Sigla descartável
Como se o PSL fosse um partido
Revista Veja publicou uma reportagem afirmando que Bolsonaro já teria decidido sair do PSL e teria comunicado a decisão a “aliados mais imediatos”
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Sigla descartável
Como se o PSL fosse um partido
Revista Veja publicou uma reportagem afirmando que Bolsonaro já teria decidido sair do PSL e teria comunicado a decisão a “aliados mais imediatos”
Bolsonaro está pronto para sair do PSL, um partido artificial. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil
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Bolsonaro está pronto para sair do PSL, um partido artificial. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O Partido Social Liberal (PSL) receberá R$ 359 milhões em 2020, considerando-se a soma do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral. Nenhum partido no Brasil receberá mais dinheiro do que isso. O partido de Bolsonaro, o ilegítimo, será o que mais vai receber dinheiro, entre todos os outros partidos. Apesar disso, Bolsonaro está ameaçando deixar a sigla.

Terça-feira (8), Bolsonaro falou na entrada do Palácio do Planalto para um apoiador esquecer o PSL, dizendo que o presidente do partido está “queimado pra caramba”. Um dia depois, a revista Veja publicou uma reportagem afirmando que Bolsonaro já teria decidido sair e teria comunicado a decisão a “aliados mais imediatos”. As causas para isso podem ser a disputa pelo milionário fundo partidário ou a tentativa de Bolsonaro de se desvencilhar do escândalo do laranjal do PSL, que atinge seu ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Seja como for, chama atenção como os partidos de direita são descartáveis. Em 1989, Fernando Collor de Mello elegeu-se pelo Partido da Reconstrução Nacional, que antes se chamava Partido da Juventude e hoje se chama Partido Trabalhista Cristão. Seja com qual desses nomes for, o partido sempre foi inexpressivo, com exceção do momento em que sua legenda foi alugada pela candidatura de Collor, que consistia em uma grande manobra da burguesia para evitar a vitória de Lula naquele momento.

O PSL tem a mesma característica. Existe desde 1994, mas nunca teve importância nenhuma. Até ser usado por Bolsonaro para participar das eleições do ano passado. Devido à manobra eleitoral montada para fraudar as eleições de 2018, com o apoio da máquina eleitoral de todos os partidos de direita para eleger Bolsonaro quando os golpistas perceberam que não seria possível eleger Geraldo Alckmin, o PSL acabou elegendo muitos parlamentares, e agora abocanhando a maior parte do dinheiro público destinado aos partidos. No entanto esse partido não tem nenhuma política definida, e está desmoronando diante de suas contradições internas apesar de seu sucesso artificial nas eleições.

Na verdade nem se pode chamar essas siglas de partidos. Enquanto a burguesia cinicamente fala em reforma política, ela mantém partidos absolutamente artificiais disponíveis para suas manobras. Ao mesmo tempo, as regras cada vez mais rígidas para a formalização de novos partidos visam tirar dos cidadãos cada vez mais o direito de se organizarem em partidos que os representem. Bolsonaro se apresentava em sua campanha como o messias que combateria a “velha política”, porém nada é mais velho do que esse esquema para controlar as eleições.

Para a burguesia é muito mais simples criar partidos do nada. Basta colocar muito dinheiro, seja privado ou público, e cria-se um partido do dia para a noite. No caso dos trabalhadores e dos setores populares, a criação de um partido que os represente é muito mais complexa e é o fruto de uma luta política. As regras criadas pelo regime para dar R$ 359 milhões para o PSL em 2020, sendo que o PSL sequer pode ser chamado de um partido político, são as mesmas que dificultam qualquer participação efetiva do povo nas eleições e visam justamente excluir os trabalhadores de qualquer representação no regime político.