Genocídio em marcha
Após mais de um mês em que o coronavírus começou a se espalhar pelo país, a burguesia insiste em não testar a população
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, durante pronunciamento no Palácio do Planalto
Presidente ilegítimo Jair Bolsonaro ao lado do ministro da saúde Nelson Teich. Foto: Agência Brasil |

Na edição de ontem deste diário, publicada no dia 23 de abril, elegemos a seguinte declaração, dada pelo demógrafo Tim Riffe, como a frase do dia:

Qualquer número relatado em um determinado dia será uma subestimação grosseira.

A constatação, válida, de maneira geral, para as estatísticas de qualquer país atingido pelo novo coronavírus, é, sobretudo, um lema para a situação brasileira: ninguém tem a mais remota ideia da quantidade real de afetados pela pandemia. Isso, por sua vez, é resultado direto de uma política muito bem definida por parte de toda a burguesia de conjunto: ao povo, até mesmo o direito de fazer exames está sendo negado.

O que parece absurdo é a mais escancarada realidade. Os pretensiosamente cientistas, verdadeiros charlatões de primeira linha, que estão hoje, no Ministério da Saúde do governo Bolsonaro, saem a público diariamente para contar dezenas de mortes registradas em um dia, milhares de casos registrados em uma semana, quando, na verdade, ocultam a todos qual é o critério para que alguém seja, de fato, testado para confirmar seu diagnóstico.

Sem testes, qualquer política anunciada para o combate à pandemia se converte em pura demagogia. E demagogia, entendam, não simplesmente como os típicos golpes eleitorais para que o vigarista-mor vença os vigaristas amadores, mas sim uma cobertura para um massacre sem precedentes da população; Ora, se não há testes, não se sabe quantas pessoas estão doentes, nem quantas estão morrendo; quantos hospitais precisam ser construídos, quantos equipamentos médicos precisam ser comprados, quantos remédios precisam ser fabricados, quais pessoas precisam ser isoladas, quais locais de trabalho precisam ser fechados… Põe-se, como critério para a ação do governo, não as demandas mais urgentes da população, mas sim os interesses da burguesia para manter seus negócios em ordem.

Se até hoje, o governo Bolsonaro optou por abandonar totalmente a população em relação aos testes, a burguesia vem revelando, por meio de sua imprensa. que a situação não deverá mudar em absolutamente nada. O novo ministro da saúde Nelson Teich, por meio da típica enrolação tecnocrata do neoliberalismo, em sua primeira coletiva de imprensa, já abriu o jogo e deixou claro que o teste em massa não será prioridade em sua gestão:

Na verdade, o que importa não é você testar. O que importa é como é que você conduz de acordo com o que você tem a partir do teste.

Outro caso que reflete a política da burguesia de negar testes é o do governador de São Paulo, o fascista João Doria. O mais populoso estado do país estaria, segundo a Folha de S. Paulo, fazendo o esforço de realizar 8 mil testes por dia. Neste ritmo, demoraria um pouco mais de 4 anos para que todos os paulistas fossem testados…

Ao todo, o Brasil teria, até o momento, testado 2,5 milhões de pessoas, contrariando a promessa de testar 4 milhões de pessoas. Da mesma forma, se forem testadas 2,5 milhões de pessoas a cada mês, o país demorará mais de 7 anos para testar toda a sua população. Considerando, obviamente, que quem for testado em um mês, poderá, no mês seguinte, ser infectado.

Os dados mostram, de maneira indiscutível, que o interesse do governo Bolsonaro é fingir que não há coronavírus: quanto menos teste, menos números oficiais de mortes e, portanto, menos o Estado será forçado a investir na assistência básica da população em geral. Uma política que, para encher os cofres dos capitalistas, transformará o país em um enorme cemitério.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas