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Nessa segunda, o companheiro Juliano Lopes falou sobre o caso da execução de jovens negros na favela do Rio de Janeiro e a necessidade e formação de organizações comunitárias (comitês) de luta contra o golpe, de luta em favor às renvidicações da pauta política do povo negro e de auto-defesa frente ao regime cada vez mais agressivo que impera sobre o país.

Veja o programa na íntegra:

“Boa tarde, meu nome é Juliano Lopes e este é o ‘Programa Colunistas ao vivo’ que é exibido pela ‘Causa Operaria TV’ sempre ao meio-dia. Bom, hoje eu gostaria de tratar da chacina que ocorreu no rio de janeiro no último sábado logo pela manhã. As informações iniciais naquele momento deram conta de que pelo menos 17 pessoas foram assassinadas em um ‘confronto’ com o batalhão de choque da polícia militar (PM) que estaria, segundo a própria PM, realizando uma operação na região e foi recebida a tiros pelos bandidos e criminosos. Bom, com o decorrer do dia e até com a denúncia dos próprios moradores não se tratou nada disso. Na verdade,  estava ocorrendo uma festa, um baile funk, que estava encerrando as suas atividades no começo da manhã do sábado. Segundo as testemunhas, a polícia simplesmente ‘chegou atirando’, sendo que vários dos mortos foram encontrados com marcas de tiro pelas costas, ou seja, foram, na verdade, executados.
Conforme um segundo depoimento, a polícia tinha ficado de voltar à favela para levar os cadáveres (e não para ‘levar alguém para a cadeia’). Quer dizer que era uma promessa que já tinha sido feita pela PM: a de que eles iriam fazer o que foi feito neste sábado. Seria uma espécie de retaliação contra a morte de um suposto policial militar na semana que passou. Os dados indicam, mais uma vez, a ação genocida da polícia militar no Rio de Janeiro – que é uma ação irregular cotidiana da polícia militar como um todo no Brasil.
Muitos poderiam esperar que, após o a execução de Marielle, a atuação da PM, no Rio de Janeiro, das outras tropas de repressão seriam reduzidas. Mas, na verdade, o que aconteceu foi que eles estão intensificando os ataques às comunidades pobres e negras de trabalhadores do Rio de Janeiro. Um outro detalhe, que eu queria ressaltar aqui nessa coluna, foi forma de agir da pm nessa ação. Eles mataram as pessoas e fizeram uma coisa que inclusive é proibida por lei: recolher corpo das vítimas e levá-los para o hospital numa suposta tentativa de ‘socorro dos feridos’ em confronto. É tudo uma mentira e, inclusive foram proibidos de fazer isso porque, ao recolher o corpo da vítima, você desfaz a cena do crime e adultera todas as provas, tornando praticamente inviável conseguir a autoria dos criminosos executores que agiram nessa operação. Quem leu o livro “Rota 66” do Caco Barcellos sabe que essa é uma prática comum da Polícia Militar que executa suas vítimas e, como se fosse uma ‘prestando socorro’, levam os cadáveres já mortos para o hospital.
No entanto, esses corpos que foram retirados na sexta no sábado no Rio de Janeiro chegaram todos já sem vida no hospital. Quer dizer revela que eles retomaram, inclusive, uma prática que já havia sido proibida (pelo menos para a lei) e estão cometendo vários crimes na cidade do Rio de Janeiro. Isso também deve ser somado ao problema de que a investigação dos crimes no Rio estão todas sob o comando dos ‘próprios’ militares. Essa é uma lei que foi editada pelo por Michel Temer, que ‘as Forças Armadas, caso matem alguém em suas atividades, serão julgadas pelas próprias ‘forças armadas” – muito que bem agressiva para o exército marinha e aeronáutica, mas há de se entender é que a gente crê que a PM está entendendo assim que os crimes cometidos pela PM também deveriam ser julgados ‘tão somente’ pela Justiça Militar.
