Menu da Rede

Relator da privatização dos Correios é aliado do PCdoB

Trabalhadores sem direitos

Com crescimento recorde, Nestlé mantém corte de direitos

Trabalhadores de fábricas da multinacional suíça Nestlé no Brasil completam 300 dias de luta contra a retirada de direitos em plena pandemia.

“Apesar de ter ampliado seu patrimônio com a compra recente da empresa de chocolates finos La Fête Chocolat, ela continua oferecendo reajuste salarial zero para o ano de 2022” – Reprodução

Por Brasil de Fato

Trabalhadores de fábricas da multinacional suíça Nestlé no Brasil completam 300 dias de luta contra a retirada de direitos em plena pandemia.

Na Bahia, em São Paulo e em Pernambuco, houve redução no valor do vale-alimentação. No Espírito Santo, a empresa também propõe cortar o tíquete, mas a medida ainda não entrou em vigor.

A Nestlé registrou, em 2020, o maior crescimento orgânico dos últimos cinco anos: 3,6%. A crise sanitária, que obrigou milhões de pessoas a ficarem em casa, contribuiu para o aumento das vendas e não impactou a produtividade.

“A América Latina apresentou alto crescimento orgânico de um dígito, com contribuições positivas em todas as regiões e na maioria das categorias de produtos. (…) O Brasil registrou crescimento de dois dígitos com forte demanda ampliada, especialmente para Ninho, NAN e Nescafé”, diz texto publicado pela Nestlé em fevereiro, sobre os resultados do ano passado.

“A pandemia global não nos atrasou”, disse Mark Schneider, diretor-executivo da Nestlé, ao comentar os resultados na página da companhia.

Entenda detalhes da situação em cada estado.

Junho será decisivo no Espírito Santo

Com data-base em junho, a Nestlé se nega a pagar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), acertada em acordo coletivo há cerca de 30 anos.

Além disso, propõe reduzir o vale-alimentação em 48,6%, de R$ 680 para R$ 350.

Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação do Espírito Santo (Sindialimentação-ES), Linda Morais questiona as motivações desse corte.

“Nós continuamos na resistência contra essa proposta injusta da Nestlé. Nada justifica essa redução [do vale-alimentação]. Os trabalhadores continuam as atividades em plena pandemia”, diz.

“Esse direito, essa conquista, não é um favor da Nestlé: é uma consequência do trabalho empregado diariamente por cada operário. Nós vamos continuar lutando, resistindo bravamente em defesa desses direitos, que fazem a diferença na vida dos trabalhadores”, promete a sindicalista.

Em 28 de abril, o Sindialimentação-ES encaminhou à Garoto a pauta visando a negociação do acordo coletivo 2021/2023.

O sindicato busca acordo nas negociações que envolvem cláusulas econômicas e sociais, como tíquete-alimentação, auxílio-creche, farmácia, entre outros benefícios, e também com relação ao pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Entre outras propostas, o Sindialimentação-ES defende o reajuste do auxílio-alimentação para R$ 750, auxílio-material/uniforme e óculos para R$ 520 e a manutenção das demais cláusulas do acordo coletivo atual.

Com data-base em junho, a entidade também propõe o pagamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período de 1º de junho de 2020 a 31 de maio de 2021, com acréscimo de 3% de ganho real, a partir de 1º de junho deste ano. 

Empresa e sindicato não entraram em acordo até o momento. 

Em 23 de junho está marcada uma audiência judicial para discutir questões como a “irredutibilidade do auxílio-alimentação e sua incorporação.” No dia 28, ocorre outra audiência judicial, para pagamento da PLR de 2020, que está atrasada.  

O Sindialimentação espera que a Nestlé reveja sua posição e busque a conciliação antes dessas audiências.

Demissões e cortes na Bahia

Em 27 de novembro, a fábrica da Nestlé em Itabuna (BA) fechou as portas, deixando 141 trabalhadores desempregados.

Resta no estado apenas uma unidade, em Feira de Santana (BA).

“As empresas de alimentação vêm se beneficiando desse momento, porque as pessoas em casa consomem mais. As empresas estão explorando os trabalhadores cada vez mais. Em vez de recompensá-los, estão retirando direitos conquistados com muita luta”, lamenta o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins do Estado da Bahia (Sindialimentação-BA), Carlos Cerqueira.

Durante a pandemia, a assistência médica passou a ter cobrança de 20%, o adicional noturno foi reduzido de 70% para 50% e a ajuda-medicamento caiu de 90% para 60%.

Também houve mudança no plano de PLR, com redução de 20% a 30%, conforme o salário do trabalhador.

Cerqueira, que também é diretor da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da Central Única dos Trabalhadores (Contac-CUT), teme ainda que a Nestlé expanda sua política de terceirizações.

“Os locais que tiveram essa estratégia efetivada chegaram a reduzir mais de 20% do quadro efetivo de trabalhadores. Essa é a política da maior empresa de alimentação do mundo”, critica.

