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Maranhão
Não a FTVida, pelo fortalecimento dos grupos de autodefesa dos índios
Diante do aumento da violência contra os povos indígenas, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) propõe uma medida que vai aumentar a violencia contra os indígenas
guardiões da floresta (1)
Maranhão
Não a FTVida, pelo fortalecimento dos grupos de autodefesa dos índios
Diante do aumento da violência contra os povos indígenas, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) propõe uma medida que vai aumentar a violencia contra os indígenas
Guardiões da Floresta na TI Arariboia. Imagem: reprodução.
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Guardiões da Floresta na TI Arariboia. Imagem: reprodução.

Após o assassinato do indígena Paulo Paulino Guajajara, emboscado por madeireiros no último dia 1º de novembro no interior da Terra Indígena Araribóia, no sul do Maranhão, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), apresentou uma medida para aumentar a proteção dos povos indígenas no Estado, em particular na região da TI Araribóia.

Flávio Dino criou uma força tarefa permanente com um corpo de policiais militares e policiais civis para agir em parceria com a polícia federal, órgão responsável pela proteção dos povos indígenas, a FTVida (Força-Tarefa de Proteção à Vida Indígena).

Como o próprio governador afirmou, a Força-Tarefa de Proteção à Vida Indígena é formada exclusivamente por policiais civis e militares que compõe o efetivo atual desses órgãos e serão deslocado para essa nova força-tarefa.

O nome Força-Tarefa de Proteção à Vida Indígena nada mais é que um nome bonito para esconder a formação de mais uma força policial que vai, no “frigir dos ovos” atuar contra os povos indígenas e a favor dos madeireiros e latifundiários da região.

É público e notório que as forças policiais atuam contra os povos indígenas e outros grupos de luta pela terra. E em diversas oportunidades foram comprovadas a participação de policiais em grupos de extermínio e de pistolagem contratados por latifundiários para atacar os povos indígenas e sem-terra.

 

Polícia sempre atua em defesa do latifúndio

 

Um bom exemplo da formação de forças para cuidar de determinados temas ligados a luta pela terra é a famosa Delegacia de Combate aos Conflitos Agrários (DECA) do Estado do Pará. Uma delegacia especializada em resolução e atenção aos conflitos agrários dentro do Estado e que foi criada diante do aumento dos conflitos entre trabalhadores sem-terra e latifundiários.

Após a criação da DECA a vida dos trabalhadores sem-terra do Pará só piorou e sua função ficou evidente chacina de Pau D`Arco, no Estado do Pará onde 10 trabalhadores sem-terra foram assassinados por policiais militares e civil do município de Redenção em 2016. Os policiais que atuaram como pistoleiros dos latifundiários faziam parte da famosa DECA.

Em abril de 2017, indígenas da etnia Gamela sofreram uma emboscada realizada por latifundiários fortemente armados e com facões e 13 indígenas foram feridos, sendo que dois tiveram as mãos decepadas e cinco foram baleados. Os indígenas relatam que dias antes a polícia do Estado do Maranhão entrou nas aldeias e desarmaram os indígenas e no dia da emboscada observaram de longe o ataque e não fizeram absolutamente nada para proteger os indígenas. Esses são os policiais que irão formar o novo esquadrão do FTVida?

 

Fortalecer os grupos de autodefesa dos indígenas

 

Fica evidente que as forças policiais, mesmo quando estão em Estados governados por partidos de esquerda, nunca atuam em defesa dos trabalhadores sem-terra, posseiros, indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais que lutam pelo direito a terra.

Qualquer política que visa fortalecer essas forças de repressão é uma maneira que aumentar a violência contra os povos indígenas. As forças policiais têm uma profunda ligação com a burguesia local, e em locais do interior e cidades pequenas, com latifundiários, madeireiros e grileiros de terra.

A única maneira de proteção dos indígenas e de seus territórios é de fortalecer os grupos de autodefesa que já estão criados. Os Guardiões da Floresta são grupos formados e treinados pelos indígenas para defender suas famílias e comunidades da violência dos latifundiários e proteger seu território de invasões e loteamento de suas terras. Surgiram de maneira espontânea a partir da necessidade real de proteção de seus direitos.

Em vez de fortalecer grupos de repressão que vão ser utilizados contra os próprios indígenas, o governador do Maranhão deveria fornecer equipamentos e treinamento para esses grupos de autodefesa.

O Estado deveria garantir recursos para armamento, coletes a prova-de-bala, treinamento específico e outros equipamentos para os verdadeiros interessados em defender as terras indígenas e suas famílias, ou seja, os próprios índios.

As organizações indígenas, partidos políticos e entidades de esquerda devem se opor a criação de uma nova polícia que vai funcionar para reprimir ainda mais os indígenas no Estado do Maranhão e garantir as condições da autodefesa diante da ofensiva dos latifundiários.