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Desastre ambiental
Enquanto Ricardo Salles brinca na praia, mancha de óleo vai ao Sudeste
Governo não ajuda e só atrapalha, diante do óleo vazado, que ameaça de contaminação todo o litoral nordestino e deve chegar à região Sudeste
ricardo salles praia (1)
Desastre ambiental
Enquanto Ricardo Salles brinca na praia, mancha de óleo vai ao Sudeste
Governo não ajuda e só atrapalha, diante do óleo vazado, que ameaça de contaminação todo o litoral nordestino e deve chegar à região Sudeste
Ricardo Salles curte praia, enquanto óleo chega a Abrolhos. Foto: Coluna Guilherme Amado.
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Ricardo Salles curte praia, enquanto óleo chega a Abrolhos. Foto: Coluna Guilherme Amado.

Nesta terça-feira (05/11), a mancha de óleo que contaminou todo o litoral nordestino chegou ao município baiano que faz limite com o Espírito Santo. Fragmentos da mancha de óleo foram encontradas na Praia de Costa Atlântico, em Nova Viçosa, no Extremo Sul da Bahia que fica a 55 quilômetros da divisa com o Espírito Santo, região Sudeste do País.

Depois de atingir o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, uma das maiores riquezas em biodiversidade marinha do Oceano Atlântico e que garante a pesca para milhares de famílias da costa da Bahia. Os dados oficiais apontam que a pesca nas regiões vizinhas ao arquipélago de Abrolhos movimenta mais de R$ 100 milhões ao ano, valor que representaria 10% da receita com pesca em todo o Brasil, e que garante a subsistência de 20 mil pescadores, a mancha de óleo segue para o Espírito Santo.

A total inércia do governo Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles está potencializando o desastre ambiental e aumentando as proporções de seus impactos. O governo e seu ministro já acusaram a Venezuela, as universidades e até organizações não-governamentais, como o Greenpeace de serem os responsáveis pelo derramamento de óleo. Essa é a única medida tomada, efetivamente, pelo governo Bolsonaro.

Em vez de ir atrás das manchas de óleo através de imagens de satélite, drones e embarcações, o governo diz que vai aguardar o óleo chegar as praias e os corais para realizar a limpeza. Importante lembrar que nem isso o governo está fazendo, pois quem está retirando o óleo das praias sem nenhum apoio são os grupos de voluntários formados por trabalhadores e a população das regiões afetadas.

No último domingo, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, veio dar um passeio em Porto Seguro e foi visitar Abrolhos. Em coletiva ficou irritado sobre questionado sobre o combate ao desastre e disse “bola de cristal a gente não tem”.

Porto Seguro: Ministro da Defesa diz que não tem ‘bola de cristal’ sobre origem das manchas
Ministro da defesa dá entrevista coletiva em seu “passeio” por Porto Seguro/BA

Disse que não tem bola de cristal para saber a origem das machas de óleo que atingem o litoral nordestino. Ao ser questionado em que pé estava essa questão das manchas, se estava próximo do fim ou se estava no começo, o general do Exército disse que “a gente só tem visualização quando chega na praia”.

O ministro bolsonarista também afirmou que o Exército brasileiro já está ajudando nas manchas em “Salvador e Recife”. “Se for necessário, o reforço de pessoal do Exército. Se a Marinha esgotar seus meios, o Exército vem ajudar”, disse. A pergunta que fica é onde estão os soldados que o ministro afirma?

Em meio a pressão, a Marinha brinca de “batalha naval” e divulga mapas e imagens feitas

“Mapa” de ação divulgado pela Marinha para combate a mancha de óleo no Extremo Sul da Bahia.

em programas de desenho infantis de computador (veja imagem ao lado).

Em Porto Seguro, como na quase totalidade dos lugares, não há nenhuma mobilização das Forças Armadas e é extremamente pequena da parte dos órgãos ambientais seguindo orientação de suas direções bolsonaristas.

Quando entramos em contatos com o Instituto Chico Mendes de Conservação (ICMBio) dizem que podem fornecer equipamentos de coleta de óleo como carriola e tambor, além de luvas. Ou seja, nada!

Carriolas, tambores, baldes e pás: os poucos equipamentos fornecidos pelo ICMB  

 

Enquanto isso, a população trabalhadora que depende do turismo e da pesca, no desespero, tenta a seu modo resolver o problema. Entra em contato com o petróleo altamente tóxico e com compostos que podem até causar câncer. A política de Bolsonaro, Ricardo Salles e do ministro da defesa estão expondo a população para futuras doenças e problemas inimagináveis.

Outro fato para se lembrar é que enquanto pescadores registravam os primeiros sinais da chegada da mancha de óleo em Abrolhos, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles foi flagrado curtindo um belo descanso no litoral de São Sebastião, na praia da Baleia. Fato denuncia como o governo está “trabalhando” para conter o óleo.

Os trabalhadores têm que exigir que o governo resolva o problema, pois a contaminação vai além das praias. Milhares de famílias do litoral dependem da pesca e do turismo e estão sendo contaminadas enquanto os bolsonaristas estão curtindo descanso e destruindo o país.

O exemplo foi dado por pescadores baianos que realizaram manifestações nas ruas e ocuparam prédios do Ibama e de prefeituras, e deve ser seguido para a resolução do problema. A ocupação de prédios de órgãos públicos, fechamento de rodovias e outras medidas mais enérgicas devem ser tomadas para forçar o governo resolver o problema de acordo com a população afetada.

É impossível conviver com o governo Bolsonaro e a direita que em poucos meses já contribuiu com gigantescos desastres ambientais, ataques a direitos de populações tradicionais e de trabalhadores. Antes de tudo é preciso se organizar para derrubar Bolsonaro e toda sua corja direitista do poder.