Spielberg, Netflix e o monopólio do cinema

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Um dos debates que vem acontecendo no chamado “mundo do cinema” é a discussão feita recentemente pelo diretor Steven Spielberg contra a participação de filmes de streaming, mais precisamente filmes da Netflix, no Oscar.

Na última edição do prêmio da indústria do cinema, o filme da Netflix, “Roma”, venceu em três categorias, Filme Estrangeiro, Fotografia e Direção e quase levou o de melhor filme. Um destaque considerado para um filme que sequer passou nas salas de cinema, ou seja, não arrecadou milhões de dólares de bilheteria.

Os argumentos apresentados pelo veterano diretor de cinema são bem simplórios. A Netflix é um canal de TV e portanto os seus filmes devem concorrer em premiações que premiam filmes para a TV, como é o caso do Emmy. Mas como a ingenuidade passou longe, é óbvio que Spielberg está representando os grandes estúdios, ele mesmo dono de um, que se veem ameaçados pelo sistema de streaming da Netflix.

A Netflix, por outro lado, é mais um gigante do cinema, mais uma empresa capitalista interessada em dinheiro, assim como os estúdios. E para tanto investiu nada mais e nada menos que 50 milhões de dólares para que “Roma” tivesse o destaque suficiente para obter as 10 indicações que foram para o filme de Alfonso Cuarón que resultaram nas três estatuetas.

O fato da Netflix ter possibilitado uma certa democratização para se assistir os filmes já que uma mensalidade do canal de streaming chega a ser mais barato que um ingresso no cinema, gera uma falsa ideia, defendida por muitos, de que a Netflix é uma alternativa mais humana ao canibalismo dos blockbusters que dominam as salas de cinema. Podemos dizer que é uma outra forma de ver filmes, mas que tem tanto interesse econômico quanto os filmes de Hollywood.

O investimento da Netflix no Oscar não é à toa. Os filmes que passam no Oscar, que ganham prêmios, são muito rentáveis. Ganham destaque, ficam em evidência, são comentados em todos os meios de imprensa o que gera mais receita para os filmes.

Outro mito da Netflix é que produz filmes “maravilhosos”, em primeiro lugar grande parte dos filmes que supostamente são produzidos pela Netflix, na verdade são comprados, prontos, pelo serviço streaming. Já a parte do “maravilhosos” não é bem assim. Há muito filme ruim “produzido” pela Netflix. Sem falar das produções abertamente golpistas, como “Capacetes Brancos”, “O Mecanismo”, etc.

De um lado, Spielberg, representando a indústria carniceira que não quer perder o monopólio do cinema. De outro, a Netflix que sob a fachada de uma inovação, inclusiva e plural, também quer seu quinhão no mercado de cinema.

Já o público fica sentado assistindo a esta briga que não deve acabar tão cedo. O fato é que com o advento da internet e dos sim, maravilhosos, sítios que permitem baixar filmes que estão no cinema ou na Netflix, sem custo, o cinema está mais acessível que nunca.