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Balanço e perspectivas
Retrospectiva Paraná 2019 parte II, um ano de Ratinho Jr. e Bolsonaro
Um balanço da luta que os trabalhadores, estudantes e a população paranaense travaram contra os golpistas no ano passado e as perspectivas para 2020
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Balanço e perspectivas
Retrospectiva Paraná 2019 parte II, um ano de Ratinho Jr. e Bolsonaro
Um balanço da luta que os trabalhadores, estudantes e a população paranaense travaram contra os golpistas no ano passado e as perspectivas para 2020
Servidores arrancam grades da Assembleia Legislativa e se enfrentam com a PM: Portal 24H
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Servidores arrancam grades da Assembleia Legislativa e se enfrentam com a PM: Portal 24H

Por Emmanuel Lobo

Dois mil e dezenove completou um ano de Ratinho e Bolsonaro. O que nos impõe um balanço de como foi a luta política no Paraná e os efeitos da política dos golpistas a nível federal e estadual no Paraná.

Continuando a coluna da semana passada, onde foi feito um primeiro balanço do ano destacando a greve dos professores e a privatização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), nesta quinta trarei um balanço dos ataques protagonizados pelos governos estadual (Ratinho Jr.-PSD) e federal (Bolsonaro-sem partido), bem como a sua relação com o posicionamento da esquerda ao longo do ano.

No fim do ano o governo bolsonarista de Ratinho Jr (PSD) promoveu uma nova ofensiva, enviando a PEC de reforma da previdência aos deputados, que desencadeou no inevitável acirramento da luta contra os servidores públicos (liderados por professores e funcionários). Com os ânimos elevados rapidamente na base dos trabalhadores, a direção da APP Sindicaro, que encerrou a greve de julho em seu momento de pico (sob o risco de enfrentar uma greve selvagem, que passasse por cima de seu controle), imediatamente chamou uma assembleia para o dia 23/11, onde os trabalhadores aprovaram por unanimidade a greve (mostrando sua disposição para a luta).

A direção sequer esperou a votação na Ópera de Arame terminar para encerrar a greve e orientar a desocupação da sede do legislativo. Isto porque essa mesma direção, em julho, num momento de acirramento da mobilização e recuo parcial do governo Ratinho, ao invés de impulsionar a decisão dos comandos de greve, que decidiram manter a paralisação, colocou-se contra a continuidade do movimento.

Mais que isso, naquele momento, confundindo o movimento grevista, a direção chamou a categoria a lutar pela substituição do Secretário da Educação de Ratinho Jr, Renato Feder, sob a palavra de ordem de “Fora Feder”, dizendo que o problema não era o governo de conjunto, mas sim a relação da SEED (Secretaria de Educação) com a categoria, como se o secretário comandasse uma pasta de si mesmo e não fizesse parte da política do governo como um todo.

Isso ocorre porque a direção não acredita na mobilização da sua base e quer educá-la de que é possível obter conquistas sociais ou manutenção dos direitos já conquistados sem luta! Foi assim que a direção desarmou a maior categoria organizada do estado do Paraná e a fez aceitar sua derrota passivamente, ainda sob o argumento de que “agora a luta é na Justiça”.

Essa prática política evidencia as ilusões eleitorais, institucionais e os “acordos de cavalheiros” que a direção reformista mantém com o regime (como se vê nos recuos sistemáticos em momentos de acirramento e na política de reformar o governo Ratinho Jr.). É um dado objetivo de que as derrotas sucessivas da categoria no governo de Ratinho Jr. não são uma fatalidade, mas sim o resultado da política da direção de organizar derrotas. Tudo para tentar convertê-las em ganhos eleitorais.

Assim, o quadro da luta de classe no Estado, cada qual agindo na defesa de seus interesses, polariza-se entre o governo e os trabalhadores (neste caso aqui representados pelos trabalhadores em Educação), onde a direção reformista aparece como um entrave ao desenvolvimento da luta. Porém não um entrave qualquer, mas sim um que atua na prática contra os próprios trabalhadores.

Por isso, os trabalhadores do Paraná precisam extrair dessa derrota a experiência de que a política de luta apenas por pressão parlamentar e demagogia eleitoral não vai garantir nossos direitos. Não há vitória sem luta, são conclusões que a própria história recente e os acontecimentos na América latina tem mostrado, só a mobilização popular radicalizada pode fazer avançar a luta dos oprimidos.

É nestes termos que temos de fazer a discussão com os companheiros professores e funcionários de todo o estado. Se a direção quer a política do “fica Ratinho, eleições 2020 e 2022”, mesmo que isso custe todos os nossos direitos e a nossa aposentadoria, está na hora da base superar a política de sua direção.