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Sob o controle das torcidas
Qual deve ser o programa da esquerda contra o clube-empresa?
As torcidas organizadas são as únicas capazes de impedir a destruição do futebol
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Sob o controle das torcidas
Qual deve ser o programa da esquerda contra o clube-empresa?
As torcidas organizadas são as únicas capazes de impedir a destruição do futebol
Torcida Jovem do Flamengo, segunda maior do time mais popular do mundo, tem como símbolo Che Guevara
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Torcida Jovem do Flamengo, segunda maior do time mais popular do mundo, tem como símbolo Che Guevara

Marx e Engels em seu Manifesto Comunista nos ensinaram que “A história de toda a sociedade até aqui é a história das lutas de classes.” Concluiu-se daí que não só a luta de classes é a história da sociedade em suas linhas mais gerais como também é a história das diferentes esferas da sociedade, da família, da religião e das manifestações culturais desenvolvidas pela sociedade.

Com o futebol não poderia ser diferente. A história do esporte mais popular do mundo é feita pela luta entre a burguesia, que se colocou como “dona do esporte” no início, e as massas trabalhadoras, que se apoderaram dele, enfrentando o domínio e a truculência da classe dominante. No Brasil, essa luta se traduziu como uma luta entre a burguesia branca e os negros, que compõem a maior parte das massas trabalhadores e proletárias no País.

Essa luta se deu dentro de campo, quando negros e trabalhadores conseguiram forçar a sua entrada no esporte graças à habilidade e eficiência muito maiores do que a da burguesia branca. Pode-se dizer que dentro de campo as massas saíram vitoriosas. O domínio do jogo no mundo todo é dado pelos negros, mestiços e brancos oriundos das classes trabalhadoras. O mesmo não pode se afirmar sobre o controle político do esporte.

A burguesia foi obrigada a ceder espaço dentro das quatro linhas, mas o controle político e administrativo do esporte é feito sob rédeas curtas. Isso não significa que os capitalistas tenham o domínio estável sobre o futebol.

Ao se tornar um fenômeno de massas, o futebol passou a sofrer a pressão das classes trabalhadores, que pasaram a exercer um papel ativo nos rumos dos clubes, federações e campeonatos. O povo enchia os estádios, que passaram a ser uma espécie de maior teatro da história. A presença das massas nos estádios aos poucos resultou na criação de organizações de torcedores.

Logo as torcidas organizadas se espalharam por todos os times e se tornaram não apenas coletivos para tocer mas com o objetivo de intervir nos rumos dos clubes. A torcida organizada é a materialização do que se costuma dizer “jogar junto com o time”.

Novamente, agora fora dos gramados, as massas se colocam como um obstáculo ao domínio dos capitalistas.

Avançando um pouco na história, o que se vê hoje é a luta entre as massas e os capitalistas pelo controle do futebol.

É esse o pano de fundo da nova ofensiva da burguesia: o clube-empresa. Rodrigo Maia, presidente golpista da Câmara dos Deputados, pediu celeridade no projeto. Querem entregar, o mais ráído possível, os times para o controle absoluto dos grandes capitalistas.

Se até agora os capitalistas controlavam os clubes de certa maneira indiretamente, através de influência política, patrocínios etc, tendo como intermediários os conhecidos cartolas, a versão futebolista dos velhos políticos da direita tradicional corrupta, com a institucionalização do clube-empresa, os times estarão colocados diretamente nas mãos dos capitalistas.

É preciso dizer ainda que no caso do Brasil, por se tratar de um País de economia atrasada, serão os grandes monopólios imperialistas os que primeiro irão dominar os clubes. Ou seja, o projeto da direita golpista é uma espécie de privatização do futebol brasileiro.

O projeto encontra muita resistência em primeiro lugar dos torcedores organizados e até mesmo de uma parte dos cartolas, que vêem sua posição política ameaçada por tubarões muito maiores que eles.

Mas como temos visto em todas as questões da política golpista nacional, não serão medidas parciais, manobras parlamentares, ou simples notas e discursos. É preciso uma política real, que coloque os maiores interessados no futebol em movimento. É preciso uma política que mobilize em primeiro lugar os torcedores organizados e depois toda a população que é apaixonada pelo futebol.

Nesse sentido, é preciso lutar por um programa que se coloque do lado das massas. Em primeiro lugar, defender irrestritamente o direito de organização das torcidas. A perseguição contra as organizadas tem como objetivo calar o setor mais ativo dos torcedores e assim facilitar a entrega dos clubes para os capitalistas, essa política também passa também pela elitização dos estádios.

Mas um ponto é essencial e muito pouco falado nos meios da esquerda. É preciso defender o controle dos clubes pelas torcidas organizadas. São elas as mais interessadas no progresso do clube. Esse controle passa por derrubar o esquema ditatorial que existe nos clubes, onde as massas estão completamente à parte das decisões. Essa política serve também para federações e a própria CBF, que devem ser controladas pelo povo.

Esse é o programa política capaz de efetivamente derrotar o clube-empresa e todos os ataques contra o futebol. É o programa capaz de mobilizar as amplas massas de torcedores. Qualquer organização minimamente progressista deve ter em vista essa política, sob pena de termos o futebol brasileiro e nossa maior riqueza entregues totalmente para os grandes monopólios imperialistas.