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Antônio Carlos Silva

Fora Bolsonaro e os golpistas

A esquerda é parte do problema

Sobre o porquê de a luta dos partidos da esquerda pequeno-burguesa contra Bolsonaro e todos os golpistas não avançar em meio à pandemia

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Não há uma saída fácil, rápida e indolor para remover Bolsonaro e todos os golpistas do poder. O caminho não está livre para isso acontecer, pelo contrário. Há muitos obstáculos e o principal deles está no meio da própria esquerda, dos partidos da esquerda pequeno-burguesa, parlamentar e reformista.

Os partidos e políticos burgueses que controlam o Estado – isto é, os partidos da direita, dos que são quase fascistas (PSL, PSC, PODEMOS, PATRIOTAS, NOVO, PROS etc.), passando pelos favoritos de sempre de empresários e banqueiros que dominam o país (o PSDB, o MDB e o DEM) aos que são “situação” não importa qual seja o governo (aquela miríade de siglas que faz parte do chamado “centrão) – deixaram claro que não querem se livrar do Bolsonaro. Por isso a via do impeachment está bloqueada, parada na mesa da Câmara dos Deputados. 

Os principais partidos de esquerda (o  PT em primeiro lugar) dedicam a maior parte de seus esforços a uma atividade puramente parlamentar e sabem que o impeachment não vai passar e por isso não apostam suas fichas no impeachment

Se Bolsonaro não vai ser removido por um impeachment, para a maioria da esquerda (organizada em partido ou simplesmente pessoas com ideias de esquerda), o caminho são as eleições.

Como o PT, que é majoritário nessa esquerda parlamentar, sabe que Lula é extremamente popular, há até um clima de “já ganhou”. Há no meio deles quem acredita, inclusive, que é possível repetir o que foi feito em 2002, quando o PT se aliou à direita e governou com o consentimento dos bancos e do grande capital. Por isso não fazem mais do que discursos contra Bolsonaro. 

Mas a esquerda, falando de um modo geral, não se resume à ação no Congresso Nacional ou nas eleições. Como a maior parte de suas lideranças que não acredita que exista outro caminho para transformar a sociedade senão por meio de reformas sociais feitas a partir do Estado, sua política é esperar as eleições de 2022. 

As eleições, no entanto, são um jogo de cartas marcadas. O golpe de 2016, que derrubou a Dilma com um impeachment fraudulento, mostrou que, no fim das contas, se a direita quiser, ela consegue derrubar um governo de esquerda porque o Estado, finalmente, pertence à burguesia e aos seus partidos são de direita, não de esquerda. Têm nas mãos os cargos, o dinheiro, os funcionários que são instrumentos dos interesses de grandes empresas e bancos nacionais e estrangeiros.

A política a ser colocada em prática pra enfrentar a situação atual é relativamente simples: não deixar o povo morrer de doença e de fome. Como colocá-la em prática? O Estado deveria fazer. Não faz porque não é governado pelos interesses do povo, mas pelos interesses dos que vivem da exploração do povo. A saída para a crise atual está na ação do Estado, rápida, emergencial, ao dispor de recursos para amparar a população (e não obrigar o povo a escolher entre morrer de covid-19 ou morrer de fome). O governo federal e os governos estaduais não querem, não ligam para a sorte do povo, e isso é uma monstruosidade. O problema, resumindo, é que os que governam o país ainda conseguem governar (não sem dificuldades enormes) e os que são governados ainda aceitam ser governados como o são. Mas nada dura para sempre…

O País vive uma profunda crise social e um impasse político. Os partidos tradicionais da burguesia deram o golpe e derrubaram a Dilma em 2016; deram outro golpe, condenaram e prenderam Lula para ele não disputar (e possivelmente ganhar) as eleições em 2018 e se esconderam detrás de Bolsonaro porque não têm mais prestígio e autoridade política sobre a população. Não lideram mais ninguém a não ser a si próprios. (Não há dúvidas que o MDB de hoje não é o mesmo MDB da do fim da ditadura, da época das “Diretas Já” etc.).

Lula é a figura política que mais tem apoio popular no país. O único, desse ponto de vista, com apoio suficiente para derrotar Bolsonaro nas eleições. O contrário também é verdadeiro. A direita não tem um candidato forte para enfrentar Lula nas urnas. Bolsonaro é o político burguês com mais apoio popular nesse momento (menos que Lula e vindo de outra camada social da população).

Eleger Lula em 2022 resolverá automaticamente todos os problemas do país? Não. Sem dúvida nenhuma. A essa altura do campeonato, a pergunta é outra: será possível eleger Lula em 2022? O fato de estar livre do processo que o tornou inelegível não significa que os que derrubaram a Dilma e o prenderam vão (ou querem) entregar o poder a ele e ao PT com tanta facilidade.

Nesse sentido acreditamos que quem quer votar no Lula vai ter que brigar para conseguir votar nele. Quem quer uma mudança no país (e mais ainda quem quer promover essa mudança) tem que se mobilizar, reunir forças, para fazê-lo. E, por isso, nesse momento, é preciso lutar no para que Lula seja o candidato da esquerda e que seja eleito, pois ele é um fator decisivo na situação política apenas e tão somente porque há dezenas de milhões de pessoas que acreditam nisso?

Como fazer isso? Todos os fins de semana, em todas as cidades onde estamos organizados (são mais de 200) de norte a sul, os militantes do PCO estão indo aos bairros populares, às praças, feiras etc., distribuir panfletos e conversar com a população. Em vários desses lugares, há reuniões feitas com a participação de pessoas que moram ou trabalham no local e com gente de outros partidos de esquerda que quer fazer a mesma coisa, mesmo que suas direções não façam. Dá trabalho? Dá. Tem resultado? Sim. 

No último dia 31, fizemos atos públicos em todo o país contra a comemoração do aniversário do golpe militar. Reunimos aí, ao todo, umas 2.000 pessoas em 20 capitais no Brasil e nove pequenas manifestações de nossos militantes que moram no estrangeiro, na Alemanha, Portugal, França, Bélgica, Espanha, EUA etc. 

Para o próximo dia 1º de Maio, estamos organizando um ato público em São Paulo. Queremos reunir pelo menos mil pessoas na Av. Paulista, levar faixas, cartazes, discursar e exigir que o governo pague um auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo, que as patentes das vacinas sejam quebradas e que sejam produzidas aqui, em larga escala, e distribuídas à população.  É preciso cerrar fileiras em torno dessas questões imediatas e impulsionar uma ampla mobilização popular. Somente esta mobilização, somente o povo trabalhador organizado nas ruas pode virar o jogo e derrotar os golpistas. 

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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