Sem reação
Em meio a crise do coronavírus e a paralisia da esquerda, capitalistas tem caminho livre para atacar os trabalhadores com corte de salários e demissões
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Desempregados no Vale do Anhnagabaú, em São Paulo 07/2019. Foto: reprodução Folha de São Paulo |

Desde que a pandemia do coronavírus começou a afetar o país, milhões de empregos foram extintos. A pandemia, neste sentido, apareceu como uma desculpa perfeita para os capitalistas iniciarem mais uma ofensiva contra os trabalhadores, com o objetivo de fazê-los pagarem pela contra da irreversível crise capitalista.

O governo golpista aprovou, desde o início, a redução dos salários, bem como a suspensão dos contratos de trabalho. Junto a isso vieram as demissões, milhões de contratos foram extintos ou suspensos – uma manobra para que os empresários demitissem os trabalhadores sem ter que pagar a eles tudo o que lhes é de direito.

Nesta semana, anunciou que mais de 1 milhão e 500 mil trabalhadores já solicitaram o seguro-desemprego. Ao mesmo tempo, a Petrobras – principal empresa brasileira, sendo liquidada por dentro sob o controle dos golpistas – anunciou a hibernação de várias unidades no Nordeste, o que pode chegar a 5 mil demissões.

Na iniciativa privada o panorama é pior. A Stone, empresa de máquinas de cartão, demitiu 20% dos seus funcionários. Segundo dados do próprio Ministério da Economia de Bolsonaro, divulgadas nesta segunda (11), mais de 7 milhões de trabalhadores tiveram salários e jornada reduzidos após a pandemia de coronavírus.

Como se não bastasse, após a pandemia também se intensificaram os ataques aos servidores. Através da ideia propagada pela imprensa burguesa de que “eles precisam ajudar a pagar a conta”, o governo aprovou a redução também dos seus salários. Obviamente que isso é pura demagogia, não recaiu sobre os juízes e militares, mas sim sobre os professores e servidores da saúde, por exemplo.

Enquanto isso, a grande maioria dos sindicatos seguem fechados para os trabalhadores. Vários deles cedidos aos governos direitistas sob o pretexto de “união de todos contra o coronavírus”. Essa postura é um equívoco completo, que já está resultando num caminho aberto para a burguesia atropelar os trabalhadores com seu caminhão de medidas privatistas e patronais.

Os capitalistas utilizam a pandemia como motivo para as demissões em massa e encontram na paralisia política das direções sindicais – que mantém os sindicatos fechados neste momento – um aval para essa política. Portanto, as direções sindicais têm o dever de se opor frontalmente a isso, sob o risco de se anularem completamente como direções do movimento operário e se tornarem mero apêndice patronal, como bem claro no exemplo da Força Sindical.

Contra essa capitulação, é preciso mobilizar os trabalhadores, que neste momento estão lançados à sua própria sorte, abrir os sindicatos e utilizá-los como quartéis generais da luta pela sobrevivência dos trabalhadores neste momento de crise total. Sem isso, os patrões aprofundarão seus ataques e utilizarão as digitais dos dirigentes sindicais para anular qualquer reação.

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