Distrito Federal
A única saída progressista dos professores e demais servidores da educação é sair às ruas contra a política de demagogia do bolsonarista Ibaneis
ibanes e bolsoanro
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Em tempo de coronavírus o que impera é a demagogia por parte dos governos. Só demagogia, porque de um ponto de vista prático, a população está absolutamente à mercê da sorte. O do Distrito Federal, não poderia ser diferente, publicou decreto no ultimo sábado,14, ampliando a suspensão das aulas iniciada em 12/3, por mais 15 dias. Diferente da anterior, essa suspensão deverá ser compreendida, segundo o decreto, como recesso/férias escolares e deverá ter duração máxima de 15 dias corridos. A questão é: isso irá diminuir a proliferação do COVID 19, enquanto o governo poupa dinheiro com a merenda, o transporte escolar e com os professores em contrato temporário? Quais deveriam ser as medidas verdadeiramente concretas para a contenção do vírus? Os governos, como o do DF, que se instalaram como autoridades das instituições golpistas e que defendem as privatizações e o sucateamento dos serviços públicos podem conter essa crise?

As principais informações sobre a situação da proliferação do vírus no DF não são reveladas ou simplesmente o governo não as têm, mas o que se sabe, no âmbito da Secretaria de Educação, é que os professores temporários que assinaram contrato antes do recesso com o fim de sua regência prevista para 30 de março não receberão os dias parados e arcarão com responsabilidade da suspensão das aulas.

A suspensão das aulas – afeta cerca de 500 mil alunos do DF – deixa os alunos sem a merenda escolar, complemento fundamental para uma boa alimentação, o que está totalmente na contramão do que se recomenda, já que para enfrentar o vírus, as crianças – em sua esmagadora de famílias carentes – precisam estar bem alimentadas, e assim fortalecer os seus sistemas imunológicos.

É evidente que a pandemia epidemia não é uma fantasia como quer fazer crer o fascista Bolsonaro, mas interromper as aulas do Ensino Básico, sem nenhum tipo de assistência às famílias, com os pais trabalhando em período integral, é condenar à juventude e as crianças a sua própria sorte.

Ainda, o que dizer do transporte público que normalmente, mas, principalmente no horário de maior pico transporta a população (os pais dos alunos) como verdadeiras sardinhas enlatadas? O governo do Distrito Federal, assim como as demais unidades da federação e o Estado nacional, não tem uma política de combate à epidemia, muito ao contrário. A preocupação central é a de salvar os capitalistas da crise. Desviar verbas para os bancos e as grandes empresas. Esse é o esforço nacional para combater a crise.

Não existe programa de ampliação dos serviços fundamentais, como o transporte público. Isso significaria que o governo teria que intervir e estatizar as empresas de transporte em nome da necessidade pública. Com relação à saúde, o problema é o mesmo. Nem de longe existe uma política pública para intervir na prevenção básica e na disponibilização da infra-estrutura básica para fazer frente ao agravamento da epidemia com o seu crescimento exponencial. O que temos, ao contrário, são filas e superlotação nos hospitais. O que poderia ser a busca por um atendimento para resolver uma condição, transforma-se no seu contrário, com as unidades hospitalares sendo um fator ainda maior de contaminação para a população trabalhadora e suas famílias.

O caso do DF é exemplar. O mesmo governo que suspendeu as aulas alegando responsabilidade para combater a contaminação pelo COVID19, mantém a saúde pública com 60% de seus quadros terceirizados. Aliás, está preparando a privatização de todo o setor de saúde. Aderiu, ainda, ao fascista programa de militarização das escolas do governo federal, tratando os estudantes como futuros presidiários ou como uma massa de manobra formando jovens de extrema-direita, prontos a se voltarem contra suas próprias comunidades. Finalmente, é o GDF que quer levar para as escolas as mesmas “quentinhas” porcas que são servidas para a população carcerária do Distrito Federal. Quem implementa tudo contra a juventude não está preocupado com a hecatombe que tudo indica vai significar o Coronavírus no DF. E no Brasil, de conjunto, nem falar!

A Itália, um país imperialista, deveria servir como um exemplo, pelo lado negativo. A população está morrendo em suas residências e o Estado não dispõe sequer dos serviços de retirada dos cadáveres. Essa é a realidade que se coloca para o Brasil e o DF, caso o problema não seja tratado pelos maiores interessados que é o povo. Isso só pode ocorrer não com a ação individual das pessoas, mas com uma ação de conjunto que deve passar pelas direções do movimento operário e popular.

As autoridades capitalistas não representam nossos interesses, seja de onde for, e sem pressão popular nossa realidade será pior que a da Itália. E não adianta apelar à razão como quer algumas lideranças de esquerda. A máxima do capitalismo é cada um por si, na sua casa, isolado, e salve-se quem puder.

Os professores, assim como os trabalhadores e suas organizações como o Sindicato dos Professores e a CUT não devem depositar nenhuma fé nessas “autoridades” do capitalismo. Não pode existir unidade com aqueles que estão liquidando com os direitos da população. Fazer crer nessa ilusão é condenar milhares, milhões de pessoas a suas próprias sortes.

A suspensão das aulas deve ser colocada em prática pelo tempo que for necessário, mas por si só é muito limitada. Uma política pública para fazer frente ao coronavírus só pode e deve estar baseada na mobilização popular, a começar, que todos os trabalhadores da educação tenham garantido seus salários, independentemente de serem ou não efetivos. É por isso que as organizações de luta dos trabalhadores ao contrário de chamar à desmobilização, como vemos com relação aos atos do dia 18, devem fazer justamente o contrário.

Só há uma saída e ela não está nas mãos do estado capitalista. O povo deve ir às ruas! Nada de esperar o agravamento da situação.

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