A recessão será longa
A política econômica prolongará a crise brasileira por muitos anos mantendo o desemprego em massa e a fome

Por: Redação do Diário Causa Operária

No ano passado, o Produto Interno Bruto – PIB oficial caiu 4,1%. A maior queda desde 1996. Isso espelhou, em parte o desastre da economia brasileira. Um desastre que foi muito pior para os trabalhadores, que sentiram na pele o desemprego em massa e a inflação crescente. Os capitalistas diziam, por meio de seus analistas nos bancos e financeiras, que 2021 seria diferente, e o crescimento econômico deste ano compensaria a queda do ano passado. Nada disso está acontecendo. E os bancos e financeiras, assim como seu Banco Central agora mais atrelado a eles, estão discutindo como será o ano de 2022, já que este ano, o de 2021, eles sabem que não conseguirá tapar o buraco do ano passado. Apostando em como será o ano que vem, vários analistas dos bancos informam ao Banco Central que não acreditam que o PIB de 2022 conseguirá ultrapassar o patamar de 2%. “O banco Itaú, por exemplo, reduziu a projeção de crescimento de 2022 de 2,5% para 1,8%. Num movimento similar, a consultoria MB Associados diminuiu de 2,4% para 1,8% a previsão de alta do PIB.” (G1, 21/3/21)

Mesmo sabendo que um dos fatores de aprofundamento da crise capitalista que se expressa também no terreno nacional é a política econômica adotada pelo governo golpista de extrema-direita, os capitalistas tratam esse aspecto como secundário, com isso seus meios de comunicação, a chamada grande imprensa, dá mais destaque a outros aspectos da crise, a pandemia, por exemplo, como se a crise na saúde fosse algo independente da política. E sabemos que a gravidade da crise do coronavirus no Brasil é diretamente ligada às decisões políticas do governo da burguesia que deu o golpe de 2016. Isto porque foram as decisões políticas do governo que produziram o crescimento vertiginoso das mortes, que estão beirando os 300 mil. Decisões que estão transformando o Estado em um monte de sucata que está sendo privatizada à preço de banana. Decisões que colocaram o orçamento público a serviço do pagamento de juros e retirando a capacidade do Estado de investir e desenvolver políticas públicas.

Com a cumplicidade do Congresso Nacional, o governo Bolsonaro-Mourão-Guedes vai pagar um auxílio emergencial ridículo e insuficiente a partir do próximo mês. O novo auxílio pagará, para um conjunto bem menor de pessoas que as atendidas no ano passado, um auxílio que variará entre R$ 150 (pessoa que mora sozinha) e R$ 375 (mulher chefe de família com filhos pequenos), durante 4 meses. Mesmo o maior valor que será pago ainda não paga sequer uma cesta básica, que no mês de fevereiro, no Recife, custou em média R$ 469,71. (TVJornal, 22/3/21)

A suspensão da produção de automóveis da Volkswagen em suas fábricas nos estados de São Paulo e Paraná, por um período inicial de 12 dias, é um símbolo da mentira governamental de que a economia está retomando o crescimento.

Mesmo quando houver um controle de pandemia, caso se proceda a vacinação em massa, a crise econômica seguirá o rumo da recessão dada a falta de investimentos em meio a um processo de desnacionalização e fechamento de indústrias, como também em função da vagarosa recuperação de economias que importam matérias-primas, principalmente minérios, e produtos do agronegócio brasileiro.

O desemprego representa um processo profundo de crise na economia nacional com a aniquilação de setores inteiros, como o que ocorreu com a indústria naval, que entre 2004 e 2014 cresceu 19,5% ao ano, principalmente motivado pela política de conteúdo local da Petrobras. Para se ter uma ideia da pancada, nos primeiros meses do golpe de 2016, a cadeia produtiva da indústria naval perdeu 300 mil empregos. (CUT, 25/5/18)

A permanência do quadro de desemprego em massa e o fechamento permanente de grandes empresas em meio a um processo de empobrecimento geral da sociedade fará com que a crise capitalista tenha no Brasil efeitos muito mais desastrosos e prolongados.

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