“Reforma da Previdência”
A situação é tão ruim que até Bolsonaro apareceu na imprensa dizendo que “lamenta” ter que aprovar o assalto generalizado aos velhinhos
Brasilia DF 02 10 2019 O presidente Jair Bolsonaro recebe cumprimentos e tira fotos na entrada do Palacio da Alvorada. foto Antonio Cruz/ Ag. Brasil
Bolsonaro ri e lamenta na porta do Palácio do Planalto. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil |

O roubo das aposentadorias, chamado de “reforma da Previdência”, está quase concluído. Terça-feira (1º) o texto foi aprovado no Senado em 1º turno. A campanha da imprensa capitalista pelo roubo das aposentadorias vinha desde a campanha golpista que acabou derrubando Dilma Rousseff em 2016. A resposta das centrais sindicais foi apostar em pedir a clemência dos parlamentares, em vez de tentar fazer uma ampla mobilização nas ruas. De modo que chegamos até aqui. Agora será necessário completar 65 anos para se aposentar, no caso dos homens, e 62, no caso das mulheres. Acabou a aposentadoria por tempo de serviço, e o valor a ser recebido será menor.

A situação é tão ruim que até Jair Bolsonaro, o golpista ilegítimo que chegou à presidência graças à ausência de Lula nas urnas, apareceu na imprensa dizendo que “lamenta” ter que aprovar o assalto generalizado aos velhinhos. Em uma conversa com simpatizantes na saída do Palácio do Planalto, o golpista disse o seguinte: “Eu lamento, tem que aprovar, não tinha como”. Mesmo entre os mais retardados bolsonaristas o presidente da direita golpista precisou fazer a demagogia de que só trabalhou pela aprovação da reforma porque esta seria “necessária”.

Infelizmente, o reconhecimento de que roubar velhinhos é uma coisa lamentável não vai devolver o dinheiro dos futuros aposentados, em caso de haver um futuro no Brasil, e de alguém conseguir se aposentar nesse tempo hipotético. É uma ocasião rara poder concordar com Bolsonaro, até a primeira vírgula pode-se concordar com ele nessa frase: eu também lamento. O roubo das aposentadorias foi aprovado, e todos nós lamentamos. Só não podemos aceitar que isso fosse “necessário”, quando é amplamente conhecido que o “rombo” da Previdência é uma farsa armada para transferir mais dinheiro, mais uma vez, dos trabalhadores para especuladores capitalistas.

Como não adianta apenas lamentar, nem tentar tocar o coração dos parlamentares de direita, como as centrais lamentavelmente fizeram nesse caso, a única coisa que resta para tentar recuperar as aposentadorias é a mobilização nas ruas. Há duas palavras de ordem nesse momento que confrontam o regime político que está destruindo o futuro e o País: Fora Bolsonaro! e Liberdade para Lula! Essas palavras de ordem representam uma oposição a tudo o que o governo está fazendo.

Dia 27 de outubro, aniversário do ex-presidente, preso político há 544 dias, está marcado um novo ato em defesa de sua liberdade. Será uma oportunidade para ampliar uma mobilização que pode levar à derrota da direita, e que poderá impor a reversão de políticas como o roubo das aposentadorias, entre muitos outros ataques aos trabalhadores.

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