Retrocesso geral
País volta a exportar mais produtos básicos do que industrializados como parte da entrega da economia nacional para o grande capital monopolista internacional
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Minério de ferro e outras comodities: o Brasil entregou mais e recebi menos em 2019 |

A balança comercial brasileira encerrou o ano de 2019 com um superávit de US$ 46,674 bilhões. Esse montante representa um recuo da ordem de 20,5% pela média diária sobre 2018.

O resultado é o pior para o país desde 2015, quando houve superávit de US$ 224 19,5 bilhões. Rapidamente os “otimistas” analistas da burguesia, que não se cansam de apresentar o retrocesso econômico promovido pelo golpe como “lenta recuperação”da economia, anunciaram como causas fundametais o aumento da chamada guerra comercial entre Estados Unidos e China, bem como crise na Argentina; buscando atenuar a responsabilidade da equipe econômica comandada por Paulo Guedes e do governo ilegítimo de Jair Bolsonaro de conjunto, apontando apenas – por exemplo – que teria ocorrido um “menor crescimento doméstico que o inicialmente projetado“.

Mais o que por si é ruim para a economia nacional se mostra ainda pior quando se observa que dos US$ 224 bilhões exportados em 2019, cerca de US$ 118 bilhões (52,7%) correspondem a itens básicos, percentual que, em 2018, era de 49,8%. Isso representa um aumento da ordem de cerca de 5% da fatia correspondente à exportação de matérias primas e correspondente queda na de bens industrializados.

O resultado não foi obtido pelo crescimento dessas exportações, o que já poderia ser negativo. Segundo o próprio Ministério da Economia, em 2019 as exportações de itens básicos recuaram 2%, enquanto as vendas externas de produtos industrializados caíram 10,3%, ou seja, cinco vezes mais.

Tais números indicam que pela primeira vez em quatro décadas anos, os produtos básicos representaram mais da metade das vendas brasileiras ao exterior.  E que estamos diante de uma verdadeira devastação da economia nacional, do setor mais importante para o desenvolvimento da economia nacional.

Mesmo com a queda no faturamento com a vendas de vendas de matérias primas, o resultado mostra també que – em uma situação de significativa desvalorização da moeda nacional (o dólar terminou o ano valendo pouco mais de R$ 4) – o País está entregando milhões de toneladas de matérias primas, de riquezas naturais, a “preço de banana” .

A política de enfraquecimento do mercado interno e de favorecimento do grande capital estrangeiro do governo Bolsonaro está destruindo a economia nacional, constituindo-se em uma ameaça aos interesses nacionais e, em primeiro lugar, à vida de milhões de vidas da classe operária e do conjunto do povo brasileiro.

A devastação econômica promovida pela política entreguista do governo surgido da fraude das eleições de 2018, em que o candidato em que a maioria do povo queria votar (segundo as próprias pesquisas da burguesia) foi condenado e preso ilegalmente, se soma à devastação social, com dezenas de milhões de desempregados, aumento exponencial da fome, destruição dos serviços públicos essenciais, devastação ambiental, matança crescente da população trabalhadora por meio do aparato estatal (PM etc.) e para estatal, em sua guerra contra o povo e perseguição crescente contra as organizações dos explorados, deixam evidente que a esquerda burguesa e pequeno burguesa que alimentam infundadas ilusões na vigência de um regime democrático no País, estão brincando com fogo.

As vidas de milhões estão ameaçadas.

Cada dia fica mais evidente que a sobrevivência do Governo Bolsonaro é uma ameaça contra todo o País.

Por isso, e por muito mais, a luta pelo “Fora Bolsonaro e todos os golpistas” é uma questão decisiva mais de 200 milhões de brasileiros.

Organizar a mobilização e sair às ruas para barrar essa devastação, derrotando o governo entreguista, é a grande tarefa de 2020.

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