Ditadura à vista
Apoiado pelas gigantes da tecnologia, a imprensa burguesa e a indústria da guerra, o governo democrata terá como prioridade combater o povo, sob o pretexto do “terrorismo”
Soldados no capitólio
Soldados da Guarda Nacional no Capitólio, em 12/01/21 | Stefani Reynolds/Getty Images
Soldados no capitólio
Soldados da Guarda Nacional no Capitólio, em 12/01/21 | Stefani Reynolds/Getty Images

Eleito pela fraude eleitoral, o governo de Joe Biden (Partido Democrata), assumiu na quarta (20) a presidência dos Estados Unidos da América (EUA) com o objetivo declarado de combater o que classificou como “terrorismo doméstico”.

A forma que fará isso já foi inclusive anunciada: uma nova lei antiterror, uma espécie de segunda lei patriótica. Se aprovado, este novo instrumento jurídico resultará num fechamento do regime ainda pior do que o visto há 20 anos, durante a Guerra ao Terror promovida pelo governo do republicano George W. Bush.

 

Trump e Biden

 

O que preocupa em Joe Biden não é propriamente nenhuma característica peculiar do seu discurso, mas sim o apoio majoritário que ele recebe do imperialismo norte-americano.

Enquanto Trump falou inúmeras coisas que não conseguiu nem de longe cumprir, dada suas contradições com o regime. Biden, ao contrário, foi apoiado pelas principais empresas monopolistas dos EUA. Gigantes da tecnologia como Google, Apple, Microsoft, Facebook, Twitter, contribuíram diretamente para o financiamento da sua campanha ou posse, bem como atacando e censurando Trump e seus apoiadores durante a corrida eleitoral.

A imprensa imperialista norte-americana foi outro setor que apoiou Biden com entusiasmo. Em determinado momento da disputa eleitoral no ano passado, vários canais de TV aberta, como MSNBC, CBS, CNDC, NBC e ABC, cortaram a transmissão ao vivo do discurso presidencial de Trump, que acusava os democratas de tentativa de fraude e roubo nas eleições.

 

“Guerra ao terror” em solo americano

 

A lei antiterrorismo doméstico que Biden quer será uma espécie de reedição da lei patriótica aprovada no governo de George W. Bush. O ex-presidente republicano, que apoiou Biden, utilizou o argumento do 11 de Setembro para lançar uma ofensiva contra outros países, o que resultou, por exemplo, na invasão americana no Iraque, um verdadeiro genocídio.

Na época, a lei de Bush inaugurou uma era de vigilância mundial, que resultou na destruição de direitos e garantias fundamentais de toda a população. Caso alguém fosse enquadrado na lei patriótica, automaticamente todos os seus direitos eram revogados e o cidadão ficaria completamente a mercê da maior máquina de repressão mundial: o governo imperialista norte-americano.

A diferença de Biden para Bush, é que o republicano utilizou o “terrorismo mundial” como pretexto para espionar, combater e invadir outros países, como o Iraque. Já o democrata vai utilizar a lei antiterror para o “terrorismo doméstico”. Desta vez o foco será o “inimigo interno”, ou seja, a própria população!

Nem precisa ir muito longe para imaginar o que significará isso. Com base na lei patriótica de Bush, o governo Obama, que tinha Biden como vice, espionou governos, como o brasileiro (vide invasão do email da presidenta Dilma, denunciado por Snowden) e promoveu golpes de Estado em todo o mundo.

 

Ditadura

 

Aplicar uma lei assim contra sua própria população só poderá resultar num governo devastador, repressivo para a população mundial, uma vez que se os próprios americanos serão considerados inimigos em potencial, quem dirá como os EUA tratarão o resto da população mundial e os países estrangeiros. Será um estado de sítio permanente!

Não é por acaso que o jornalista Glenn Greenwald publicou um artigo alertando que a nova guerra doméstica ao terror está chegando. Ele diz que nas últimas semanas teve início uma “onda” de novos poderes ao aparato de repressão dos EUA em nome da luta contra o “terrorismo”. Segundo ele, trata-se de um cópia da Guerra ao Terror iniciada há cerca de 20 anos no governo Bush, o problema é que após os protestos de 6 de janeiro no Capitólio, ela está se intensificando.

Numa reportagem de denúncia contundente, o jornalista norte-americano, naturalizado brasileiro, chama a atenção para o que considera “uma orgia de censura dos monopólios do Vale do Silício”. Ele se refere ao fato das gigantes empresas monopolistas da tecnologia, como Google, Apple, Amazon, Facebook e Twitter lançaram-se na última semana numa campanha pelo aumento da repressão, reproduzindo acusações de Biden, que acusou membros do Congresso e cidadãos de “sedição”, “traição” e “terrorismo” pelo protesto que ocupou o Capitólio.

O jornalista denunciou que isso veio acompanhado de uma nova interpretação do que seria “incitação à violência” e de um intenso trabalho da imprensa e nas redes sociais para que os cidadãos trabalhem voluntariamente para o FBI como delatores – “veja algo, diga algo” – no que seria uma novo sistema de vigilância doméstica, de todos contra todos.

Desta forma, todos que questionem qualquer um destes aspectos absurdos do desenvolvimento do regime para uma ditadura, serão considerados como simpatizantes dos supostos terroristas e sua ideologia nazista de supremacia branca. Ou seja, quem questionar automaticamente será considerado suspeito e poderá ser enquadrado na lei antiterror.

O episódio da invasão do Capitólio é uma prova da denúncia acima. Apoiadores de Trump ocuparam o Congresso dos EUA, ou seja, a “casa do povo”, para protestar contra a nomeação de Joe Biden, que eles consideraram (corretamente) eleito de forma fraudulenta. Cidadãos protestarem para denunciar o que consideram ilegal ou ilegítimo é a base de qualquer regime democrático. Foi exatamente o que houve nos protestos contra Biden no Catpirólio. No entanto, o imperialismo utilizou isso como se fosse terrorismo, uma desculpa para a repressão generalizada, como fica claro no que Biden disse à imprensa.

Segundo o Wall Street Journal, o

“Sr. Biden disse que planeja priorizar a aprovação de uma lei contra o terrorismo doméstico e foi instado a criar um posto na Casa Branca para supervisionar a luta contra extremistas violentos de inspiração ideológica e aumentar o financiamento para combatê-los.”

Ou seja, o próprio Biden já deixou claro qual será a prioridade do seu governo: combater a população que se revoltar contra o regime!

Isto ocorre porque Biden será o governo do setor principal da burguesia norte-americana, ou seja os monopólios que controlam os setores fundamentais da economia capitalista, como as gigantes da tecnologia e a imprensa burguesa. O que fica claro num dado importante levantado por Greenwald:

“Há pessoas no YouTube, por exemplo, que têm uma audiência maior do que as pessoas da CNN diurna”

(Alex Stamos, ex-oficial de segurança do Facebook)

Ou seja, é preciso combater a liberdade de expressão que a internet proporcionou à população e que, nos EUA, causou uma crise enorme dentro do próprio regime, permitindo que um elemento como Trump se tornasse um catalisador da revolta de um amplo setor da população norte-americana contra o regime imperialista. Logo, Biden é um governo do grande capital e pela circunstância que foi colocado no poder, caso aprove as medidas que anunciou, fechará o regime numa verdadeira ditadura contra o povo.

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