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Antônio Carlos Silva

Novamente, sobre as bandeiras

Os vermelhos que verde-amarelaram

Vermelho ou verde e amarelo? Tanto faz? Claro que não!

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Foi quando comecei a militar e desempenhar minhas funções na redação dos órgãos de imprensa do PCO que tomei contato com a imprensa da esquerda. Desde então, leio e polemizo com jornais, blogs e páginas na internet que são desconhecidos da maioria da população. A maior parte desses órgãos da imprensa de esquerda – digitais, pois impressos são cada vez mais raros – no entanto, não deixa claro à primeira vista que se trata de instrumentos de comunicação de esquerda. Ostentam praticamente todas as cores do arco-íris menos uma: o vermelho.

Há uma exceção. Em 2003, quando começamos a editar o jornal diário do Partido na Internet – então chamado Causa Operária Notícias Online, dentro do portal do Partido (pco.org.br) – o veículo da esquerda com maior audiência era o Vermelho, editado pelo PCdoB. Não havia muitos outros, é verdade. Mas, de modo geral, ainda não há, pois os partidos de esquerda, até hoje, não se colocaram a tarefa de divulgar com suas próprias forças suas ideias, feitos e propostas. Recorrem, quando acham necessário, à imprensa burguesa.

Voltemos ao Vermelho, embora sobre o seu conteúdo tenhamos muito pouco a dizer. Foi fundado em 2002, às vésperas das eleições que colocaram Lula na Presidência. É, como a maioria das publicações da esquerda pequeno-burguesa,  um apanhado de generalidades e, por se tratar de um órgão partidário, cumpre às vezes a função de “diário oficial” da esquerda parlamentar.  É de se notar, no entanto, que um nome tão adequado a uma publicação de esquerda tenha sido adotado pelo partido que também se apropriou de outro termo e fala em nome de algo tão importante e caro à classe operária, o comunismo.

Faço essa observação porque, é preciso que fique claro, o PCdoB nunca foi comunista e seu jornal, tanto como os discursos de seus representantes, mais recentemente, foram tomados pelo verde e amarelo. Recentemente, quase 20 anos depois do PCdoB fundar o “Vermelho”, um de seus porta-vozes no movimento estudantil, o presidente da UNE, Iago Montalvão, disse em uma manifestação pelo “fora Bolsonaro”: “devemos bater continência para a bandeira brasileira”.

Não é surpresa que o mais rastaquera dos partidos da esquerda nacionalista se veja na contingência de defender a bandeira verde e amarela e esconder a bandeira vermelha e a foice e o martelo que usurparam. A pressão da direita vem crescendo e, com ela, as medidas antidemocráticas que estão colocando a esquerda pequeno-burguesa parlamentar contra a parede com a ameaça de perderem o palanque eleitoral e a tribuna parlamentar com a cláusula de barreira. Não à toa o próprio PCdoB já vem namorando há algum tempo com a ideia de uma fusão com um partido burguês pseudoesquerdista – o PSB – e cogitaram até mesmo abandonar o comunismo, o vermelho e a foice e o martelo… no mesmo ano em que comemoraram os 99 anos da fundação do histórico PCB!

Talvez seja mesmo um presentaço para o centenário do Partido Comunista que a legenda que abrigou nos últimos anos figuras como o ex-ministro Aldo Rebelo (hoje no Solidariedade, e que disse recentemente que a Comissão da Verdade, que investigou os crimes da ditadura militar, foi um erro porque ofendia as Forças Armadas) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (recém migrado para o PSB), ardoroso defensor da colaboração de classes, da política de frente ampla com PSDB, MDB, DEM e congêneres.

Até aí, nada de novo. Mais um partido de esquerda conhecido pelo vermelho de sua bandeira, o PT, também adota procedimento semelhante e sistemático. Desde que farejaram a possibilidade de eleger Lula, o vermelho é cada vez mais um detalhe na suas campanhas e, sempre que possível, é substituído pelo verde e amarelo e a bandeira nacional. Outro expoente da esquerda reformista e parlamentar, o PSOL, por sua vez, encontrou uma saída mais fácil: sequer adotaram o vermelho em primeiro lugar, ostentando bandeiras amarelas desde sua fundação.

É interessante, ainda, assinalar o momento de uma virada decisiva para outro setor da esquerda, os partidos que se dizem revolucionários e que, até recentemente, não haviam colocado em questão o vermelho: junho de 2013. Na esteira das manifestações sequestradas pela direita – que levou às ruas os coxinhas vestidos com camisas da Seleção Brasileira – o PSTU, sentenciou: “a saída é verde, amarela e vermelha”. Sim, caros leitores, “verde, amarelo e vermelho”. As palavras, contudo, enganam. Seu sentido pode ser mais bem compreendido da seguinte maneira: “Agora é hora do verde e amarelo. Deixemos de lado o vermelho”.

Mas por que a esquerda renega o vermelho? Por que se desfazem com tanta ligeireza da cor que carrega a memória de mártires e revoluções, que inspira o respeito às massas e medo à burguesia? A chave está nesse medo. Partidários da frente ampla, pescadores de águas turvas, pseudostalinistas do PCdoB, pseudotrotskistas do PSTU e tutti quanti não querem “assustar” a direita com quem quer chegar a um acordo. E esse é o grande problema colocado pela realidade. Na hora que as manifestações pelo “fora Bolsonaro” começam a levar centenas de milhares de pessoas às ruas, a esquerda deixou suas bandeiras em casa, no armário, à espera de um acordo que não virá… porque não há acordo com a direita que não vá levar à derrota e desmoralização do movimento. Não importa quantas vezes abaixem suas bandeiras vermelhas, para a direita, a esquerda nunca vai deixar de ser esquerda.

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