Legislativo
Ao dizer que a situação era privisível e culpar a população pelas festas de fim de ano, o presidente da Câmara promete “novas alternativas e novas vias legais”

Por: Redação do Diário Causa Operária

Neste sábado (27), o presidente da Câmara Federal dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) disse que era “previsível” a alta de casos de coronavírus no País. Somando-se ao discurso da imprensa burguesa, ele culpou o povo pela situação. “Nós tivemos aí ao final do ano réveillon, natal, carnaval, muitas pessoas viajando pelo Brasil”, e afirmou que conversará com governadores nesta semana sobre ações para “enfrentar a pandemia”.

Através das redes sociais e de uma entrevista a um grupo de advogados, segundo o G1, ele afirmou que a situação de Manaus, da morte de pacientes por falta de oxigênio, foi um dos avisos do que aconteceria no restante do País. Para ele, “muitas pessoas viajando… era previsível que essas coisas acontecessem”.

Para o deputado golpista, o aumento dos casos e óbitos, que já ultrapassam mais de 252 mil mortos, apenas em dados oficiais, no boletim do Ministério da Saúde de ontem (26) é responsabilidade das viagens de final de ano, não do funcionamento normal da economia, onde os governadores e prefeitos permitem a aglomeração de dezenas de milhões de trabalhadores todos os dias nos transportes coletivos, em trens, ônibus e metrôs, por exemplo.

Obviamente era previsível que a situação do País chegaria neste caos total, dado que os representantes dos poderes constituídos, como o próprio Lira, não fizeram absolutamente nada para enfrentar o coronavírus. Não testaram a população, não contrataram os profissionais de saúde necessários para o enfrentamento à pandemia, não deram condições para que a população ficasse em casa. Sequer forneceram os itens de segurança para que as pessoas se protegessem em locais públicos de grande circulação. Pelo contrário, omitiram-se completamente, garantindo que as aglomerações nos transportes coletivos (o principal meio de transmissão do vírus) continuassem, enquanto, por outro lado baixavam restrições de circulação de pessoas, contra pequenos comércios e empreendimentos.

O auge desta política genocida e criminosa dos golpistas – que envolve o Executivo de Bolsonaro e Doria (PSDB), o Legislativo de Maia (DEM) e Lira (PP) e o Judiciário de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – é o fato do País só ter imunizado, até o momento, míseros 0,89% da população! Depois de tudo que fora citado acima e que ocorreu neste 1 ano de pandemia, o Brasil não tem vacina! As doses importadas da peça de propaganda de Doria acabaram, não há mais grandes quantidades para serem importadas a curto prazo. Não há insumos para a produção massiva da vacina em território nacional.

Enquanto isso, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou a vacina CoronaVac (de Doria/Butantan) e a CovShield (de Oxford/AstraZeneca), mas a Sputinik V, da Rússia, que é mais barata e tem eficácia de 90%, segue no limbo da burocracia estatal.

É neste cenário que o presidente da Câmara, Arthur Lira, diz que vai se reunir com os governadores – estes que estão decretando “lockdown” e impondo toque de recolher contra a população – para discutir medidas de “combate à pandemia”. Segundo ele, neste momento que governadores estão aumentando a restrição, é preciso “novas alternativas e novas vias legais” para mitigar a crise.

Não há como saber quais serão os próximos passos dos golpistas, mas é certo que esses, que não fizeram nada até o momento, preparam novas medidas de aumento da repressão e do assalto contra a população, obviamente, com o pretexto de “combate à pandemia”.

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