Com o fim da intervenção no Rio, Exército usa Roraima como novo laboratório para o golpe militar

edit_vac_20181208_2183

Os golpistas semestral cada vez mais dispostos a utilizarem os militares e demais aparatos de repressão contra os trabalhadores e a população em geral. A classe operária tende a se rebelar à medida que seus direitos e conquistas vão sendo retirados para atender os interesses dos grandes capitalistas em crise, especuladores financeiros, monopólios e banqueiros. A burguesia, sabendo da reação dos trabalhadores, tem partido para uma contraofensiva, pondo em prática a intervenção militar no Rio de Janeiro, mantendo o ex-presidente Lula na cadeia, impulsionando a extrema-direita e favorecendo a chegada de Bolsonaro à presidência através de uma enorme manipulação política e de um processo eleitoral fraudulento. Todas essas ações têm por objetivo garantir que os planos da classe dominante tenham êxito e também dizimar o movimento operário.

Assim, o presidente golpista e ilegítimo Michel Temer editou um novo decreto na última quinta (dia 27/12), convocando pela quarta vez o emprego das Forças Armadas no estado de Roraima, para atuarem na chamada “Garantia da Lei e da Ordem (GLO)”. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União, nessa sexta-feira, dia 28, e a alegação que justificou o decreto foi uma possível “necessidade de atuação do Exército na proteção e coordenação dos abrigos para os imigrantes venezuelanos”.

Por sinal, uma situação semelhante foi usada como pretexto para iniciar a intervenção militar em Roraima. Em 18 de agosto, cerca de 1.200 venezuelanos foram expulsos da cidade de Paracaima, principal porta de entrada dos imigrantes vindos da Venezuela, após terem sido alvos de um violento protesto por parte de moradores locais. Dez dias depois, foi publicada a primeira GLO.

Desde então, ela já foi prorrogada três vezes. Nos dois primeiros decretos, foi incumbido ao Exército atuar com poder de polícia na fronteira com a Venezuela, ao norte, e com a Guiana, ao leste, e nas rodovias federais.

Portanto, de acordo com o decreto que foi publicado em outubro, as Forças Armadas deveriam intervir no estado até a próxima segunda-feira, dia 31. No entanto, a intervenção militar foi prorrogada mais uma vez, valendo até 31 de março do ano que vem.

A insistência em manter as forças de repressão agindo em Roraima é uma manobra dos golpistas e das Forças Armadas para garantir o treinamento e aprimoramento das ações do Exército. Depois de estarem no Rio de Janeiro, Roraima é o novo “laboratório” dos militares, cuja meta é se prepararem para que, caso a revolta popular for tamanha a ponto de sair do controle dos golpistas, eles consigam intervir em escala nacional realizando um golpe militar.

Este Diário tem denunciado continuamente as chamadas “aproximações sucessivas dos militares”, que têm se preparado desde 2017 em torno da possibilidade de um golpe militar aberto. Lembrando que as Forças Armadas têm estado por trás do Golpe que derrubou a Dilma e da prisão do ex-presidente Lula, além da impugnação de sua candidatura, que favoreceu a vitória de Bolsonaro nas eleições.

Por isso, só através de uma ampla mobilização popular, denunciando o Golpe, a conspiração dos militares contra o povo e a fraude das eleições, será possível impedir mais um duro ataque a toda a população e aos trabalhadores.