Fome e Desemprego em 2021
As perspectivas dos trabalhadores brasileiros apontam para crescimento do desemprego, da miséria e da fome em 2021
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Distribuição de alimentos pelo MST no Paraná | Foto: Ednubia Ghisi e Regis Luís Cardoso.

O fim do auxílio emergencial vai aumentar a fome no Brasil em 2021. No início deste anos, pressionado pela disparada no crescimento da miséria e do desemprego, o governo teve que criar em abril o pagamento emergencial que acabou atingindo diretamente 68 milhões de pessoas. Primeiro no valor de R$ 600 e a partir de setembro em R$ 300. Uma migalha, mas que tirou milhões de famílias da situação de fome. Quase o mesmo contingente ficou de fora, mas acabou se beneficiando indiretamente, quer pela dinamização econômica em municípios pequenos e nas periferias das grandes cidades, quer pela solidariedade.

Para o economista Fernando Nery, colunista do jornal O Estado de S.Paulo, “o auxílio emergencial transferiu, em nove meses, o mesmo volume de recursos que o Bolsa Família transferiu em dez anos”, R$ 275 bilhões foram aplicados no período. (G1,17/12/20)

Ao perceber que o auxílio emergencial impactou na opinião pública favorável ao governo golpista, tentou-se transformar o auxílio em um programa permanente de transferência de renda, que teve o nome provisório de Renda Brasil, mas conflitos internos com o grande capital acabou levando ao fim dessa tentativa.

Parece muito falar em R$ 275 milhões, mas é bom lembrar que em março os bancos receberam R$ 1,2 trilhão para melhorar o crédito para a empresas. Eles receberam mas não emprestaram. Em vez de devolver isso, os bancos foram agraciados com medidas para facilitar o crédito, fazendo com que o governo assumisse o risco dos contratos. (Auditoria Cidadã, 1/7/20)

Depois de mais de uma década em declínio, a fome voltou a crescer no país com o golpe. Em 2014 o país saiu do Mapa da Fome, criado pela FAO/ONU. Mas entre meados de 2017 e meados de 2018 10,284 milhões de pessoas se agregaram ao contingente de pessoas que passam fome e vivem na miséria (Valor Econômico, 17/9/20). E Conforme os dados da Pnad Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, 13,88 milhões de brasileiros viviam na pobreza extrema. (BBC, 11/10/20)

Fonte:IBGE

 

A extrema pobreza, caracterizado por pessoas que tem renda menor que 1 dólar por dia, estava em 6,5% da população (foi 4,9% antes do golpe em 2015), e afetava mais da metade dos nordestinos e 39,8% das mulheres pretas ou pardas. (Brasil de Fato, 12/11/20)

A ano de 2021 promete a tempestade perfeita em cima da cabeça da classe trabalhadora brasileira. O desemprego continuará nas alturas e a fome vai atingir em cheio as pessoas que deixarão de receber o auxílio emergencial e que não estão no Bolsa Família. A taxa de desemprego oficial (que sempre foi muito aquém da realidade) está em 14,6%, sendo que é de 12,8% para os homens e 16,8% para as mulheres e 31,4% para a juvendude. O drama da população trabalhadora é melhor identificado quando se observa nas estatísticas oficiais que menos da metade da população (47,1%) está ocupada. A maioria da população trabalhadora está desempregada ou em empregos com poucas horas (bicos) onde estão 33,2 milhões. As pessoas que estão se virando como trabalhadores por conta própria chegam a 26,4%. (G1, 27/11/20)

Um raciocínio ingênuo faz imaginar que os capitalistas estão em maus lençóis já que não há consumidores para os seus produtos. Contudo, a realidade não é bem assim. Os grandes capitalistas e os banqueiros estão felizes. Os donos de mercearias não contam como capitalistas. A atual situação de desespero da classe trabalhadora é o que os capitalistas estavam procurando, isso faz com que os salários diminuam e a briga por postos de trabalho enfraquece a luta sindical. Com os trabalhadores fracos, aumentam os lucros dos capitalistas. Especialmente do capital que tem sido beneficiado mais fortemente pelo golpe.

O capital financeiro tem se beneficiado diretamente por transferências que são feitas para assegurar aos bancos uma rentabilidade das maiores do mundo. O orçamento público continua submetido à prioridade do pagamento de juros. Como vimos antes, no início da crise da pandemia, R$ 1,3 trilhão foram transferidos para o caixa dos bancos, depois quase esse valor foi autorizado para o Banco Central comprar títulos podres que estavam desde a crise de 2008 em poder dos bancos, sem falar na remuneração do caixa dos bancos pelo Banco Central e outras medidas que favorecem transferências ao mercado financeiro por meio de institutos de dívidas que aumentam muito as taxas de juros e dão garantias contra perdas.

Os grandes produtores de matérias primas e produtos agrícolas, mesmo com a crise mundial, que reduziu importações, acabaram mantendo altas taxas de lucro e grande rentabilidade por conta da desvalorização da moeda nacional. De 2007 para cá, o dólar teve uma valorização de 200% em relação ao real. Isso significa, no mínimo o triplo de lucro para os exportadores, que recebem em dólar e trocam por real. Em 2020 a perda do real foi de 40%. Como quase todos os preços internos estão atrelados ao dólar, gasolina, energia e alimentos, os consumidores trabalhadores tiveram um prejuízo lascado com essa situação.

Com a avanço da crise capitalista mundial nos próximos anos, isso pode se alterar, mas não de forma drástica. O que está acontecendo no Brasil desde o início do processo do golpe e em alguns casos desde muito antes (como a desindustrialização) vai continuar de forma acelerada: privatização com venda do que ainda resta de empresas estatais, desnacionalização da economia, enfraquecimento institucional do Estado e destruição de direitos dos trabalhadores (com aumento da violência policial e de milícias contra os trabalhadores).

O governo sabe que o apoio que recebe do grande capital internacional, o que garante o apoio do Judiciário e de parte do Legislativo, depende de sua capacidade em entregar aos capitalistas o que tem sido prometido pela agenda neoliberal do golpe de 2016, especialmente a privatização, a quebra dos direitos dos trabalhadores e, se possível a entrega da previdência para o capital privado (como foi no Chile da ditadura). Enquanto o governo estiver fazendo isso e conseguindo desmobilizar a classe trabalhadora, receberá o apoio dos grandes capitalistas nacionais e internacionais.

A subordinação da pauta econômica e política é tamanha que o Senado Federal nesta semana o o Projeto de Lei (PL) 2.963/19, de autoria do senador Irajá (PSD/TO) que autoriza a compra de terras brasileiras por estrangeiros, pessoa física e jurídica, de até 25% do território dos municípios. Uma coisa que até a ditadura militar não teve coragem de fazer. Ao capital internacional, por esse projeto, será garantida a posse da terra, enquanto que os trabalhadores têm sido tratados com violência e com uso de grupos paramilitares como vimos na Comunidade Porta da Amazônia, no Araguaia (MT) nos últimos dias.

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