Em Pernambuco, foco na redução de danos

Em 2019, o valor do vale-alimentação dos trabalhadores da Nestlé em Pernambuco era de R$ 500. Hoje, é de R$ 320, na contramão do preço dos alimentos no supermercado, que não param de subir.

Romerio de Lima Azevedo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Pernambuco (Sintilpe), diz que a principal demanda hoje é a manutenção do tíquete.

O trabalho também não parou na pandemia. Romerio relata que o sindicato tem acompanhado de perto o cumprimento dos protocolos de segurança sanitária no estado. 

Não é só no Brasil

Conforme noticiado pelo Brasil de Fato, trabalhadores da Nestlé em outros países da América Latina também estão se articulando para enfrentar mudanças implementadas pela empresa durante a crise sanitária.

Na capital do Peru, em Lima, a semana foi marcada por protestos do lado de fora das unidades de trabalho contra a demissão de empregados em meio à pandemia.

Entidades sindicais obtiveram a sinalização de que aqueles que estavam afastados devido a comorbidades podem ser demitidos em breve.Protesto contra práticas desleais da Nestlé peruana na pandemia – Créditos: Sindicato Nacional de Trabalhadores da Nestlé no Peru×

3102f8f47061aed5b7436e48067a464a

1 / 4

3102f8f47061aed5b7436e48067a464a
9e5323dda0a845169b0f477b48382779
9cef01394f12d2a1e31189f59011cbf1
3ce5715dc208b509f0a7e67bfe7376cb

Outra bandeira das manifestações é o cumprimento de um acordo assinado há dois anos que previa aumento salarial em 2021, e não foi cumprido pela empresa.

“A empresa tem insistido em manter uma posição arbitrária, convocando trabalhadores vulneráveis a aderir à demissão voluntária, oferecendo para isso uma indenização e dizendo aos que não aceitarem esta oferta receberão uma carta de demissão”, relata o secretário-geral do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Nestlé no Peru, Juan De La Cruz Cardozo.

Segundo Cardozo, a empresa desrespeita uma lei peruana estabelecida no ano passado aos trabalhadores doentes e que pertencem ao grupo de risco, que permite o afastamento com garantia de pagamentos e direitos até o fim da pandemia. 

Na sexta-feira (28), a Federação Nacional de Trabalhadores da Nestlé no Peru se reunirá com o Ministério do Trabalho e Promoção do Emprego do pais e representantes da empresa para buscar alternativas aos problemas enfrentados pela categoria. 

No Chile, os principais problemas identificados no começo da pandemia seguem ocorrendo. 

Na fábrica localizada em Maipú, na Região Metropolitana de Santiago, por exemplo, a distância máxima que os trabalhadores deveriam percorrer para a higienização é de 75 metros, conforme acordado com a empresa. Porém, em algumas seções, como a de chocolate, esta distância é de 600 metros desde o ano passado, mesmo depois de denúncias enviadas aos órgãos oficiais de fiscalização.

81e6291a3c5133634e2834d25ccdbec7
Fábrica de chocolates e biscoitos da Nestlé no Chile / Fesinem

Sobrecarga para as mulheres

Outra dificuldade tem sido enfrentada pelas mulheres dessa fábrica, que são a maioria da categoria. Isso porque o berçário em que deixavam seus filhos durante seus turnos de trabalho foi fechado. 

“A empresa ofereceu uma bolsa-creche, mas isso não resolveu a situação, além de representar um tremendo retrocesso em conquistas alcançadas há mais de 40 anos”, lamenta José Guzmán, dirigente da Federação de Sindicatos da Empresa Nestlé, Empresas de Serviços e Atividades Afins (Fesinem).

“Ao retirar o direito de levar seus filhos à creche e ao jardim de infância dentro da fábrica, muitas trabalhadoras não têm quem cuide dos filhos, principalmente quando têm que trabalhar no turno da tarde ou da noite”, completa. 

Segundo o dirigente, a empresa também interrompeu avanços nos direitos trabalhistas. 

“Apesar de ter ampliado seu patrimônio com a compra recente da empresa de chocolates finos La Fête Chocolat, ela continua oferecendo reajuste salarial zero para o ano de 2022”, afirma Guzmán, que é funcionário da fábrica de Maipú há 35 anos. 

A você que chegou até aqui,

agradecemos muito por depositar sua confiança no nosso jornalismo e aproveitamos para fazer um pequeno pedido.

O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

Diferentemente de outros portais, mesmo os progressistas, você não verá anúncios pagos aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos de maneira intransigente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Trabalhamos dia e noite para que o DCO cresça, se desenvolva e seja lido pelas amplas massas da população. A independência em relação à burguesia é condição para o sucesso desta empreitada. Mas o apoio financeiro daqueles que entendem a necessidade de uma imprensa vermelha, revolucionária e operária, também o é.  

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com valores a partir R$ 20,00. Obrigado.

SitesPrincipais
24h a serviço dos trabalhadores
O jornal da classe operária
Sites Especiais
Blogues
Movimentos
Acabar com a escravidão de fato, não só em palavras
Cultura

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.