Dia 10 mostrou que o caminho é a mobilização contra o golpe. Dia 15, todos a Brasília

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Pouco mais de mil pessoas se reuniram em frente ao prédio da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na Avenida Paulista, no ato convocado pela CUT e de mais “centrais” como parte do “Dia do Basta”. O evento deveria ser a principal atividade do dia que a CUT chamava a realizar paralisações e mobilizações nas bases das categorias e que a maioria dos sindicalistas transformou em uma manifestação descolada de qualquer iniciativa mais geral, apenas para marcar posição.

Em sua maioria, o público era formado por dirigentes sindicais e ativistas das centenas de sindicatos do Estado ligados à própria CUT, CTB, UGT, Foram Sindical, Nova Central, Intersindical e Conlutas. O próprio horário para o qual foi convocado o ato era em si um obstáculo a uma participação mais ampla, uma vez que só tornava o evento acessível aos “representantes” dos trabalhadores que não estão trabalhando, se opondo à tradição combativa da esquerda de fazer as manifestações no final do expediente de milhões de trabalhadores da cidade, permitindo a participação de uma parcela destes.

A própria organização do ato foi marcada por outras concessões dos sindicatos com maior capacidade de mobilização efetiva – neste momento -, todos eles ligados à CUT, aos sindicalistas de outras “centrais” habituados a realizarem manifestações apenas para serem divulgadas na imprensa burguesa, sem qualquer preocupação de mobilizar os trabalhadores. Assim não havia qualquer eixo claro comum, além do genérico “basta”, uma vez que o centro de qualquer mobilização real neste momento que deveria ser a luta pela liberdade de Lula e a defesa de sua candidatura presidencial contra o golpe era rejeitado por alas do movimento sindical que apoiaram o golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma e até defendem  prisão do ex-presidente Lula, como a Força Sindical (do deputado Paulinho da Ford, presidente do Solidariedade e apoiador de Geraldo Alckmin) e a Conlutas (do PSTU).

Por vias colaterais, o “Dia do Basta”, expressou limitadamente uma disposição de mobilização com paralisações em algumas poucas cidades. Segundo a própria CUT, “em algumas cidades, como Sorocaba, no interior de São Paulo, a capital Natal, no Rio Grande do Norte, e Feira de Santana, na Bahia, os rodoviários não saíram das garagens nesta manhã. Os trabalhadores e trabalhadoras das empresas Rosa, São João e Lira aderiram ao Dia do Basta e a paralisação atingiu 44 cidades da região de Sorocaba”. Ainda segundo a CUT, metalúrgicos e metalúrgicas do ABC paulista realizaram assembleia nos locais de trabalho às 5h da manhã e atrasaram a entrada nas fábricas; no Rio de Janeiro, a categoria petroleira paralisou as atividades pela manhã, os químicos do Polo Petroquímico de Camaçari, paralisaram as atividades durante a manhã; bancários de  Belo Horizonte e de várias outras cidades atrasaram a abertura das agências etc. (Portal da CUT, 10/08/18).

A situação, no entanto, nem de longe expressou a imensa revolta que toma conta da população contra a enorme deteriorização das condições de vida da maioria da população diante da ofensiva do governo golpista de Temer e seus comparsas; que despontou com força na greve dos caminhoneiros de junho passado e, em contrapartida, o enorme apoio popular que a candidatura do ex-presidente Lula recolhe, mesmo preso, perseguido, alvo de uma intensa campanha difamatória da parte dos monopólios dos meios de comunicação.

Mesmo em condições limitadas e publico reduzido – na maioria dos casos pela ausência de uma mobilização mais ampla – os atos expressaram a pressão que os próprios sindicalistas sofrem do mundo real, dos trabalhadores, no sentido de se posicionar claramente a favor da liberdade de Lula e de sua candidatura. Inclusive com sindicalistas de “centrais” pelegas que apoiaram o golpe, se posicionando a favor do ex-presidente e até mesmo da mobilização em Brasília, no próximo dia 15.

No ato de São Paulo, o presidente da CUT, Vagner Freitas, destacou o caráter central da luta, lembrando que nenhuma conquista limitada nas campanhas salariais em curso ou por se realizar estarão, de fato, asseguradas, se não se impuser uma derrota à direita, garantindo-se a liberdade de Lula, impondo sua candidatura e a derrotando o golpe.

Em todo o País, no entanto, fica cada dia mais claro que de nada adianta uma suposta “unidade” da esquerda, dos sindicatos etc. que não seja para levar adiante uma luta efetiva; que não tenha como tarefa deixar claro para amplas parcelas da população, que as eleições fraudulentas que a direita busca realizar, sem a participação de Lula, como também à política de colaboração e entendimento com os golpistas representada pelo “plano B”, de aceitar as decisões do judiciário golpista, desistir da candidatura de Lula e apoiar outras candidaturas, não representam uma saída para os trabalhadores.

As mobilizações desse dia 10 servem como um “ensaio”, principalmente do que não deve ser feito para que haja uma  grande mobilização nacional no próximo dia 15, em Brasília, por ocasião da entrega do pedido de registro, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  da candidatura à presidente da República do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o dia 15, é preciso realizar uma mobilização geral e não apenas de dirigentes e lideranças.

Aprender com a experiência política recente que evidenciou que no atual regime golpista, resultado do golpe de estado que derrubou a presidente Dilma Rousseff, por meio de um impeachment fraudulento, nenhuma reivindicação relevante para os trabalhadores pode ser conquistada, sem uma mobilização de conjunto que enfrente e derrote as instituições golpistas.

Na reta final par o dia 15, “arregaçar as mangas”, mobilizar nos bairros, universidades e locais de trabalho, para lotar os ônibus e garantir uma gigantesca mobilização que ocupe Brasília contra o golpe,  pela liberdade de Lula, por Lula presidente!