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Querem a ditadura de volta
Os militares e a direita rumo ao golpe militar. E a esquerda?
O golpe de 2016 não veio apenas para derrubar o governo do PT, seu objetivo é o de esmagar a esquerda e o conjunto dos explorados
generais
Querem a ditadura de volta
Os militares e a direita rumo ao golpe militar. E a esquerda?
O golpe de 2016 não veio apenas para derrubar o governo do PT, seu objetivo é o de esmagar a esquerda e o conjunto dos explorados
Militares no governo Bolsonaro Foto arquivo DCO
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Militares no governo Bolsonaro Foto arquivo DCO

Não é de hoje que a extrema-direita e os militares ameaçam o povo brasileiro com o golpe militar. Quem não lembra do famoso discurso do então general Mourão em uma palestra promovida pela maçonaria em Brasília em 2017? E as seguidas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) executadas pelas Forças Armadas, que se seguiram ao golpe de 2016? A ocupação militar em diversas e cidades e em particular no Estado do Rio de Janeiro, por cerca de 10 meses? As seguidas declarações ameaçadoras do General Villas Boas diante de apreciações do STF sobre a prisão de Lula?

Uma primeira questão que pareceria óbvia, mas não é para boa parte da esquerda, é que o golpe de 2016 só foi possível porque não apenas as Forças Armadas apoiavam, como eram atores centrais no processo. Até hoje é comum ouvir falar em golpe parlamentar, golpe jurídico parlamentar e até mesmo que não teve golpe, pois os tanques não estavam nas ruas. É por conta dessa política que permeia a ilusão na esquerda de que o regime político gestado pela Nova República pode ser recuperado e assim, a “democracia”, as reformas e assim por diante, podem ser resgatadas.

Nesses últimos dias, declarações de Eduardo Bolsonaro, o filho do presidente ilegítimo, defendendo um novo AI-5 diante diante de uma possível radicalização das massas como a que está ocorrendo no Chile, causaram um “alvoroço” no meio da esquerda e mesmo entre setores da direita e da imprensa golpista. Hipocrisia de ambos os lados. A direita golpista e sua imprensa, as instituições, como os diversos órgãos do Judiciário e o Congresso nacional, querem acobertar os seus objetivos. Eles são os responsáveis diretos pelo golpe de Estado de 2016 sob a liderança do imperialismo norte-americano. Como vimos, praticamente em todos países da América Latina, a política do imperialismo, na atual etapa de crise, é a de impor regimes ditatoriais para garantir a sua política de rapina. No caso do Brasil, o golpe de 2016 foi apenas o primeiro ato de uma política que, a depender deles, caminhará rumo à implantação de uma ditadura de tipo fascista.

A esquerda, por outro lado, na sua vã ilusão de fazer com que a roda da história gire ao contrário, sonha com a volta da “democracia”, que garanta o seu espaço nas instituições falidas do estado burguês. Esse tempo passou. Aliás, passou a muito tempo, o que se assistiu nos últimos anos na América Latina foi apenas uma “folha de parreira” no arremedo de democracia do capitalismo moribundo.

A próxima etapa política será marcada pela luta de classes no seu estágio mais avançado. Não haverá meio termo. Ou a classe operária e o conjunto dos explorados têm uma política que aponte para o enfrentamento aberto contra o imperialismo e os seus fantoches nacionais que estão à frente dos golpes de estados ou serão irremediavelmente esmagados por ele.

A esquerda está tão sem bússola, desnorteada, tanto que não apenas não se manifestou ou quando muito “discursou” contra a política das “aproximações sucessivas” colocada em prática a todo momento pelos militares, como no afã de condenar as declarações em defesa do AI-5 do fascista Bolsonaro – via instituições, é claro – praticamente nada disse sobre as declarações muito mais graves do ministro do GSI, o general Augusto Heleno, que não só concordou com o que declarou Bolsonaro, como admitiu, na prática, que está sendo posto em pratica a política de “aproximações sucessivas” rumo ao golpe militar.

Enquanto a esquerda sonha, o golpe avança. A atitude do Psol, seguida pelo PT e o PCdoB contra a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro foi a de entrar com uma representação junto à Comissão de Ética da Câmara Federal pedindo a sua cassação. Dois tiros, um em cada pé!. Primeiro, é possível imaginar o que é uma comissão de ética no Congresso Nacional? O mais puro dos éticos, é possível que tenha matado a própria mãe! Mas o mais grave é defender a cassação do fascista Bolsonaro por crime de opinião. A esquerda corre para a direita, para o “Centrão”, para que esse o “salve do fascismo”.  Mas o “Centrão” é o fascismo, é o filho ou neto dileto da Arena, que era o sustentáculo político da ditadura com características fascistas impostas pelo golpe militar, que não terá nenhum pejo de voltar as mesmas leis contra a esquerda quando lhes convier.