Colunistas da COTV: “Ataques à caravana de Lula: isto é o fascismo” por Natalia Pimenta

Na coluna da companheira Natália Pimenta do programa  “Colunistas da COTV.  Nesse programa, ela faz uma análise histórica sobre a necessidade de criação de comitês operários de autoproteção para conter o avanço da “moral” fascista. Como na Alemanha nazista, o fascismo nasce frágil e covarde. Ele morre de medo da população e só avança se não há retaliação da esquerda proletária organizada. A esquerda já barrou o movimento integralista no Brasil  na década de 30 e tem poder de fazê-lo hoje. O povo é a maior força social que existe e, se ele estiver organizado, não há quem fale contra sua vontade.
 https://youtu.be/IhuKltbYCwI

“Boa tarde. Essa semana a caravana do Lula que passou pelo Sul do país sofreu diversos ataques como maioria das pessoas devem ter visto sendo bastante noticiado na imprensa. Ela foi atacada com pedradas enquanto passava pelas estradas, inclusive o ex-deputado Paulo Frateschi acabou tendo parte da sua orelha arrancada, mulheres foram espancadas, houve até chicoteamento. E o último dos casos foi o disparo de tiros contra a caravana, evidentemente qualificado como uma tentativa de assassinato. Apesar da gravidade, a situação não recebeu nenhuma atenção por parte das autoridades.

Esses ataques evidentemente organizados por grupos da direita local, é importante lembrar que nesses estados há uma forte presença dos ruralistas e de uma direita. Vendo as fotos a gente pode facilmente constatar que se tratam de capangas e mesmo de uma elite onde você pode ver mulheres bem vestidas que evidentemente não pertencem à população. Quer dizer, não é de forma nenhuma, uma ‘manifestação popular’, como a imprensa procura apresentar. Inclusive é curioso como eles falam em ‘manifestantes’ enquanto essas pessoas tentam agredir, inclusive de uma forma muito violenta. Podendo até causar a morte por pedradas e tiros. A imprensa fala em manifestantes, enquanto os manifestantes de verdade são tratados como vândalos, terroristas e tudo mais.

