Colunistas da COTV: “Partido dos Panteras Negras e autodefesa diante da direita”. Por Juliano Lopes

Trascrita abaixo a coluna dessa segunda feira em que o companheiro Juliano Lopes fala sobre a importância da constituição pela esquerda de Comitês de autodefesa, como única forma de atingir seus objetivos políticos sem ser vítima da chacina que a direita fascista tende a realizar sobre o povo. A exemplo da constituição de milicias como a dos “Panteras negras”, é preciso estruturar movimentos de autodefesa da esquerda para que as manifestações em favor da vontade popular sejam verdadeiramente protegidas. Não é possível confiar no Estado burguês para a salva-guarda dos interesses do povo. Só o povo defende o povo. A história mostra bem isso.
“Olá boa tarde. Meu nome é juliano Lopes e este é mais um programa “Colunistas ao vivo” exibido pela Causa Operaria TV. Bom, o tema que eu queria abordar hoje é sobre a necessidade de constituição de grupos, de comitês, de auto defesa. Diante dos ataques que estão sendo feitos pela direita brasileira contra manifestantes, contra atividades da esquerda e, por fim, os mais graves foram os tiros disparados contra a caravana de Lula. Bom, desde o começo, inclusive, das manifestações do país, desde o começo do golpe de estado foi colocado esse debate de como reagir diante do ataque da direita. Muitas vezes foram organizadas nas manifestações os próprios Black Blocks, que eram uma espécie de de comitê, um pouco desorganizado, mas que estavam ali para poder se defender diante dos ataques feitos, neste caso, pela própria repressão do estado, pela polícia militar. Mas, dentro da própria esquerda, existe majoritariamente uma tendência a reagir pacificamente diante dos ataques feitos pelos fascistas ou, quando muito, recorrer às próprias instituições burguesas para que ‘se investiguem os casos’, ‘se punam os envolvidos’. A experiência do próprio movimento negro norte americano precisa ser, nesse momento, esclarecida e tornada pública para que a gente possa, inclusive, vir a discutir e fazer uma grande propaganda em torno do problema. 
Bem, os negros de lá tiveram basicamente os mesmos problemas que o povo trabalhador, o povo negro que o movimento contra o golpe brasileiro está tendo aqui que é que sofreu duros ataques da direita, no caso, racista, norte americana que teve como resultado uma resistência pacífica, em um primeiro momento, coordenada especialmente pelo pastor Martin Luther King, sendo que ele mesmo foi executado com um tiro nas costas pelo regime norte-americano. Essa resistência pacífica do movimento negro norte americano acabou levando muitas pessoas ao hospital, muitos faleceram, muitos foram vitimados pela repressão do estado, pela propria polícia, que ela mesma racista, os integrantes da polícia norte-mericana também fazem parte, eles mesmos, de grupos como o Ku Klux Klan. O desenvolvimento dessa luta, deu resultado a uma resistência armada diante do ataque da direita. Frank Williams, no final dos anos 50 e começo dos anos 60, edita o seu famoso livro chamado ‘Negros Morgans’ (em tradução livre,  ‘Negros com armas’), que conta uma história interessante que, na verdade, nem se tratava de manifestação, mas, do direito do negro poder usufruir de espaços públicos. Na medida em que movimento negro pressionava para derrubar as leis de segregação racial, os racistas se armavam para atacar crianças e jovens, toda a juventude negra norte americana. Esse livro foi um sucesso dentro do próprio movimento negro, instigou pessoas como Rui Pinilton e outros a fundar o partido dos ‘Panteras Negras’, inicialmente chamado de ‘Partido dos Panteras Negras para autodefesa’. Esse grupo cresceu bastante, foi muito bem aceito, inclusive, pela população negra norte americana, porque ele organizou milícias, verdadeiros grupos de autodefesa, nos bairros, onde a população negra residia, a população que é minoria nos Estados Unidos (ao contrário daqui do do Brasil). Dessa forma, foi através da resistência armada, não só pelo ‘Partido dos Panteras Negras’, mas também, pelos ‘Diáconos pelo Direito de Autodefesa e Justiça’ – eles que colocaram, inclusive, fim aos ataques da Ku Kus Klan. Quer dizer, através dessas organizações que, finalmente, se conseguiu viver por um período, um tempo, em que os negros não eram mais linxados, enforcados, um tempo em que nos bairros dos negros sequer havia policiamento, por isso, mantinha-se distância e a direita extraestatal, a Ku Klus Klan, por exemplo, também não ousava atacar esses negros que estavam armados. O porte de arma ainda é um direito consagrado nos estados unidos e muitos desses livros também haviam tido experiências com guerras que o próprio estados unidos promoveu como o próprio vietnã e, outros mais velhos, mas que também participavam dessas organizações, na própria 50 Segunda Guerra Mundial. Então, havia todo um campo propício para que fosse desenvolvida essa autodefesa do movimento negro nos Estados Unidos. Bom, aqui no Brasil, inclusive, no ataque diante da caravan do Lula, feito a tiros, as posições são mais ou menos semelhantes. Existe toda uma tendência na esquerda do movimento popular e das organizações dos trabalhadores a reagir diante do problema através das próprias instituições do estado, pedir por investigações, que ‘os envolvidos sejam expulsos das corporações’ porque, no caso do ônibus do Lula, foi comprovado que foram policiais que participaram do atentado. Vai crescendo, pois a necessidade da constituição de comitês e comissões de autodefesa. São comitês que teriam necessidade imediata diante, de uma manifestação da esquerda, diante de um debate, de atividades feitas pelos sindicatos, pelas organizações estudantis, esses comitês estariam prontos a reagir à altura, diante do ataque da direita. Essa é a única linguagem que a direita brasileira entende: a linguagem da força. Como pode ser bem observado nesses últimos anos, eles não atendem nenhum apelo racional, a nenhum argumento e, invariavelmente, na composição desses grupos direitistas têm gente do próprio estado. Muita gente da polícia militar e, também, de outros órgãos de repressão. Isso indica que os crimes praticados por eles na direita nunca serão nvestigadas. Enfim, diante do que está colocado, dos atos que estão marcados para esta semana, em todo o Brasil, contra a prisão do Lula, é que necessário, em toda organização, em toda manifestação, sejam constituídos pelos trabalhadores verdadeiros comitês de auto-defesa que estejam ali para defender a manifestação, defender o povo nas ruas. A rua é um local do povo e suas reivindicações! Essas comissões estariam preparadas e dispostas a responder à altura qualquer mínima provocação da direita fascista que quer ver lula preso e quer aprofundar, com essa prisão, todos os ataques feitos contra os direitos dos trabalhadores. Aprofundar a repressão do próprio regime político, aumentar casos como o de Marielly (vereadora do psol) que foi executada e que até agora não existe nenhuma pista de quem foi o executor. Quando todos sabem que foram as próprias forças militares que estão no Rio de Janeiro e em seguida também mataram 14 jovens negros que eram ligados à própria juventude do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Então, é diante desses acontecimentos, como a lição da própria Revolução Russa, com os panteras negras e outras lutas colocadas pela esquerda mundial, está colocado para nós do Brasil e para o movimento de luta contra o golpe de estado à constituição de comitês de auto-defesa que consigam limpar as ruas da direita fascista e consigam impor uma derrota às instituições do regime burguês, que está totalmente controlado pelos golpistas. Bom, ficamos por aqui. Agradeço a atenção de todos que assistiram essa coluna. Lembrando que o programa ‘Tição,  programa de preto’, será exibida a partir desta semana, todas as terças-feiras, a partir das 19 horas. Uma boa tarde e uma ótima semana.”
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