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Ópio do povo?
Vitória do Flamengo e povo na rua: legião de zumbis “alienados”?
Nesta coluna discutimos a importância do futebol, esporte amado pela classe operária brasileira e que, ao contrário do que pensa certa esquerda, não “aliena” o povo.
Captura de Tela 2019-11-28 às 19.02.23
Ópio do povo?
Vitória do Flamengo e povo na rua: legião de zumbis “alienados”?
Nesta coluna discutimos a importância do futebol, esporte amado pela classe operária brasileira e que, ao contrário do que pensa certa esquerda, não “aliena” o povo.
Torcida rubro-negra comemorando o título na Candelária, centro do Rio. Foto: Carl de Souza (AFP).
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Torcida rubro-negra comemorando o título na Candelária, centro do Rio. Foto: Carl de Souza (AFP).

A recente vitória do Flamengo sobre o River Plate, na final da copa Libertadores, culminou numa gigantesca comemoração popular no centro do Rio, no último domingo, e reacendeu o debate: afinal, o futebol é o “ópio do povo”, coisa de quem não tem “consciência” política? O objetivo desta coluna é provar que esta concepção pequeno-burguesa do futebol está completamente equivocada.

Tweet da professora Elika Takimoto, que defende a “tese” do futebol “alienante”.
Charge de Ricardo Coimbra. Reprodução.

Antes de ir a fundo no problema, vale a pena fazer um exercício de imaginação. Mesmo considerando que o futebol tenha esta característica, que seria profundamente negativa, qual seria a solução? Caso a população resolvesse deixar o esporte de lado, os enormes problemas sociais que afligem o país seriam resolvidos, como num passe de mágica? Evidente que não. O cartunista Ricardo Coimbra conseguiu condensar o quão ridícula é essa ideia na charge ao lado, que reproduzimos nesta matéria.

O fato do futebol ser um esporte amado nacionalmente, sendo inclusive o preferido dentro da classe operária brasileira, já é motivo mais que suficiente para que a esquerda defendesse o futebol de forma incondicional. Afinal, conforme as imagens do ato do domingo passado comprovam, o esporte é capaz de mobilizar multidões, principalmente os setores mais pobres da população.

Bolsonaro e Moro, demonstrando uma demagogia sem limites.

Engana-se também quem pensa que os apaixonados torcedores rubro-negros que encheram as ruas do Rio estão à margem dos acontecimentos políticos. É certo que dentre os verdadeiros flamenguistas, aqueles que acompanham o clube nos momentos bons e ruins, o oportunismo da direita não foi bem recebido. Todo o povo brasileiro viu o espetáculo deprimente, em que direitistas como Bolsonaro, Witzel e Moro resolveram surfar na onda rubro-negra e vestiram a camisa do Flamengo, um gesto de extrema demagogia que deve ter deixado muitos flamenguistas profundamente irritados. Teríamos aí uma excelente oportunidade de politizar ainda mais o futebol. No entanto, a esquerda pequeno-burguesa, por pura falta de talento, deixa a bola passar quicando, sem empurrar pro gol.

Houve ainda, no interior da esquerda, quem levantasse a hipótese de que os torcedores do Flamengo seriam direitistas. Afinal, para eles, Bolsonaro seria popular, bem quisto em certos setores da classe classe operária. Deste modo, os pobres rubro-negros seriam praticamente uma legião de zumbis, que teriam caído na propaganda demagógica dos direitistas, discutida no parágrafo anterior. Onde se escondem os “operários bolsonaristas”, que se calam quando multidões mandam Bolsonaro tomar naquele lugar, não vem ao caso, como diria Sérgio Moro.

Obviamente não se trata disso. Tanto é que neste domingo, a polícia reprimiu duramente milhares de torcedores, que comemoravam a vitória do Flamengo junto com amigos e familiares, incluindo crianças e idosos. Se os rubro-negros fossem uma horda de direitistas, apoiadores de Moro e Bolsonaro, não haveria nenhum motivo para a repressão policial. Afinal, os direitistas amam a polícia, tiram selfies com os gorilas da PM nos atos coxinhas, etc.. Além do mais, se há uma coisa que desperta um medo irracional na burguesia é a aglomeração de dezenas de milhares de pessoas nas ruas, sobretudo um setor proletário como é a torcida do Flamengo.

O governador fascista e corintiano Witzel tira foto com a camisa do Flamengo, mas manda a PM reprimir duramente os verdadeiros torcedores rubro-negros.

Muito ainda poderia ser dito sobre este tema, mas o fato é que por melhores, mais convincentes e bem elaborados que fossem os argumentos, a esquerda pequeno-burguesa dificilmente seria convencida. No fundo, é uma esquerda que não gosta do futebol por que não gosta do povo. Para o restante de nós, brasileiros, que venham muitas vitórias não só no futebol, mas principalmente na política: O futebol brasileiro e o Flamengo ficam, Bolsonaro sai!