Fome e miséria
Com o fim do auxílio emergencial pelo governo Bolsonaro, a situação dos trabalhadores tende a se agravar muito e trazer o fantasma de viver o período de FHC
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FHC
Fernando Henrique Cardozo | Foto: reprodução
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Fernando Henrique Cardozo | Foto: reprodução

Neste final de 2020, encerrou a prorrogação do chamado “auxílio emergencial” e o governo Bolsonaro anunciou que não haverá prorrogação e que nenhuma família mais vai receber esse importante recurso devido a crise econômica agravada pela pandemia de coronavírus.

A crise econômica mundial se agrava e no Brasil vem tomando dimensões muito preocupantes devido à política da direita após o golpe em 2016 de entregar setores importantes da economia nacional. Além da crise econômica, a direita tratou de atacar os trabalhadores e a população como uma maneira de reduzir os prejuízos da burguesia, como por exemplo a reforma da Previdência, reforma trabalhista e uma série de medidas para destruir os direitos dos trabalhadores, gerando uma enorme crise social.

No início do ano, a chegada da pandemia do novo coronavírus no Brasil agravou a crise econômica no país através das medidas de isolamento social, e mesmo que reduzidas afetou a economia, e em consequência vieram milhões de demissões, cortes nos salários e aumento da exploração dos trabalhadores. Essa situação preocupou a burguesia nacional que com medo da uma convulsão social, e mesmo o governo de Jair Bolsonaro sendo totalmente contrário, implantasse um programa que funcionasse como uma maneira de controlar a situação de fome e miséria que se escancarou pelo país. Assim colocaram em prática o chamado Auxílio Emergencial, que no início era de R$ 600,00 e terminou com R$300, para uma parte da população.

Uma medida necessária para conter uma situação explosiva

Como apresentamos acima, os números da pobreza vinham aumentando desde o golpe em 2016. Com a chegada da pandemia milhões de pessoas perderam seu sustento. O auxílio emergencial foi concedido para 48 milhões de pessoas, sendo que grande parte não tinha nenhuma outra fonte de recursos para sobreviver.

Durante nove meses o auxílio foi entregue e o anúncio do seu final nesta terça-feira (29/12) vai jogar milhões de pessoas para abaixo da linha da pobreza de uma hora para outra. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), 17 milhões de brasileiros devem virar 2021 abaixo da linha da pobreza, ou seja, tentando sobreviver com menos de um dólar por dia. Dados do próprio IBRE/FVG mostram que em agosto mesmo com o auxílio emergencial, havia 18,3% vivendo abaixo da linha da pobreza e agora com o fim do auxílio, esse percentual deve subir para 26,2% da população brasileira.

Além dos dados sobre a população, o fim do auxílio emergencial vai agravar ainda mais a situação econômica do país e, consequentemente, trazer mais desemprego e miséria. Isso porque mesmo sendo um valor irrisório, serviu para que a população movimentasse a economia local e manteve o mínimo funcionamento de produtos básicos. O fim do auxílio emergencial vai retirar da econômica cerca de 230 bilhões de reais (dados apresentados pelo próprio Ministério da Economia) que injetava diretamente em compras e garantiam empregos e algum tipo de renda.

A retirada desse programa social repentinamente vai agravar ainda mais a difícil situação econômica do país e trazer o velho fantasma dos governos da direita, como o de FHC de volta para a população.

Assim como nos anos de Fernando Henrique Cardoso

Essa situação econômica traz lembranças para os trabalhadores e da população pobre governos da direita. Em especial do tucano Fernando Henrique Cardoso. O governo neoliberal de Fernando Henrique Cardozo causou uma enorme convulsão social devido a pobreza extrema que foram colocados boa parte dos trabalhadores brasileiros em decorrência de sua política econômica.

Os dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, afirmava que em 1998, 33,4% da população brasileira vivendo na pobreza. EM 1999 ano passado, o percentual de pobres subiu para 34,9%, um total de 54,1 milhões de brasileiros. E esse número somente crescia. Em 2002, último ano do segundo mandato de FHC, havia cerca de 46 milhões de pessoas de miséria absoluta, ou seja, pessoas que vivem com menos de U$ 1,00 por dia. Para se ter uma ideia a população brasileira em 2002 era de 179,5 milhões de pessoas, ou seja, o país vivia numa situação deplorável.

Cálculos do próprio governo afirmavam que no final do Governo de Fernando Henrique Cardoso, 300 crianças morriam de desnutrição todos os dias. Período que economistas progressistas apelidaram de “década perdida”. A taxa de desemprego cresceu 38% nos quatro anos do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, passando de 6,5% para 9,0% da População Economicamente Ativa (PEA) e se agravou ainda mais chegando a 12,3% no último ano de seu governo. A pobreza cresceu muito, saques a supermercados e a fome dominavam o cenário nacional, situação que criou uma convulsão social onde a burguesia entrou em acordo com governos petistas para que o regime político não fosse abaixo.

A pobreza e miséria existiram no Brasil, mesmo nos governos petistas, mas a retirada do auxílio emergencial vai levar novamente o país a essa situação ficar escancarada e trazer uma convulsão social entre a população brasileira.

O cenário para 2021 é similar ou até pior aos anos de FHC. O fim do auxílio emergencial agravado pela política econômica de total submissão ao imperialismo e de destruição da economia nacional vai levar a aumento do desemprego, aumento dos preços dos alimentos e de outros produtos básicos, cortes de direitos dos trabalhadores e uma ‘enxurrada’ ainda maior de dinheiro público para o caixa dos bancos e da burguesia nacional.

E é importante lembra que essa situação ainda fica mais grave com a crise sanitária que estamos vendo, onde não se faz nada para combater o coronavírus e sequer há seringas e agulhas suficientes caso seja liberada algum tipo de vacina contra a COVID-19.

Essa situação não irá melhorar e a esquerda não pode esperar “passar” a pandemia ou aguardar a vacina para começar a lutar porque o preço para os trabalhadores será ainda mais custoso. É preciso mobilizar os trabalhadores para derrubar o governo Bolsonaro e não se alinhar com a direita golpista e que foi responsável pela chegada de Bolsonaro a presidência como também foi responsável por períodos de miséria absoluta da população brasileira como vimos acima.

É preciso combater a frente ampla, que é a continuidade do golpe, denunciar o centrão como golpistas e “pai” de Bolsonaro e mobilizar os trabalhadores para derrubar Bolsonaro e exigir novas eleições com Lula candidato.

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