Colunistas da COTV: “comitês de autodefesa para parar a direita”, por Antônio Carlos Silva

Nessa quarta-feira, o companheiro Antônio Carlos Silva falou um pouco sobre o avanço do fascismo no Brasil e a consequente necessidade da organização de trabalhadores em torno de sua própria segurança. Não é possível confiar na “segurança” que o Estado “oferece”. Todo o aparato estatal está incorporado na política golpista. Dessa forma, é fundamental que o povo organize sua própria segurança em comitês de segurança.
O programa na íntegra você vê aqui.

“Olá. Bem vindos a mais um programa ‘Colunistas ao vivo’ no seu canal causa operária tv. Fazemos essa transmissão depois de acontecimentos de maior gravidade em todo o país: a direita fascista colocou suas ‘manguinhas’ de fora e partiu para uma clara ofensiva contra a esquerda, contra o ex-presidente Lula e contra o povo trabalhador de um modo geral.
Nós vimos nos últimos dias no Rio de Janeiro uma série de acontecimentos que mostram intensificação de uma ofensiva contra a população trabalhadora daquele estado. Só na favela da rocinha no último final de semana, foram assassinadas pelo menos dez pessoas alguns dos quais foram fuzilados e  executados com tiros pelas costas. Em menos de uma semana mais de dez pessoas morreram e, ao longo dos últimos meses – desde de setembro 18 de setembro, quando o exército estabeleceu a intervenção militar na favela da rocinha – são mais de 50 mortes naquela comunidade.
Esse episódio mostra claramente que a intervenção militar, longe de ter a ver com garantir a segurança do povo fluminense carioca, se trata da intensificação de um ataque, do recrudescimento da ofensiva, da verdadeira guerra que existe das forças repressivas contra a população trabalhadora pobre e negra do rio de janeiro e de todo o país. Isso acontece justamente quando nós vimos que em semanas anteriores, particularmente no carnaval, o povo carioca, como todo o povo brasileiro, deu claros sinais de seu profundo repúdio ao regime nascido do golpe.
As manifestações no carnaval, não apenas da escola de samba “Paraíso do Tuiuti”, mas de outras manifestações nas escolas de samba em blocos no Rio de Janeiro e em todo o país, mostraram um nível de saturação que o povo já não aguenta mais este regime que intensifica a cada dia a sua política de ataque aos trabalhadores e de entrega da economia nacional.
E os ataques da direita não param no Rio de Janeiro (com a matança da população pobre, com o assassinato da vereadora do Psol,  Marielle, e de seu motorista) – se estendem para todo o país. Neste momento, nos últimos dias, assumiram um caráter de ataque diretamente à esquerda e ao ex-presidente Lula através de uma série de episódios e mais recentemente, nas últimas horas, a tentativa de homicídio (à disparos) contra o ônibus da caravana do ex-presidente Lula (nessa terça-feira). E não foram só esses fatos: na última semana uma jovem petistas de 20 anos foi espancada próxima a seu filho e um padre de 64 anos recebeu o mesmo tratamento por parte dos gorilas da direita fascista.
Muitos outros foram atacadas, inclusive, um dirigente do pt paulista que teve um pedaço da sua orelha arrancada. Houve várias pessoas espancadas tentativa atingir o ônibus onde estava o presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff com pedras e paus, mostrando claramente que a direita desesperada pela situação, pela falta de apoio popular, resolveu partir para uma ofensiva atacar os trabalhadores, fuzilar trabalhadores, impedir as manifestações da esquerda e atacar diretamente o ex-presidente Lula que no próximo dia 4 vai ter o seu habeas corpus julgado no supremo tribunal federal.
Diante dessa situação são necessárias adotar duas medidas da maior importância: a primeira delas é a necessidade de organizar uma ampla mobilização para dar uma resposta de conjunto – a única força capaz de derrotar a direita de parar esta ofensiva e de garantir um recuo do golpe e uma vitória é expressiva dos movimentos que apoiam a luta contra o golpe, se posicionam a favor da candidatura, do direito de candidatura do direito democrático do ex-presidente Lula e de todo o povo brasileiro é sair às ruas e inundar as ruas com milhares de pessoas, para mostrar a força popular, a força dos trabalhadores, dos explorados, das suas organizações. Para garantir essas manifestações, para garantir o direito de se manifestar e para deter a ofensiva dos bandos fascistas, é necessário organizar comitês de auto-defesa.
É necessário que a CUT, os outros sindicatos, Movimento Sem Terra (MST), os partidos de esquerda, todos, se organizem, nessas manifestações em todo o país, comitês que garantam o direito de manifestação, o direito de reunião, o direito de mobilização dos trabalhadores e dos explorados. É necessário ter claro que essas investidas contra a caravana do ex-presidente Lula pelos estados do Sul não se tratam de atos isolados. Ontem mesmo, o governador de São Paulo e presidenciável, Geraldo Alckmim, praticamente elogiou a ação dos bandos fascistas dizendo que o PT fazia por merecer, que estava “plantando o que colheu”.
É evidente que a direita está patrocinando, incentivando, toda essa horda de fascistas que procuram agir contra a organização dos trabalhadores e contra as manifestações. Por isso mesmo, é necessário dar uma resposta à altura. Os sindicatos da CUT e as organizações dos trabalhadores precisam organizar sua defesa, não só do ex-presidente Lula, não só das manifestações mas do conjunto das organizações de trabalhadores.
Realizar reuniões plenárias que intensifiquem a campanha de mobilização, mas que tratem diretamente de se organizar em torno da autodefesa dos trabalhadores e de suas organizações. Nas ruas, é preciso colocar a direita para correr: “a rua é do povo, como o céu é do condor”, como dizia o poeta. É necessário colocar a direita pra correr, dar uma resposta à altura e mobilizar milhares de pessoas em todo o país nos próximos dias. Isso cabe para o dia 2 no Rio de Janeiro, no dia 3 em São Paulo e no dia 4 em Brasília; para realizar uma grande manifestação pela vitória definitiva dos trabalhadores.
Diante do golpe, essa vitória não pode ser conquistada simplesmente com medidas no Congresso ou na esperança em relação à justiça. É necessário uma mobilização para impor um recuo à direita e aos golpistas, sair às ruas e criar, já, os comitês de autodefesa. Responder pelos meios que forem necessário às provocações da direita.
Um abraço e até o próximo ‘Colunista do dia'”.
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