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Izadora Dias

Izadora Dias

Coordenadora do coletivo de negros João Cândido, militante do Partido da Causa Operária. Apresenta de segunda a sexta, o Reunião de Pauta na Causa Operária TV, às 9h e o programa Tição no mesmo canal às quinta-feiras às 19h.

Armamento do povo

A autodefesa dos Panteras Negras

O Partido dos Panteras Negras mostraram a importancia do armamento para a autodefe dos oprimidos contra a tirania do regime capitalista.

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Manifestação dos Panteras Negras contra a lei de desarmamento da Califórnia – Foto: Reprodução

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Quase todo mundo conhece ou já ouviu falar dos Panteras Negras. Alguns lembram em primeiro lugar dos seus cabelos “black power”, dos seus punhos cerrados para cima e das suas jaquetas de couro, mas algo fica ocultado em relação a esse grupo que não tratava-se de um movimento de moda, ou simplesmente um grupo contra o racismo. Tratou-se de uma organização política revolucionária, um partido com um programa político, imprensa e organização em defesa a reivindicações para a população negra norte-americana.

Diante da ofensiva dos ataques da direita, como o grupo supremacista Ku Klux Klan e do próprio Estado contra as comunidades de negros nos EUA, o Partido dos Panteras Negras surge diretamente da necessidade de se defenderem destas ofensivas. Em inglês, Black Panthers for self-defense, traduzindo ao pé da letra, Panteras Negras para auto-defesa confirma essa intenção. Fundado por Bobby Seale e Huey Newton em outubro de 1966, atuaram entre os anos de 1969 a 1972, se expandiram para centenas de cidade e diminuíram consideravelmente a violência policial nas comunidades negras. 

Claro que o grupo enfrentou uma grande resistência, o governo norte-americano até tentou mudar a lei de armamento para impedir o desenvolvimento da organização de autodefesa da população negra, além da FBI ter atuado fortemente para perseguir e criminalizar os Panteras Negras.

Um acontecimento marcante foi quando os membros  do Partido invadiram, em protesto, a Assembléia Legislativa da California contra a Lei de Armas de Mulford, uma lei de desarmamento, que tinha como objetivo desarmar os Panteras Negras. Essa ação mostra como a direita faz demagogia com o armamento, pois quando trata-se do armamento das organizações populares, a direita é totalmente contra e age para impedir que esses setores se armem e possam se defender. O interesse direitista sobre o armamento só serve para armar grupos da direita que possam agir mais fortemente contra os oprimidos.

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Esse ato, não a toa, causou um grande alvoroço, os panteras entraram armados na assembléia em defesa do seu direito ao armamento e para esse acontecimento, Huey Newton escreveu uma importante carta do porquê os oprimidos deveriam se armar e se defenderem da ofensiva imperialista do governo dos EUA por todo o mundo.

Abaixo a carta de Huey Newton escrita em resposta à Lei de Armar de Mulford: 

“O Partido Pantera Negra para a Autodefesa chama o povo americano em geral e o povo negro em particular a estarem atentos e cuidadosos à Legislatura racista da Califórnia, que agora está pensando em uma legislação com o objetivo de manter o povo negro desarmado e sem poder ao mesmo tempo em que as agências de polícia racistas por todo o país estão intensificando o terror, a brutalidade, o assassinato e a repressão do povo negro.

Ao mesmo tempo que o governo americano está travando uma guerra racista de genocídio contra o Vietnã, os campos de concentração em que japoneses americanos foram internados durante a Segunda Guerra Mundial estão sendo renovados e expandidos. Uma vez que a América reservou historicamente o tratamento mais bárbaro para as pessoas não-brancas, somos forçados a concluir que esses campos de concentração estão sendo preparados para as pessoas negras, que estão determinadas a conquistar sua liberdade por quaisquer meios necessários. A escravidão das pessoas negras desde o início desse país, o genocídio praticado contra os índios americanos e o confinamento dos sobreviventes em reservas, o linchamento selvagem de milhares de mulheres e homens negros, o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, e agora o massacre covarde no Vietnã, todos testemunham o fato de que a estrutura de poder racista da América só tem uma política para as pessoas de cor: repressão, genocídio, terror e o grande porrete [big stick].

As pessoas negras imploraram, rezaram, peticionaram, se manifestaram e tudo o mais para que a estrutura de poder racista da América corrigisse os erros que historicamente fora feitos contra o povo negro. Todos esses esforços foram respondidos por mais repressão, enganações e hipocrisia. Enquanto a agressão dos governos racistas da América aumenta no Vietnã, os agentes de polícia da América aumentam a repressão às pessoas negras por todos os guetos da América. Cães policiais raivosos, bastões elétricos e patrulhas aumentadas se tornaram imagens comuns nas comunidades negras. A prefeitura oferece um ouvido surdo para os apelos do povo negro para que esse terror crescente seja aliviado.

O Partido Pantera Negra para a Autodefesa acredita que chegou o momento para o povo negro se armar contra esse terror antes que seja tarde demais. A atual Lei Mulford deixa a hora da catástrofe um passo mais próxima. Um povo que sofreu tanto, por tanto tempo, nas mãos de uma sociedade racista, deve traçar a linha em algum lugar. Acreditamos que as comunidades negras da América devem se levantar como uma única pessoa para deter a progressão de uma tendência que leva inevitavelmente à sua destruição total.”

 O Pantera Negra, 2 de julho de 1967

Baseando-se no Leninismo, a declaração de Huey Newton confirmou a importância do armamento para a autodefesa dos povos oprimidos contra a tirania do regime capitalista, apesar de parecer uma reivindicação revolucionária, trata-se de uma reivindicação democrática, um direito que naturalmente deveria ser garantido para a classe trabalhadora se não representasse uma verdadeiro perigo contra toda burguesia.

Este é o legado dos Panteras Negras que deve ser lembrado e seguido pela esquerda – principalmente pelo movimento negro – diante do acirramento da luta de classe, consequentemente da ofensiva da direita contra a população pobre e negra.

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