Derramento de óleo
Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles escala mais um PM para chefiar unidade de conservação na área mais impactada pelo derramamento de óleo no litoral nordestino.
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Ministro brinca nas visistas as praias em Alagoas. Felipe Brasil/Instituto do Meio Ambiente/AL |

Em meio a um dos maiores desastres ambientais da região Nordeste, onde o descaso e recusa do governo de direita e seu ministro fascista do Meio Ambiente Ricardo Salles resultou na contaminação de mais de 2 mil quilômetros de costa devido ao derramamento de petróleo, Bolsonaro muda responsável da unidade de conservação da Costa dos Corais, localizada entre os estados de Pernambuco e Alagoas.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), também policial militar, mas do Estado de São Paulo, o coronel Homero de Giorge Cerqueira nomeou no último dia 8 de novembro, o tenente da Polícia Militar de Alagoas Wenderson Viana Guilherme como o chefe do órgão na unidade de conservação da Costa dos Corais.

O policial militar Wenderson Viana Guilherme substituiu o biólogo marinho Iran Normande, que durante anos chefiou a unidade de conservação, pois é sua especialidade e, também comandou uma equipe de fiscais do ICMBio que autuou o ministro e aplicou uma multa a pousada do atual presidente da Embratur, Gilberto Machado Neto, em 2016, quando destruiu uma área de restinga importante dentro da unidade de conservação.

Após a chegada de Bolsonaro ao poder e a nomeação de Gilberto Machado Neto para a presidência da Embratur começou uma série de perseguições contra os agentes do ICMBio na região e o pedido de transfência de todos os fiscais que autuaram o atual presidente por crime ambiental. Tanto que o biólogo marinho Iran Normande foi transferido para uma unidade de conservação no Estado do Mato Grosso onde não existe qualquer unidade de conservação marinha, num claro ato de perseguição política.

A situação tinha ficado tão evidente que a pressão dos servidores e do próprio Ministério Público, o governo Bolsonaro voltou atrás da decisão e manteve o servidor como responsável pela APA Costa dos Corais.

Após o desastre de óleo na costa da região Nordeste, novamente o governo Bolsonaro e Ricardo Salles, substituem o biológo marinho por uma pessoa de sua confiança: o tenente da Polícia Militar de Alagoas Wenderson Viana Guilherme.

A Área de Proteção Ambiental (APA) Costa do Corais está localizada no litoral sul de Pernambuco e litoral norte de Alagoas, entre os municípios de Tamandaré (PE) e Maceió (AL). Com 135 quilômetros de extensão e mais de 413 mil hectares de área protegida, a APA Costa dos Corais é a maior unidade de conservação marinha do Brasil. Fica na região mais atingida pelas manchas de óleo que tomaram conta do litoral nordestino e é uma que possivelmente foi mais afetada pela mancha de óleo.

Bolsonaro e Ricardo Salles estão montando uma equipe de militares em todos os órgãos do governo, em especial no ministério do Meio Ambiente e suas autarquias, como o Ibama e ICMBio. Há alguns motivos principais, sendo primeiro a necessidade de implantar sua política de ataques aos servidores e ao órgão, privatização das unidades de conservação, cobertura dos crimes ambientais cometidos pelas grandes empresas e latifundiários, e nesse momento, de encobrimento do desmatamento da Amazônia e do desastre ambiental do derramamento de óleo no litoral do Nordeste.

A polícia militar, e mais ainda no caso de patentes superiores, são especialistas em encobrir crimes e dissimular situações. Fazem isso corriqueiramente nas favelas e bairros pobres de todas as cidades do país, com execuções de trabalhadores e pobres.

Colocar um policial militar na unidade de conservação mais afetada pela mancha de óleo é para esconder os impactos cometidos pelo derramamento de óleo, e principalmente, da ação criminosa do governo Bolsonaro e seu ministro fascista do meio ambiente em acobertar os responsáveis pelo derramamento e na falta de ação para combater os impactos do desastre ambiental.

É preciso reverter essa situação e impedir que o Ministério do Meio Ambiente e os órgãos ambientais se transformem em anexos da polícia militar e dos latifundiários para favorecer esses setores em detrimento da população.

Não é pedir o Fora Salles como estão clamando setores da esquerda e dos ambientalistas. A saída de Ricardo Salles não vai mudar a política de destruição ambiental de Bolsonaro e da direita. Um bom exemplo é o ministério da Educação, onde saiu o colombiano Ricardo Vélez para entrar um pior ainda, o atual ministro Abraham Weintraub. É preciso entrar na luta e pedir o fora Bolsonaro e todos os golpistas. É a única maneira de reverter esse quadro.

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