Fora todos os golpistas!
É preciso aproveitar a crise capitalista para derrubar de vez a classe que se tornou o maior entrave para o desenvolvimento da humanidade.
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Flávio Dino (PCdoB) em abraço fraterno com FHC (PSDB). Foto; Reprodução |

Por Victor Assis

Quisesse o coronavírus, por conta própria, deixar as fronteiras da China, viajar para a Europa, contemplar a arquitetura italiana, passear pela cozinha do MC Donald’s e, enfim dormir em uma oca indígena na Amazônia, não teria conseguido. No entanto, graças à extraordinária ineficiência da política neoliberal, presente em todo o mundo, o vírus foi levado, com uma rapidez impressionante, aos quatro cantos do planeta.

Ao que parece, não foi proposital. Não sentaram a uma mesa Donald Trump, Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron para planejar uma pandemia. No entanto, o papel dos representantes do imperialismo não seria o de tão somente serem pegos de surpresa por uma crise sanitária de escalada mundial.

O fato é que a morte de centenas de milhares de pessoas por um vírus, a destruição de milhares de casas por um furacão, o desabamento de morros por uma tempestade — isto é, todos os fenômenos que possam interferir diretamente na vida da população mundial — estiveram, estão e sempre estarão nos cálculos do imperialismo. As epidemias não são novidade alguma — vide o caso, por exemplo, do Brasil, que nunca conseguiu se livrar da dengue. Mas nada, absolutamente nada, consegue provar que os capitalistas estivessem se preparando para agir tão logo uma catástrofe dessas acontecesse.

Para os cálculos da burguesia, não importam a quantidade de vidas, o sofrimento, a pobreza, ou seja lá o que vai acontecer para a classe operária. Um burguês não pertence, por definição, à classe operária, e, portanto, não irá agir de acordo com interesses que não são seus. Se, no momento em que se instala uma pandemia como essa, os trabalhadores se vêem desesperados diante de sua própria sobrevivência em risco, os capitalistas não se aterão a outra coisa que não seja os seus negócios.

Alguém haveria de dizer que, para preservar seus negócios, os capitalistas não iriam querer um genocídio. Que a morte de milhões de trabalhadores faria com que a dominação imperialista se tornassem insustentável. É fato que há, naturalmente, bastante cautela da burguesia em como lidar com a situação, uma vez que, em vários momentos da história, já viu a corda arrebentar e seus inimigos de classe tomar o poder. O medo de uma revolução, a atenção mediante cada passo dado, no entanto, não impede que o imperialismo siga avançando com sua política de pilhagem global.

No momento, há apenas duas perspectivas colocadas, e que são diametralmente opostas. Salvar os trabalhadores de um massacre — que já se encontra a meio caminho andado, como se vê no colapso total do sistema funerário do Equador — implica em investir todo o dinheiro que os capitalistas guardaram em seus cofres, resultado da acumulação de séculos de saques, em uma série de medidas necessárias para a população. Salvar os capitalistas, no entanto, consiste em manter a política criminosa que está sendo levada pela burguesia de conjunto.

A polarização, a disputa entre os distintos interesses, é, portanto, a única maneira de levar a classe operária a conseguir combater efetivamente o coronavírus. Nesse sentido, ignorar as contradições, os antagonismos entre os interesses de trabalhadores e capitalistas, caminhar para um acordo fraterno de salvação nacional — enfim, jogar um balde de água fria na polarização política — é o caminho para a derrota e, portanto, para um massacre sem precedentes.

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