A “ecologia” como método para repressão da luta pela terra

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Nesta semana, o governador playboy do Estado de São Paulo, João Doria, se utilizou da legislação ambiental para justificar a destruição das casas e roças de centenas de pessoas que vivem na comunidade caiçara de Rio Verde-Grajaú, na Estação Ecológica da Juréia, entre os municípios de Peruíbe e Iguape, litoral sul do Estado.

Quem olha de maneira superficial vai cair no “conto da carochinha” da direita de que as famílias estão num local de preservação ambiental e devem sair de qualquer maneira. Mas a imprensa burguesa, de maneira intencional, não aborda que essas famílias já viviam ali a centenas de anos e que nunca sequer foram indenizadas pela criação da unidade de conservação.

E o mais importante, o que preservou a mata atlântica no local foram as famílias caiçaras que estão vivendo lá e impediram os latifundiários e a especulação imobiliária de destruir a floresta da região.

Quem iria imaginar que o governador de São Paulo, João Doria, apelidado de João Escória, por seus atos fascistóides na prefeitura e no governo. Doria mandou retirar cobertores e pertences de moradores de rua, jogar água nesses moradores nas madrugadas congelantes da cidade de São Paulo, mandou demolir casas com pessoas dentro, mandou policiais atacarem os viciados em crack na cracolândia e por aí vai, estaria agora preocupado com a preservação do meio ambiente, das árvores, dos macaquinhos, da borboletinha. Só acredita quem é muito ingênuo ou tem interesses escusos em colocar aqueles trabalhadores na beira da estrada sem casa e comida.

Mas a intenção não é discutir sobre o caso, mas apresentar um método que a direita se utiliza constantemente para atacar os movimentos de luta pela terra. A direita, que se preocupa com a questão ambiental da mesma maneira que se preocupa com os trabalhadores, faz utilização das leias ambientais com muita demagogia e cara-de-pau.

Em maio do ano passado, a indígena Guarani Mbya, Teresa Gimenes, foi presa pela a guarda municipal fascista do prefeito golpista tucano Nelson Marchezan Júnior, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), sob a acusação de crime ambiental, pois estavam com um macaco de estimação.

A indígena, que no momento estava com dois filhos pequenos foi abordada e seguiu para a cadeia após denúncia de pessoas que queriam tirar os indígenas que ficam vendendo artesanato nas ruas e praças da cidade. É a limpeza social que a extrema direita fascitóide quer para o “embelezamento” da cidade e pelo meio ambiente.

Também houve o caso da prisão de cinco indígenas Avá-Guarani do Tekoha Mokoi Joegua por cortarem três taquara para fazer artesanato de uma das ilhas da Reserva Biológica da Usina Binacional de Itaipu, localizada em Santa Helena, região oeste do Estado do Paraná, mas que são áreas reivindicadas pelos indígenas desde o enchimento da barragem. Os indígenas foram expulsos violentamente de suas terras e muitos levados ao Paraguai pelas autoridades militares. Concidentemente, entre os presos estavam lideranças importantes da luta dos indígenas pela demarcação de suas terras.

 

No Extremo Sul da Bahia, os indígenas pataxó sofrem com o fascismo ambientalista dos latifundiários, do judiciário e dos órgãos estatais que para evitar a demarcação de suas terras, acusam estes de destruir os últimos remanescentes de Mata Atlântica. Os indígenas apenas utilizam dos recursos naturais para fazer artesanato em suas terras que foram tomadas por latifundiários e unidades de conservação. Em vez de demarcação e sustento de suas famílias, a extrema direita quer que os indígenas passem fome e abandone a luta pela terra nessa região.

Esses são alguns casos, mas que existem muito mais que não foram registrados na imprensa ou que não conseguimos ter acesso, onde a extrema direita fascista se utiliza da legislação ambiental para reprimir os movimentos de luta pela terra. Sejam os movimentos indígenas, sem-terra, quilombolas, caiçaras e muitos outros alvos dos latifundiários, das mineradoras e da especulação imobiliária.

Enquanto quem verdadeiramente causa um grande dano ao ambiente e a saúde das pessoas, como as grandes indústrias e o latifúndio continua impune. Como exemplo a mineradora Vale que matou centenas de trabalhadores, cidades e destruiu um dos mais importantes rios brasileiros, o rio Doce, após o rompimento de uma de suas barragens. E anos depois rompeu outra barragem e mais mortes.

Em muitos casos, como dos caiçaras em São Paulo, há apenas um interesse em venda das terras desses povos pela especulação imobiliária devido ao seu elevado valor e para privatização de unidades de conservação.

É um método cada vez mais utilizado e com justificativa ambiental para impor uma política fascista. A esquerda e os movimentos sociais não devem se apegar nas questões morais e demagógicas da direita para não defender os trabalhadores e a população explorada.