Quer dizer, existe todo um campo de atuação das forças de repressão do Rio de Janeiro que dá a elas ‘carta branca’ para fazer crimes horrendos, como esse ocorrido no sábado, em que morreram trabalhadores, estudantes, dançarinas, pessoas que estavam buscando se encaixar da forma que for possível no regime social que lá está colocado. E não só, no próprio domingo, foram registradas outras seis mortes (pelo menos) e entre essas mortes estariam quatro menores. O que se mostra é que elas também foram causadas não por operação da PM mas pela outra forma de atuação (que a gente bem conhece) da PM aqui de Osasco, por exemplo. Nessa situação, um homem de capuz preto, pilotando motos que, de repente, chegam a determinado bar, pizzaria e restaurante e abre fogo contra as pessoas que lá estão. Bom, tudo isso revela que o à própria direita, o estado golpista, e as instituições (especialmente as de repressão), estão completamente fora de controle e, especialmente no Rio de Janeiro, onde está determinada a intervenção militar, a situação de violência contra o negro, contra o pobre, simplesmente disparou. O número de mortos, o número de vítimas da pm são tão grandes que já é até impossível saber, de fato, oficialmente, quantos são os mortos pela PM desde o início do Golpe de Estado. Tudo indica, contudo, que esse ano os números devem ser no mínimo 50% maiores de que os de 2017.
Quer dizer, para cada morto em 2017, na operação da PM deste ano, nós teremos mais dois mortos. Com isso, a gente queria comprovar a tese de que não é ‘tudo igual’, que, na verdade, o golpe de estado serviu para inaugurar uma nova fase de horror contra a população negra, uma nova fase de intensificação da repressão ao povo trabalhador. Que, agora, não é mais aquela ‘repressão’ em que você é ‘abordado’ e você só é revistado. Agora, as forças de repressão do estado estão indo a fim de realmente ‘matar’ o povo negro, pobre, trabalhador. Essa repressão toda tem um objetivo: é conter a população diante dos ataques do regime contra o povo. Impedir a sua organização diante do que tem sido feito pela direita golpista, governo federal e, também, o governo estadual do Rio de Janeiro. Eles, com isso, querem é dar um recado e dizer que não ‘haverá resistência e, se houver resistência, ela será quebrada’. Diante desse cenário, se coloca uma série de reivindicações que precisam ser levadas adiante pelo movimento operário de conjunto, pelas organizações de trabalhadores, associações comunitárias, pelo povo favelado como um todo: a luta pela dissolução de todo esse aparato brutal, a luta pela debandada, o fim, da Polícia Militar – uma organização que tem essas mortes não como exceção. É o que ela faz – é a regra agir assim contra o povo
negro o povo trabalhador.
Ela é uma organização que é herança direta da escravidão brasileira. Também exigimos aqui e chamamos todas as organizações que estão na luta contra o golpe votar para a dissolução dos demais órgãos repressivos. Isso porque, para o bom entendedor da própria polícia federal civil, são todos mancomunados nesse projeto macabro de extermínio do povo trabalhador e, especialmente, estão aí também diretamente ligados ao golpe. Além disso, é necessário a organização do povo negro, uma organização política em torno de suas reivindicações e necessário a constituição de comitês de luta contra o golpe que, nesse momento no Rio de Janeiro, assumem um caráter de auto-defesa diante dos ataques do próprio regime golpista. Essa é uma necessidade urgente dos trabalhadores diante do que tem sido feito pela direita. Apenas dessa maneira é possível impor alguma derrota e reduzir os números das vítimas das forças de repressão do Estado no Brasil como todo. Bem, encerra-se por aqui a coluna, lembrando que estarei de volta na próxima segunda-feira, com o programa ‘Colunista ao vivo’ e, também, o meu dia com mais um tema de importância para a luta do povo negro, convido a todos que estão assistindo a acompanhar o nosso programa ‘Tição, o programa de preto’ toda segunda, ao vivo, às 19 horas. Um grande abraço uma boa semana.”
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