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gangue

substantivo feminino
associação de malfeitores; bando, quadrilha.

 

Os vazamentos das mensagens trocadas entre responsáveis pela prisão de Lula e da operação Lava Jato deram uma pequena amostra de como funciona o Poder Judiciário de conjunto.

Embora a legislação e a Constituição Federal determinem uma série de procedimentos e princípios a serem seguidos pelos aplicadores da lei, os escândalos envolvendo as mensagens trocadas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol mostram que não existe lei no Brasil, mas uma gangue que se associou para dar o golpe de Estado e prender Lula.

Um dos últimos capítulos da novela envolve uma negociação para evitar que Sérgio Moro fosse atacado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tribunal que seria órgão originário de julgamento de vários políticos investigados pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, do qual Moro fazia parte. Era uma questão de foro privilegiado, também previsto em lei, que Sérgio Moro pretendia passar por cima para atingir os objetivos da golpista Lava Jato. 

Nessas mensagens vazadas, e que é apenas parte de toda negociação golpista, já foi denunciado que a prisão do ex-presidente Lula foi arquitetada, pensada pela gangue, para prender o líder máximo do PT sem provas e o mais rápido possível para que ele ficasse fora do pleito eleitoral de 2018. 

O método utilizado é o da comunicação da acusação com o órgão julgador, para se chegar a um acordo sobre como o acusado será condenado, independente da existência de provas de crimes ou não. Também por isso o Brasil detém quase 800 mil pessoas presas nos depósitos humanos chamados de penitenciárias. É um método da ditadura, da inquisição. 

A isenção do juiz, determinada por lei, é totalmente destruída em favor dos interesses dos golpistas. Estes, por fim, e isso já faz algum tempo, se reuniram nos órgãos do Estado, especialmente no Poder Judiciário, onde ninguém recebeu nem um único voto de qualquer pessoa que seja. É o poder mais arbitrário que existe. 

Se for feita uma investigação séria, certamente irão descobrir que os mesmos métodos foram utilizados no processo-farsa do “Mensalão”, na deposição ilegal de Dilma Rousseff e em todos os demais processos encabeçados pelos golpistas. 

É tudo passível de anulação. Os processos, todos, precisam ser anulados. É óbvio que foram processos viciados, com um juiz interessado na condenação de seus acusados. Todos os presos da operação da Lava Jato deveriam ser colocados imediatamente em liberdade, especialmente o ex-presidente Lula. 

É dizer: os malfeitores estão no pólo errado da relação processual. Os malfeitores estão negociando e julgando os processos de gente inocente. O democrático, neste caso, não é aguardar as próximas eleições para resolver o problema, mas exigir nas ruas, liberdade para Lula, novas eleições gerais e Lula candidato, com a derrubada do governo golpista de Bolsonaro. 

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