Saldo é crítico
Acumulado da semana revela uma profunda queda nos mercados. Projeção após metade do mês terminado é de crise ainda mais profunda.
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Pânico nas bolsas só aumenta enquanto crise escala. Foto: Reprodução |

Depois de uma semana infernal, as bolsas de valores das principais praças financeiras do mundo encerraram a sexta feira 13 com crescimentos maiores ou menores em relação à quinta-feira. É o caso dos EUA, onde o índice Dow Jones registrou alta de 9,36%. Na Europa, a Itália encerrou o pregão com alta de 7,12%, a Inglaterra com 1,65%, Espanha, 1,57%, Portugal, 0,83%, Alemanha, 0,77% e França, 0,26%. Seguindo o resto das bolsas do Velho Mundo, a bolsa pan europeia também registrou aumento muito discreto, 1,43% no índice Stoxx Europe 600. Entre as nações imperialistas, a principal exceção acabou sendo a bolsa japonesa, onde o índice Nikkei encerrou as operações diárias com forte queda de -6,08%. No Brasil, a B3 acompanhou a bolsa americana, fechando com alta de 13,84%.

Os números parecem sugerir uma melhora, e a imprensa capitalista tratou de celebrar a notícia de maneira acrítica, sugerindo inclusive uma queda no preço do dólar, omitindo apenas que no dia 6, a moeda americana fechou o pregão da bolsa brasileira cotado a R$4,62. As notícias vindas dos bancos centrais imperialistas levou a imprensa a comemorar recuo do dólar para R$4,68 porém a subida logo foi retomada e a moeda americana fechou o último dia útil da semana em R$4,85, alta de 1,25% em relação ao dia 12 e 4,97% no acumulado da semana. E é justamente no acumulado que a situação muda drasticamente.

Nas bolsas, a elevação do volume de negócios se deu sobretudo a partir das 16h (no horário de Brasília), quando o mandatário norte americano, Donald Trump, fez pronunciamento decretando estado de emergência nacional e anunciando um pacote de US$50 bilhões (não vamos aqui entrar no mérito da gigantesca desproporção entre US$1,5 trilhão aos capitalistas e US$50 bi para que população não seja dizimada). Após o pronunciamento, as bolsas que operavam quase paradas passaram a registrar elevação na atividade contudo, esta só se confirmou na bolsa americana. Logo, as bolsas europeias voltaram ao patamar que vinham apresentando. Ainda mais importante, mesmo o salto verificado ao final da tarde da última sexta feira, não impediu uma semana caótica nos mercados financeiros.

As bolsas de todos esses países terminaram com um saldo semanal profundamente negativo. Na Itália, o país mais atingido pelo coronavírus, o acumulado da semana foi de -23,30%. Após a Itália, a maior perda foi a da Espanha, com -21,53%, seguida por França, -20,23%, Alemanha, -20,01%, Portugal ,-17,86%, Inglaterra, -17,62%, Japão -15,99%, Brasil, -15,63% e finalmente, os EUA perderam -10,36%. Cumpre destacar ainda que ao final da segunda semana de março, o balanço mensal aponta para uma situação ainda mais periclitante, onde a média dos 8 países imperialistas é de -29,84%, enquanto a bolsa brasileira apresenta uma parcial de -27,72%.

A crise envolvendo os mercados financeiros precisa ser acompanhada com atenção por parte da vanguarda proletária, a demora dos governos capitalistas em tomar medidas sérias apontam com muita clareza para o impasse que esses regimes se encontram, na medida em que a situação crítica obriga uma série de investimentos, o que rivaliza com a necessidade da burguesia dos aportes de dinheito público para sustentar as loucuras cometidas pela política econômica deles, e também uma paralisia da atividade econômica, sob a qual se sustenta a jogatina da especulação financeira. Toda a conjuntura aponta para um enorme conflito de interesses, que tende a se manifestar de maneira muito contundente com a crise, que é bom lembrar, está apenas começando.

Os mercados abriram esta segunda-feira (16) em uma intensa queda. A Bolsa de Nova Iorque despencou 10% e a Bovespa desaba 13% no momento em que esta matéria é publicada. Nesse ritmo, esta segunda será o pior dia para as bolsas de valores desde o início da crise financeira de 2020.

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