Cada vez pior
Em um cenário conturbado, com previsão de inflação na casa de 3% e recessão de pelo menos -4,4%, 2020 pode ser o pior ano vivido por esta geração de brasileiros.
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Na crise histórica do capitalismo, a corda arrebentará aqui primeiro. Foto: Arquivo |

Da redação – Demonstração inequívoca de que o regime político brasileiro está sendo conduzido por comediantes ou malucos presos a uma experiência lisérgica, até a segunda feira da semana passada, 23 de março (portanto já em meio a quarentena), o Banco Central fantasiava um crescimento para o PIB brasileiro, e como se isso já não fosse muita loucura, a projeção era de 1,48%., maior do que os 1,1% de 2019 Numa tentativa de parecer sério, o Boletim Focus divulgado hoje reduziu a estimativa para -0,48%, o que tampouco parece crível.

Entre projeções menos alopradas, ganha destaque a da FGV, que estima o PIB de 2020 em pelo menos -4,4% mas ressalta que esse seria o resultado para um período de paralisação de até 10 dias, o que já foi superado em muitas das principais cidades do país. De qualquer forma, esse cenário, reconhecido pela instituição como “conservador”, já é o bastante para fazer com que a economia brasileira tenha o seu pior desempenho desde que o Banco Central começou a medir o PIB do país, em 1962, enquanto outras organizações já falam em -6%. É preciso aguardar o desenrolar dos acontecimentos políticos para fazermos uma projeção mais concreta mas de uma coisa podemos estar certos: sem o “Fora Bolsonaro”, 2020 será o pior ano que esta geração de brasileiros já viu.

Os números delirantes das projeções elaboradas pelo Banco Central são emblemáticos do completo desprezo de Bolsonaro por qualquer coisa que não reflita os interesses do imperialismo e da pequena burguesia que o sustenta. É óbvio a qualquer ser humano dotado de alguma atividade encefálica que o PIB brasileiro crescer, num ano em que a economia global se encontra sob ameaça daquela que pode ser a mais severa crise da história do capitalismo, é uma fantasia, sequer podemos levar a sério. Sob a realidade de uma paralisia na atividade econômica que atinge dezenas de países, e sob a bolha da especulação financeira, que fez a dívida global crescer para mais 194% do PIB mundial (cerca de 85 trilhões de dólares até o fim de 2019) e coloca o sistema capitalista sob a ameaça da insolvência, podemos ver que os economistas burgueses não estão exagerando ao afirmar que a crise de 2020 tem uma forte tendência a ser pior do que a de 1929.

Para os brasileiros, que precisam enfrentar as adversidades desse momento histórico tendo na presidência da República um fascista, louco o bastante para ameaçar decretar o retorno dos trabalhadores a seus postos de trabalho em meio a maior pandemia do tipo Influenza desde a Gripe Espanhola, os desafios são ainda maiores. Por isso, a mobilização popular para por fim ao governo e o conjunto do regime político é imprescindível. Seja com a extrema direita de Bolsonaro ou a direita centrista, o chamado “Centrão”, de Doria, Witzel e Rodrigo Maia, a classe trabalhadora e o conjunto da população amargará um ano terrível caso uma reviravolta muito marcante não ocorra na cena política brasileira. Força, a população tem de sobra, como a história atesta. É questão de abandonar a atividade diletante e trabalhar para a construção dessa mobilização, sem a qual o inferno fascista é certo.

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