Voltar às ruas, pela liberdade de Lula e por Fora Bolsonaro

lula caravana

Em carta ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, que se reune nesse fim de semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mantido como preso político há quase oito meses, de pois de ser condenado sem provas, busca debater a orientação do seu partido, no momento em que muitos setores da direita petista procuram direcionar o partido em direção a uma capitulação total diante do governo ilegítimo de Jair Bolsonaro e do próprio regime erguido sob o golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e impediu uma nova eleição de Lula.

Ao invés de culpar o próprio partido e seus dirigentes pela derrota, como faz a imprensa golpista, e a esquerda burguesa e pequeno burguesa (de dentro e de fora do PT), defensores da “autocrítica”, Lula – corretamente – assinala que “esta não foi uma eleição normal”, pois, “povo brasileiro foi proibido de votar em quem desejava, de acordo com todas as pesquisas. Fui condenado e preso, numa farsa judicial que escandalizou juristas do mundo inteiro, para me afastar do processo eleitoral”.

Denunciando o caráter fraudulento do processo eleitoral, Lula acrescenta que Bolsonaro “criou uma indústria de mentiras no submundo da internet, orientada por agentes dos Estados Unidos e financiada por um caixa dois de dimensões desconhecidas, mas certamente gigantescas. É simplesmente vergonhoso para o país e para a Justiça Eleitoral que suas contas de campanha tenham sido aprovadas diante de tantas evidências de fraude e corrupção”.

O ex-presidente critica Moro, aqui também se opondo aos petistas e outros esquerdistas que elogiaram sua atuação e continuam a defender a lava jato e expressa sua compreensão de que “a máquina do Ministério da Justiça vai aprofundar a perseguição ao PT e aos movimentos sociais, valendo-se dos métodos arbitrários e ilegais da Lava Jato”.

Longe de desejar “sucesso” e “boa sorte” para o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro (como fizeram Haddad, Ciro Gomes, os governadores do Nordeste etc), o ex-presidente o ataca duramente, dizendo que o mesmo “se apresentou ao país como um candidato antissistema, mas na verdade ele é o pior representante desse sistema. Foi apoiado pelos banqueiros, pelos donos da fortuna; foi protegido pela Rede Globo e pela mídia, foi patrocinado pelos latifundiários, foi bancado pelo Departamento de Estado norte-americano e pelo governo Trump, foi apoiado pelo que há de mais atrasado no Congresso Nacional, foi favorecido pelo que há de mais reacionário no sistema judicial e no Ministério Público, foi o verdadeiro candidato do governo Temer”. E denuncia que o mesmo “vai executar um programa ultraliberal, de entreguismo e privatização, que não foi apresentado aos eleitores e muito menos aprovado nas urnas”; diante do que defende que “o PT nasceu na oposição” e que é isso que o partido tem de “voltar a fazer agora”.

Lula, apresenta o confuso caminho que levou a inúmeras derrotas no passado, inclusive recente, diante dos golpistas, defendendo “atuar em conjunto com todas as forças da esquerda, da centro-esquerda e do campo democrático”, sem estabelecer uma diferenciação com aqueles que, sob tais rótulos, se colocaram ao. lado do golpe de estado que derrubou a presidente Dilma, que ajudaram a aprovar as reformas do governo golpista de Temer contra os trabalhadores e que, inclusive, apoiaram e apoiam a prisão de Lula e a perseguição contra o PT e a esquerda. Propondo uma “soma” de forças em que há setores que atuam diretamente contra os trabalhadores, suas organizações e lideranças e se juntam aos seus inimigos em função de seus interesses próprios e daqueles que representam.

Se opondo à paralisia dos que pregam esperar por novas eleições, “virar a página do golpe”, enfim, agir como se o País não estivesse sob a égide de um golpe de estado que está promovendo o maior retrocesso nas condições de vida do povo brasileiros de todos os tempos, Lula aponta o caminho da reação, indicando que é preciso “voltar às ruas, às fábricas, aos bairros e favelas, falar a linguagem do povo, nos reconectar com as bases”, afirmando que “o impossível não existe”.

A tarefa, não só dos petistas, mas de todo o ativismo classista, da esquerda revolucionária, é superar a politica dos que pregam a capitulação e a conciliação com os golpistas e sob a base de uma política não apenas de oposição eleitoral mas , principalmente, de organização e mobilização independente dos explorados e de suas organizações de luta, colocar de pé uma amplo movimento de luta, de unidade dos que lutam contra o golpe, organizado em comitês a partir dos locais de trabalho, estudo e moradia, tendo como base uma política de enfrentamento com os golpistas em pontos centrais e que unifiquem essa luta como a defesa do fora Bolsonaro e de todos os golpistas e a luta pela liberdade de Lula e de todos os presos políticos, para barrar toda a ofensiva da direita contra o povo brasileiro e a economia nacional.