Com Bolsonaro no limbo, Chico Alencar está preocupado com as árvores

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Sabemos que existe um esforço por parte da esquerda pequeno-burguesa de sufocar a palavra de ordem “fora Bolsonaro”. Tal palavra está na garganta de todos os centenas de milhares ou milhões de manifestantes que saíram nas ruas noas semanas que passaram e que sairão na próxima sexta-feira, dia 14. A esquerda pequeno-burguesa, mais preocupada em cálculos eleitorais e parlamentares imediatos, se juntou – do PSOL ao PCdoB – para evitar que tal palavra de ordem se desenvolva, à revelia da esmagadora maioria do povo. Uma tarefa difícil, reconheçamos.

Esse ímpeto em esconder e evitar a qualquer custo o fora Bolsonaro parece não ter feito bem para a cabeça de alguns dirigentes da esquerda pequeno-burguesa. Chico Alencar, ex-deputado do PSOL-RJ, publicou no sítio Esquerda online um artigo para denunciar Bolsonaro como um “ecocida”. Até aí, quem somos nós para dizer o que cada um vai escrever, todos são livres para escrever sobre qualquer tema e, se abordado da maneira correta ,que não é o caso do artigo de Alencar, o problema do meio ambiente também pode ter sua importância. O conteúdo do texto, no entanto, revela uma completa alienação mental do político do PSOL, uma espécie de fuga da realidade.

O que chama atenção é que o dirigente do PSOL, em meio ao uma crise política profunda do governo golpista de Bolsonaro, apresenta o “ecocida”, como ele mesmo chama o presidente golpista, como um mau gestor do problema ecológico: “Essa incapacidade de governar é ainda mais patente quando Bolsonaro assume como presidente primário de uma terrível marcha à ré pública”, diz Alencar. A crítica a Bolsonaro como grande inimigo da ecologia – que de fato ele é – não tira a óbvia conclusão: é preciso derrubar o governo e todos os golpistas que colocam em marcha a destruição do País, sendo o meio ambiente um produto dessa política de destruição.

Como é típico da esquerda pequeno-burguesa, a crítica de Chico Alencar é uma disputa eleitoral, em busca de votos para as próximas eleições. Sobre a necessidade de acabar com Bolsonaro: nada.

Mas o artigo vai ainda mais longe em sua fuga da realidade. Alencar tem como base os celestiais ensinamentos do Papa Francisco sobre o meio-ambiente, o que por si só já soa bastante estranho para um dirigente de um partido que se diz “socialista” e até mesmo “revolucionário” segundo algumas de suas correntes. Para os inexperientes, vale para aprender que no PSOL temos setores do “socialismo cristão”, do qual justamente Chico Alencar é um dos principais nomes dentro do partido.

Tendo como base os ensinamentos do Santo Francisco, o artigo de Chico Alencar aposta que para mudar os maus tratos ao meio ambiente seria preciso mudar o “eu interior” dos seres humanos. Diz ele: “A consciência ecológica está interligada à consciência social e política transformadora: o ecossocialismo é o desafio do século XXI, para a construção de uma sociedade libertária e ambientalmente equilibrada.” Ou seja, para Chico Alencar, é preciso “ter consciência” individual. Enquanto isso, Bolsonaro pode continuar destruindo tudo.

O artigo é de 6 de junho, portanto antes de vir à tona os vazamentos das conversas entre Moro e Dallagnol. Hoje, o governo está ainda pior. A preocupação de Alencar é com as árvores, os bichinos com asas e patas, com a “mãe Terra” e com o “eu interior” de cada um.