira Pires, do PT. Embora estas relações de Eduardo Paes com a esquerda, notadamente o PT, tenham se deteriorado em função do golpe de Estado de 2016 e pela direitização de Paes, que migrou para o DEM, o fato é que ele é um ótimo elemento para a manobra da Frente Ampla, uma vez que é notoriamente um oportunista e um homem de confiança dos grandes capitalistas. Curiosamente, na época do golpe, Freixo e o PSOL atacavam ininterruptamente o MDB acusando-o de ser o partido mais corrupto do universo, e no entanto a desistência de Freixo favoreceu justamente Eduardo Paes, que agora pertence ao DEM, partido ainda mais direitista do que o MDB.

Assim, Eduardo Paes torna-se o candidato ideal da direita para derrotar Marcelo Crivella (Republicanos), que hoje aparece ligado a Bolsonaro. O bispo Crivella acabou se elegendo em 2016, derrotando Marcelo Freixo, que na época recebeu o apoio da própria Globo. Conforme se sabe, Crivella é ligado à emissora de televisão Record, rival da Globo. Além disso, Crivella entrou em conflito com outros setores da burguesia, como no caso da LAMSA, que administra o pedágio da Linha Amarela. Vemos de forma cristalina como funciona a Frente Ampla no caso do Rio de Janeiro: trata-se de eleger um candidato do “Centrão”, isto é, da direita tradicional, com o apoio da própria esquerda, contra o candidato da extrema-direita. O medo da “popularidade” de Bolsonaro fará com que, diante da fragmentação das candidaturas de esquerda e da escolha entre Crivella e Paes, a esquerda apoie Paes. Já no caso de São Paulo, caso o PT não consiga ir para o segundo turno ou mesmo caso chegue enfraquecido, a reeleição de Covas se dará sem maiores dificuldades.

Eleições: um beco sem saída

Finalmente, é preciso repetir incansavelmente que o Brasil vive sob um golpe de Estado dado em 2016, que derrubou Dilma, prendeu Lula e “elegeu” Bolsonaro, e que esse golpe segue se aprofundando. As eleições municipais de 2016 e ainda mais as nacionais e estaduais de 2018 já demonstraram que não há nenhuma perspectiva para a esquerda no terreno das eleições, o que certamente irá se ampliar ainda mais agora em 2020. A única saída não só para a esquerda, mas para o povo brasileiro e as suas organizações é a mobilização real dos trabalhadores nas ruas. As eleições municipais deste ano devem ser marcadas pela palavra de ordem de “Fora Bolsonaro e todos os golpistas” e “Eleições gerais já”!

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