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Recentemente, entidades do movimento negro assinaram uma nota pública na qual é criticada a postura do governo golpista de Jair Bolsonaro no tocante à legalização do porte de armas de fogo no Brasil.
A nota, que foi entregue à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), organismo ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), pretende demonstrar que o armamento proposto por Bolsonaro implica no aumento de mortes da juventude, e que servirá para o aumento do genocídio do povo negro. 

A posição das direções do movimento negro contra o armamento já é relativamente tradicional. Antes mesmo da discussão apresentada pelo governo golpista, um setor majoritário na direção do movimento negro já se colocava contra o armamento da população, sob a mesma justificativa apresentada na nota citada acima. 

Primeiro é preciso dizer que a burguesia, os fascistas, os racistas e o Estado estão, todos, armados, e já faz bastante tempo. O Estatuto do Desarmamento só serviu para retirar as armas de um pequeno setor da população, mas outros setores, como os latifundiários, possuem armas há décadas, legais ou ilegais, para eles tanto faz, posto que controlam, também, o próprio Estado. 

Desde sua existência, a burguesia se armou para controlar a revolta dos explorados. Por isso a ilegalidade das armas no Brasil. É daí que surgem tantas polícias no país, além da principal homicida do povo negro, a Polícia Militar.

O pobre, o trabalhador, o negro, nunca tiveram acesso legal às armas no Brasil porque isso seria extremamente perigoso para os donos do regime, especialmente em tempos de golpe de Estado, como este que o país vive. 

Os grupos de extrema-direita, também, estão armados. Estes em sua maioria são compostos por gente que já cerrou fileiras dentro de algum órgão de repressão estatal. O mesmo ocorre com os esquadrões da morte, espalhados pelo Brasil, e que atuam na limpeza social e racial a mando da burguesia racista. 

Todos eles possuem armas, independente das obrigações legais para fazê-lo. A lei, em último caso, só serve para o pobre. Para os ricos, toda proibição deve ser flexibilizada. E , para isso, controlam o Poder Judiciário, o Executivo, as polícias, enfim, todo o sistema de repressão. 

A morte de negros por arma de fogo é um resultado direto do regime de opressão social e racial que a burguesia golpista impôs contra o país. Não se trata de ter mais ou menos armas em circulação, a burguesia racista sempre conseguiu algum jeito para massacrar o negro.

O negro desarmado é o principal requisito para seu próprio aniquilamento. O Estado, sabendo que o negro está desarmado, o abate feito mosca, por isso os números, que só crescem, de homicídios causados pela polícia.

Bolsonaro quer agradar sua base social, somente, não pretende que o povo, o trabalhador tenha armas. Os decretos sobre o tema editados pelo governo golpista não dão acesso ao povo às armas, apenas cria facilidades para os que já possuem armas.

Witzel, governador do Rio de Janeiro, comandou os disparos efetuados, por helicóptero, contra a população das favelas. Uma ação abertamente fascista, para oprimir e executar o povo desarmado. Fez o que o que toda burguesia golpista quer fazer, ou seja, massacrar o povo covardemente. 

O direito democrático a ser exigido, diante dessa situação, é que o negro, o pobre, o trabalhador, possa se defender diante dos ataques desferidos, à altura, por todos os meios necessários, como afirmou Malcolm X, um dos representantes do movimento negro que defendia o armamento do oprimido para resistir à opressão.

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