Exclusão social
O “salto de cinco anos em seis meses” para a expansão do EaD, um sistema elitista e falho
EAD é uma farsa
Sem acesso a internet e a computador, mãe ensina filhos no chão de casa, em favela de Rio Preto | Foto: gettyimages
EAD é uma farsa
Sem acesso a internet e a computador, mãe ensina filhos no chão de casa, em favela de Rio Preto | Foto: gettyimages

O Censo Escolar 2021 aponta que apenas 35,6% das escolas de Ensino Fundamental têm acesso à internet, isso expõe os limites e extrapola a desigualdade social em relação ao EaD (Ensino à Distância).

Lugares onde o saneamento básico é escasso e a presença do poder estatal é precária ao atendimento nos setores de saúde e segurança; a internet, indispensável ao ensino remoto, mais parece um sonho e, quando realidade, a qualidade de seus serviços é insuficiente.

Quase 40% dos alunos da rede pública não têm computador em casa, e somente 14% das escolas públicas mantém algum tipo de plataforma online para aprendizagem. Esses dados apontam as dificuldades que se refletem na educação durante o período de pandemia. A infraestrutura tecnológica e o acesso à internet pelos estudantes das escolas públicas e privadas, em áreas urbanas e rurais é gritante; nas escolas particulares apenas 9% dos alunos não possuem computadores ou tablets em casa.

Apesar de a grande imprensa burguesa dos meios de comunicação propagar o “salto de cinco anos em seis meses” para a expansão do Ead, este continua sendo um sistema elitista e falho. No país existem 12 milhões de analfabetos absolutos, 38 milhões de alfabetizados funcionalmente (os que sabem escrever o próprio nome), e 47% das famílias chefiadas por mulheres, em sua maioria pobres e com muitos filhos – neste contexto, se tratando de Brasil, o mecanismo em questão acaba sendo mais violento na realidade dos mais pobres, excluindo 70% das crianças.

As desigualdades se ampliam devido à qualidade da conexão e aos limites de transferência de dados – 55% dos acessos móveis no país são pré-pagos e, boa parte dos usuários pós-pago são clientes que usam algum plano “controle”, com limite bem restrito ao tráfego de dados. Há ainda outros limites a serem levados em consideração: o equipamento em casa compartilhado com três ou mais pessoas e, a falta de acessibilidade de muitas plataformas para pessoas com deficiências.

Na verdade o oferecimento da Educação a Distância é mais uma entre tantas políticas de cunho burguês que pretendem manter o status quo de uma sociedade forjada no antagonismo e exploração de uma classe pela outra. Os números aqui expostos sobre esse aparato tecnológico já nos mostram a farsa do projeto e a gradativa aniquilação da educação e mecanismos que impede boa parte da população mais pobre ter acesso a ela.

É preciso barrar o uso do Ead e lutar pela suspensão das aulas remotas e/ou presenciais imediatamente, até que todos os estudantes estejam devidamente vacinados. Combater essa política excludente e genocida com o Fora Bolsonaro e todos os golpistas é defender uma educação verdadeiramente inclusiva e amplamente democrática para o povo brasileiro.

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