Auxiliar da frente ampla
Guilherme Boulos (PSOL) voltou a publicar colunas no jornal golpista Folha de São Paulo. A dessa semana faz campanha para a vacina de João Doria
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Guilherme Boulos e Bruno Covas nos bastidores do debate de candidatos a prefeito de São Paulo na CNN | Foto:  Kelly Queiroz/CNN Brasil
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Guilherme Boulos e Bruno Covas nos bastidores do debate de candidatos a prefeito de São Paulo na CNN | Foto:  Kelly Queiroz/CNN Brasil

A coluna dessa semana de Boulos no jornal golpista Folha de São Paulo mostra, mais uma vez, o papel que ele desempenha para a direita golpista dentro da política nacional. Intitulado “Colocando a mãe no meio”, o texto é uma verdadeira Ode à vacinação farsesca promovida pelo governador paulista, João Doria.

É interessante relembrar as circunstâncias da recontratação de Boulos pela Folha. Boulos já havia sido colunista do jornal entre 2014 e 2017, período em que teve participação importante no golpe de Estado que derrubou Dilma Rousseff. Na época, ele protagonizou diversos atos contra o  ajuste fiscal e Dilma e chamou as manifestações pelo “Não vai ter Copa”, outra importante pauta golpista. Após esse período, Boulos foi demitido do jornal, provavelmente por já ter feito o que a burguesia queria dele.

No entanto, a burguesia entra em uma nova fase de sua política e necessita do apoio da esquerda pequeno-burguesa para que ela dê certo. Trata-se da política de “frente ampla”, cujo principal objetivo é lançar um candidato da direita que tenha apoio da esquerda para derrotar Bolsonaro e reconduzir ao poder o setor fundamental da burguesia. A volta das palavras de Boulos às páginas da imprensa golpista tem como objetivo induzir toda a esquerda a essa gigantesca armadilha.

No texto publicado essa semana, há uma clara demonstração dessa política. Nele, Boulos relata de forma patética – no sentido literal da palavra – a sua perspectiva diante da vacinação de sua mãe. Seu relato é repleto de demagogias, apelando para um sentimentalismo clichê, a fim de fazer uma propaganda do embuste que é a campanha de vacinação do governador do Estado de São Paulo, João Doria.

A mãe de Boulos é médica do Hospital das Clínicas e foi vacinada essa semana, com outros funcionários da área da saúde. Em sua coluna, o psolista procura demonstrar a alegria que a vacina trouxe para toda a família Boulos, dizendo “Quando veio a pandemia, ela, por ser do grupo de risco, ficou um período em casa. Mas depois voltou a atender no hospital, para aflição minha e de minhas irmãs. Imaginem nossa alegria quando ela recebeu a vacina, junto com os demais profissionais do HC”.

Não há, em seu texto, nenhuma menção ao fato de que a vacina Coronavac possui apenas 50% de eficácia, tampouco há críticas à quantidade irrisória de doses produzidas pelo governo de São Paulo e distribuídas para o resto do país. São apenas 6 milhões de doses para uma população de 210 milhões de habitantes, isso considerando que, para ter alguma eficácia, a vacina deve ser aplicada duas vezes. Ou seja, seriam necessárias mais 414 milhões de doses para uma imunização de toda a população brasileira. Mesmo que não se pretenda aplicar o imunizante em 100% da população, é importante lembrar que, devido à sua baixa eficácia, a campanha necessita ser mais ampla que o normal para que seja efetiva, necessitando que pelo menos 90% da população receba a vacina, faltando, nesse caso, 372 milhões de doses.

A ausência de críticas a Doria é completada com alguns ataques a Bolsonaro. Segundo Boulos, é graças à sua “estupidez” que muitas outras mães e pais pelo Brasil afora correm o risco de não receberem vacina alguma. O que leva a um apelo sentimental pelo impeachment do presidente ilegítimo, o que seria, segundo Boulos, não apenas uma causa política, mas uma causa “humanitária”. A crítica oculta o fato de que morte da população na pandemia não vem da “estupidez” de nenhum indivíduo, mas é uma política deliberada da burguesia de conjunto, não só no Brasil, mas no mundo todo. Atribuir todo o problema a Bolsonaro e não mencionar o fiasco da atuação de todos os governadores – e particularmente de Doria – durante a crise sanitária, é acobertar os crimes da burguesia.

É preciso denunciar que essa coluna de Boulos é pura propaganda de João Doria. O fato de ele não mencionar o nome do governador é sintomático: o apoio ao PSDB deve ser disfarçado para funcionar melhor. Afinal, nenhum cidadão em sã consciência aceitaria o apoio a um genocida psicopata do quilate de Doria abertamente. Desse modo, a campanha se dá por meio do apoio à vacina, que está sendo propagada por toda a imprensa burguesa como uma conquista do governo paulista. Essa promoção da vacina ainda cumpre com a função nefasta de propagar que existe vacinação no Brasil, o que é uma gigantesca mentira, tendo em vista os argumentos apresentados acima.

O fundamental de tudo isso é que Boulos está cumprindo uma função muito importante para a burguesia: a de convencer toda a esquerda a apoiar o que muito provavelmente será o “Joe Biden brasileiro” nas eleições de 2022, o governador genocida João Doria. É preciso rejeitar totalmente essa política. Doria é tão ruim quanto Bolsonaro e tão responsável pelas mortes pela covid-19 quanto ele. A classe trabalhadora e a esquerda nacional não devem se colocar a reboque da direita tradicional, que é uma das forças mais reacionárias e destrutivas da política nacional, responsável pelo golpe de estado e pela ascensão de Bolsonaro ao poder. Para combater essa política absurda, é preciso lutar pela restituição dos direitos políticos de Lula e por sua candidatura à presidente nas próximas eleições.

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