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O relatório de Conflitos no Campo Brasil 2018 lançado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), na última sexta-feira (12), indica que dentro dos 964 conflitos agrários registrados no ano passado, 482 mulheres foram vítimas de violência. Esse número tem um aumento de 377% em relação aos dados de 2017, deixando clara a intensificação da politica fascista de violência contra a esquerda em geral, especialmente no campo. A contratação de jagunços e pistoleiros pelos latifundiários para assassinarem militantes da luta pela terra é uma realidade conhecida cuja intensidade aumenta conforme a opção pelo fascismo se generaliza nos diversos setores da burguesia. Assim, quem é mais oprimido tende a sofrer mais, como é o caso das mulheres.

Ao mesmo tempo em que é responsável pelo cuidado dos filhos e da casa, a mulher também é preterida no mercado de trabalho e na obtenção de auxílios para a produção agrícola, dado o caso das camponesas. De acordo com o relatório, as mulheres enfrentam mais restrições do que os homens no acesso à água, à titulação das terras, ao crédito rural, à assistência técnica e à compra de sementes. Fora isso, ganham salários mais baixos que os homens para as mesmas funções, também estando em maioria entre os serviços não informais e entre os não remunerados.

A carga desses confrontos recai com mais força em cima das camponesas, entre outros motivos, por elas representarem o centro da família e do cuidado com as crianças. “Elas, ao verem destruído o local de sua habitação e trabalho, carregam consigo a dor e a angústia das crianças que estão sob sua responsabilidade”, afirma o relatório.

Dessa forma, o conflito social tende a levar as mulheres à luta, como na ocupação da fábrica da Nestlé em São Lourenço (MG) realizada por centenas de camponesas devido a luta contra a privatização das águas da região. Na situação, 400 mulheres foram detidas. Em 2018, foram registradas duas mortes, seis tentativas de assassinato e 36 ameaças de morte contra mulheres do campo. Além disso, foram registradas agressões e torturas contras mulheres, inclusive, grávidas.

A mulher, portanto, é a maior atingida na política de perseguição aos movimentos sociais, a violência no campo e a política de terra arrasada impetrada pelo governo golpista eleito pela fraude de Jair Bolsonaro. Dessa forma, está na ordem do dia a organização dos comitês de autodefesa e os comitês de luta contra o golpe com a finalidade de conter essa ofensiva crescente a esquerda brasileira, em especial, contra as mulheres.

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