Catástrofe da “Cidade Maravilhosa” é produto do golpe

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Cantada em verso e prosa como Cidade Maravilhosa, com seus 6,7 milhões de habitantes e já tendo sido detentora de quase 7% do PIB nacional (hoje tem cerca de 5%), a cidade do Rio de Janeiro, tornou-se – mais uma vez – a ocupar o centro do noticiário, diante da situação catastrófica a que ficou submetida depois das pesadas chuvas dos últimos dias que já Resultado de imagem para mortos chuvas no Rioprovocaram a morte de, pelo menos, 12 pessoas, segundo dados oficiais.

As últimas duas mortes (até momento em que escrevíamos esta coluna) havia ocorrido no bairro do Muzema, Zona Oeste,  controlado por milícias armadas que, Resultado de imagem para desabamento Rioinclusive, impediram a demolição dos prédios irregulares, e foi um dos mais afetados pelas fortes chuvas das últimas horas,

Depois de afirmar que não o faria, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, decretou estado de calamidade.

Embora o atual governo aja com tradicional desprezo por tudo o que diga respeito aos interesses da população carioca, como fazem todo os governos burgueses e golpistas – ainda mais na situação de crise atual –  é por demais evidente que nem ele, como tampouco “as chuvas” podem ser apontados como os maiores responsáveis pela situação caótica da cidade. Esta responsabilidade deve ser atribuída ao golpe de Estado que, em 2016, derrubou a presidenta Dilma Rousseff e que fez do Rio de Janeiro (Estado e Capital) um dos maiores alvos da politica de terra arrasada contra a economia nacional e o povo brasileiro, levada adiante.

Nos anos anteriores ao começo da campanha golpista o Estado do Rio chegou a alcançar índices de crescimento superiores a 10% semelhantes às taxas chinesas dos melhores períodos. A situação refluiu com pesados cortes nos gastos públicos, campanha contra as empresas nacionais (como a Petrobras e empreiteiras), privatizações de empresas públicas etc. em favor de empresas e especuladores capitalistas.

Essa politica de rapina e não o suposto “combate à corrupção”, que nunca existiu nem no Rio, nem em qualquer lugar do País, explica a perseguição política e prisão de vários governadores e políticos cariocas que – como representantes da burguesia fluminense – estiveram aliados aos governos do PT e foram beneficiários de uma certa política de investimentos, obras estatais etc. postas em execução no Estado como em todo o País, em benefício do grande capital local e, é claro, de suas máfias políticas, tradicionais em qualquer regime político capitalista.

Na própria mensagem de declaração de calamidade, publicada nesta quinta (dia 11), no Diário Oficial, se afira que “(O estado de calamidade considera) a grave crise econômica que assola o Município do Rio de Janeiro, que contabiliza a perda de mais de trezentos mil empregos formais nos últimos anos, potencializada pelos vultosos saques aos cofres municipais, como os que vêm sendo investigado no âmbito da Operação Lava Jato, ocorrências que contribuíram para a redução de vinte por cento Produto Interno Bruto – PIB municipal”.

Dados generosos uma vez que estudos aponta que há mais de meio milhão de cariocas (ou seja, na capital, sem emprego e cerca de 1,5 milhão de mão de obra subaproveitada, isto é, desempregada, desalentada ou vivendo de bicos etc.)

A degradação econômica promovida pelo golpe levou o Estado do Rio a perder mais de um milhão de empregos, passando a ter uma das mais altas taxas de desemprego do País (mesmo tendo a segunda maior economia nacional); servidores públicos do Estado e município vem sofrendo com atrasos e/ou “congelamento” dos salários há vários meses; setores inteiros da produção foram praticamente levados a uma situação de quebradeira para favorecer o grande capital internacional, como é o caso da indústria naval, entre outros.

Toda essa política só se tornou possível com a instalação de um verdadeiro regime de terror e repressão contra o povo trabalhador do Rio de Janeiro que ficou, por mais de um ano sob intervenção militar e teve as comunidades operárias tomadas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que só fizeram crescer a matança da população pobre, negra e da juventude e que se associou à estrutura paraestatal, em torno da repressão e dos negócios bilionários do tráfico de drogas, armas e outros.

Esta situação evidencia que a solução para o caos- que tende a se aprofundar no Rio – não pode ser buscado em uma saída eleitoral, pela substituição de Crivella por outro governo burguês, como procura fazer a burguesia, sua imprensa e seus partidos, com a devida colaboração de setores da esquerda que, inclusive, procuram se colocar como “alternativa” para setores da própria burguesia golpista que apoiaram o golpe e a política de destruição do golpe de Estado, contra o povo do Rio, seu regime de terror (ocupação etc.). Por isso mesmo a politica desses setores da esquerda, como o PSOL, está baseada não na mobilização popular para por abaixo o regime golpista e seus ataques, mas na tentativa de usar o caos em proveito de um êxito eleitoral, em aliança com setores da burguesia (como o PSDB e da Rede Globo, que apoiaram, por exemplo, a candidatura de Marcelo Freixo, nos últimos anos).
Em oposição à essa perspectiva de derrota e que serve apenas aos interesses de uma ala da esquerda pequeno burguesa de se projetar e ocupar espaços na administração da falência do Estado, é preciso organizar e mobilizar os setores da classe operária e demais setores explorados de forma independente das diversas alas da burguesia golpista em favor de um programa de luta contra o regime golpista e suas consequências draconianas no Rio de Janeiro e em todo o País.
Este programa deve levantar a necessidade de colocar para fora Bolsonaro, Witzel e todos os golpistas, levantar a defesa de Lula para fortalecer a luta da classe trabalhadora e da esquerda em todo o País e se opor ao regime de repressão com a reivindicação da dissolução da PM e de todo o aparato repressivo e a derrota de toda a politica de ataques contra a população como a “reforma” da Previdência (que vaia gravar a degradação econômica do Estado e do País em favor dos banqueiros); as privatizações; contra o desemprego etc.