Na Copa, como no Brasil, é preciso derrotar os juízes golpistas

Antonio Carlos em Curitiba

Com um final emocionante para os amantes do futebol (esporte genuíno da classe operária) e torcedores da seleção altamente representativa do povo brasileiro, com uma maioria de negros, de origem pobre, filhos de “mães solteiras“,  como cerca de 40% dos lares brasileiros que são chefiados por mulheres, a imensa maioria do povo brasileiro comemorou a vitória do escrete canarinho (que desta feita vestiu-se de azul) sobre a Costa Rica, decisiva em sua luta pela classificação para a próxima etapa.

Uma seleção de maioria de jovens amantes do futebol, como o jovem Gabriel de Jesus, que, em 2014,  enfeitava rua na periferia torcendo pela seleção, quando a esquerda pequeno burguesa se juntava à direita golpista gritando, isolada do povo, “não vai ter Copa”. Isso, no “país do futebol”, ajudando a derrotar o time do Brasil na Copa e a fortalecer os golpistas que seriam “vitoriosos” em 2016, derrubando o governo eleito pela maioria do povo brasileiro, para colocar em seu lugar um governo inimigo do povo, do futebol, do carnaval, de tudo que diga respeito aos interesses nacionais e serviçal do imperialismo. Torcedores dos EUA, em quase tudo, e dos demais adversários capitalistas do Brasil.

Este mesmo capitalismo que tudo destrói, como um verdadeiro “rei Midas ao contrário”: tudo que toca virá pó, vira mercadoria, perde quase sempre seu valor real, sua beleza sua importância para o povo, transformando-se (enquanto para isso serve) em mera fonte de lucro para o capital e seus donos (menos de 1% da população).

Os aspectos técnicos e outros tantos políticos mais gerais desse jogo por certo estão sendo devidamente analisados no muito bom programa esportivo que o canal Causa Operária TV vem colocando no ar todos os dias da Copa, o “Na zona do Agrião“, mas um aspecto já está ficando por demais evidente para muita gente, como os trabalhadores da periferia da zona sul de São Paulo, com quem tive o prazer de assistir à peleja de ontem, na sede do Comitê de Luta contra o golpe de Vargem Grande, zona sul paulista: para poder disputar a Copa e sermos campeões, ou seja, para fazer valer o título que nos pertence – de fato e de direito -de detentores do melhor futebol do mundo precisamos não só impor nosso melhor futebol em campo, mas precisamos derrotar a armação cada vez mais clara dos juízes (serviçais dos donos da Copa) e de sua nova arma, o “juiz de vídeo” (VAR, da sigla em inglês) que não foi usado para conferir lances em que eram evidentes o prejuízo do time brasileiro (em dois lances decisivos do primeiro jogo do time na Copa) e que, agora, foi usado para anular um pênalti no craque brasileiro, Neymar. Em uma verdadeira intervenção externa do “judiciário” (ou de quem controla o VAR) contra o Brasil.

De tão esdrúxula a situação chegou a ser criticada, em entrevista coletiva pelo técnico da Costa Rica, Óscar Ramírez, ainda que o árbitro holandês Bjorn Kuipers tenha beneficiado sua equipe ao voltar atrás no pênalti em Neymar que ele já havia apitado. “Eu acredito que o VAR é importante porque todos podem cometer um erro, mas o que aconteceu hoje talvez eu tenha visto como uma intervenção negativa. Hoje o árbitro tomou uma decisão e depois mudou de ideia. Embora tenha sido a nosso favor, acredito que o VAR é importante de cabeça para baixo. Quando você não vê algo incontestável“, declarou.

A situação na Copa, imita a sofrida vida do povo brasileiro diante do golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma e mantém como preso político o maior líder popular e líder disparado nas pesquisas eleitorais para a presidência da República. Não vale a superioridade (neste caso manifesta no apoio popular), não valem as Leis, não valem as provas… a vontade dos juízes (e dos seus donos) busca se impor contar tudo e contra todos, ou melhor, contra o povo brasileiro, contra os países explorados que não controlam a FIFA, os grandes monopólios esportivos com interesses em tirar do Brasil a hegemonia no futebol por claros interesses econômicos de aumentar seus lucros com o “negócio do futebol” (para eles não é nada mais do que isso) nos países mais ricos do planeta.

Na Copa e na luta contra o golpe, vamos adiante na luta contra os juízes golpistas, a imprensa golpista e o grande capital inimigo do povo e de tudo que ele gosta.

E que vençam os melhores, os amantes do futebol, a classe operária, os “filhos sem pai”, as vítimas do capitalismo mundial, do imperialismo golpista.