O que eu queria ressaltar aqui é o caráter fascista dessas manifestações, porque o fascismo é justamente isso. É a tentativa de parar por meio da intimidação, por meio da força, o movimento operário, os movimentos de trabalhadores, inclusive, fica fácil da gente imaginar que se houver eleições e o PT concorrer mesmo que sem Lula e o resto da esquerda, as eleições não serão, de forma nenhuma um terreno democrático de discussão para ‘conquistar a opinião dos eleitores’. Essas agressões, essas atitudes fascistas, vão continuar da mesma forma e a direita vai procurar de toda maneira impedir a esquerda de fazer a sua campanha eleitoral. Inclusive, se, eventualmente, acontecer algum milagre e Lula puder ser candidato, a gente pode esperar que estas cenas vão se multiplicar e a direita vai fazer de tudo pra, pela força, por meio da intimidação, impedir qualquer tipo de campanha.  É interessante fazer um paralelo com o que aconteceu com o fascismo italiano., por exemplo, e, de uma forma geral, se repetiu em todos os locais os países onde o fascismo acabou tomando o poder.
Na Itália, os fascistas conseguiram conquistar, conseguiram vencer as eleições por meio, principalmente, do porrete e, não da discussão da campanha eleitoral política propriamente dita. Eles se organizavam em bandos fascistas, muito parecido com o que a gente viu no Sul. É por meio da dissolução de manifestações e comícios e agredindo, e, muitas vezes, quase matando as pessoas que faziam a campanha eleitoral pelos partidos da esquerda.
Com tudo isso, a gente vê que realmente o que aconteceu no Sul é uma manifestação de uma organização da burguesia, que tende cada vez mais para o fascismo, na tentativa de impedir que a esquerda retome o espaço, avance, como seria natural, já que as pesquisas, inclusive, apontam que o Lula seria vitorioso nos mais diversos cenários e justamente porque a esquerda provavelmente continuaria no governo é que foi dado o golpe.
Para manter esse golpe eles têm que intensificar cada vez mais a brutalidade dos ataques físicos contra a esquerda, contra o movimento operário. Então, é muito importante a gente ter em mente que a pior coisa que poderíamos fazer é abaixar a cabeça pra essas manifestações, para essas agressões. Quanto mais você recua, mais os fascistas avançam, mais agressivos eles ficam, mais terreno eles ocupam e  mais ele se impõe no sentido de avançar numa política que acaba numa liquidação total da esquerda, do movimento operário como a gente viu nos diversos países europeus na década de 30 e tudo mais.
No Brasil, o integralismo, que era um movimento bastante grande da burguesia, e inclusive o integralismo ele foi o primeiro partido nacional da burguesia brasileira (o que é bastante significativo), mas ele só foi detido quando trabalhadores tanto comunistas, quanto trotskistas, anarquistas e diversos outros se organizaram a fim de  dispersar uma manifestação integralista que depois ficou conhecida como a “Revolta das Galinhas Verdes”. Era uma manifestação realmente pra eles demonstrarem poder. Eles pretendiam que fosse um equivalente da ‘Marcha Sobre Roma’ do Mussolini e foi só quando os trabalhadores do movimento operário se organizaram para dispensar essa manifestação que o integralismo ele foi detido e não levantou mais a cabeça desde então – principalmente no estado de São Paulo.
É muito importante não recuar porque esses bandos fascistas são além de só ‘agressivos’, eles são sobretudo covardes. Porque eles têm a proteção das autoridades – primeiramente da burguesia (setores ‘poderosos’) e, depois das autoridades da polícia, da justiça. Tanto que a gente viu que no Sul eles atacavam e depois se refugiavam nos cordões policiais e tudo mais. Eles são, sobretudo, covardes. Mas, se eles vêem que vai haver uma reação  popular eles se dispersam com grande facilidade. Um fato interessante é que o próprio Hitler, quando organizou suas tropas de assalto, tinha, explicitamente, a política de que é importante eles e as suas tropas de assalto atuarem contra a esquerda e a agredirem fisicamente tanto pra deter a esquerda, quanto para ‘levantar o moral’ das suas tropas de assalto. Ou seja, se eles tivessem sido adequadamente combatidos pelo partido comunista, pela social-democracia – que eram parte dos gigantescos partidos da classe operária – eles teriam sido facilmente dispersados. As fileiras fascistas poderiam ter até sido desorganizadas, mas não, as organizações de esquerda deixaram eles crescerem, deixaram eles ampliarem sua ‘moral’, que eles fossem ocupando cada vez mais espaço no cenário político alemão.
Isso é o que a gente não pode deixar acontecer – estamos sob um golpe de estado, temos que continuar a luta contra esse golpe. Essa atitude passa pela luta contra a prisão de Lula, que passa pela denúncia vigorosa de casos como o da Marielli foi um assassinato político e que se não reagirmos, é possível que isso ocorra mais vezes. Ou seja, houve a tentativa de intimidação das lideranças do movimento operário, do movimento popular camponês. Mas temos que nos organizar para nos defendermos desses ataques fascistas. Isso é importantíssimo.

Os movimentos populares não podem ficar olhando passivamente os fascistas agredirem a esquerda, agredirem nossas manifestações sem fazer nada. A gente tem que se organizar pra parar esses ataques. E, podemos ter certeza de que, uma vez organizados, ganhamos, pois somos muito maiores, muito mais fortes do que eles. Isso ficou provado pela própria caravana porque, enquanto Lula, passou pelo país inteiro em todas as cidades, reuniu milhares de pessoas. A manifestação que a direita e  o Bolsonaro queria organizar em Curitiba, teve que ser desmarcada, cancelada, porque eles viram que não iam reunir pessoas suficientes, ou seja, a gente é infinitamente mais forte do que eles e por isso a gente precisa se organizar para impedir que pela força bruta, pela força bruta também com o apoio das autoridades eles consigam intimidar o nosso movimento.

Pelo contrário nós mesmo que temos que nos defender e não deixar que eles cresçam.
Acompanhe a programação da COTV, veja a consagrada “Análise Política da semana“, com o companheiro Rui Costa (sabados, 11h30).

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